<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-7474716860534623333</id><updated>2012-01-21T04:42:43.677-08:00</updated><category term='Cotidiano.'/><category term='O homem esse ser tão....'/><category term='Natal'/><category term='REFLEXÕES.'/><category term='Bichos do coração'/><category term='Subjetivo'/><category term='Família'/><category term='Carta.'/><category term='Comportamento'/><category term='Livros'/><category term='Rfelexões'/><category term='ATUALIDADE - ARTIGO'/><category term='Cotidiano'/><title type='text'>Ana Maria Ribas</title><subtitle type='html'>Olhar o mundo pelo lado de fora, entender o lado de dentro.</subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://abrahana.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7474716860534623333/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://abrahana.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>Ana Maria Ribas</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02242985313797724173</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_PW89QoR8kx0/SPDNZE93ppI/AAAAAAAAAKU/1IWdqIaDcYA/S220/ATgAAAB-QugH-y_WkR5dczWxCwmgGIXkkVlFEWKweRruX_HzUzX7keQO0kfHxSkdpgtTwwwdKnOwPi1EdJv0z61Xv_LuAJtU9VByTd2HvBs6Ho32el-HAq738AB2xA.jpg'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>40</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7474716860534623333.post-8497380483301013510</id><published>2011-12-19T12:43:00.000-08:00</published><updated>2011-12-19T12:44:28.197-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Comportamento'/><title type='text'>DAMA DE FERRO</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none; clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-NhtaIfiqEys/Tu-hteXl8kI/AAAAAAAAAlI/uPJz_rF1K9E/s1600/doida.jpg" imageanchor="1" style="clear: right; cssfloat: right; float: right; margin-bottom: 1em; margin-left: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="320" oda="true" src="http://1.bp.blogspot.com/-NhtaIfiqEys/Tu-hteXl8kI/AAAAAAAAAlI/uPJz_rF1K9E/s320/doida.jpg" width="240" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;Quem já deixou alguma vez de se entender consigo, saberá do que estou falando: Há uma parte em mim que mal conheço, sequer suspeito, de tão doida ela é. Há uma parte em mim habitando vastidões dentro de mim, que me faz duvidar de qualquer impossibilidade. Mais ou menos assim como quando a gente olha um ser e diz: não sei do que esse ser é capaz, melhor ficar longe dele. Só que o ser sou eu. Como pois vou ficar longe de mim?&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;Essa doida faz impulsivamente coisas que eu não faria e jamais diria. Escrever então, nem pensaria. No entanto, faço, falo e escrevo com tal coração forte e destemido, embora desconheça de onde me vem essa competência atrevida. Passado o momento loucura, volto a ser a mesma: cheia de culpa, de amor, de compreensão e doçura que me condenam e dizem: - sua doida, como você pode? &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;Mas mesmo essa doida que mal conheço, e que é capaz de coisas que não sei,- tome cuidado,-tem um certo ritmo que vem à tona em circunstâncias pré determinadas, o que equivale a dizer que a conheço vagamente. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;Por exemplo: o ritmo de organização que me toma a cada vez que vou viajar. Esse, já sei que me aparece sempre na última semana que antecede a viagem.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;Nos últimos dias resolvo arrumar gavetas e rasgar papéis. Eu adoro rasgar papéis, mas os que gostaria mesmo de rasgar, não posso, então rasgo tudo o que posso: contas antigas de luz, de água, de telefone, notas fiscais, correspondências que mal abro quanto recebo e coisas tais. Também nesses últimos dias, sou tomada pela urgência de resolver coisas que venho adiando há tempos: exames médicos. Às vésperas de uma viagem estou envolvida com exames médicos ou, pelo menos, agendando os exames para a minha volta. Também faz parte da organização verificar o bem estar dos animais: carteirinha de vacinação e aplicação de vermífugos, banho e tosa. Nunca viajo sem ir ao banco retirar o extrato da minha conta, o que equivale a dizer checar todos os débitos e os créditos antes da viagem, anotando tudo num caderninho. Os armários passam por uma revista minuciosa só porque vou viajar. As roupas que não uso há meses, experimento, para descobrir diante do espelho porque não as usei e lhes dar melhor destino. A faxina se estende para os demais cômodos da casa: examino se os vidros estão limpos e deixo tudo o que me parece necessário anotado numa lista para a minha funcionária se desincumbir, enquanto estou viajando. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;O que me deixa perplexa é que essa não sou eu. Convivo numa boa com papéis que se acumulam nas gavetas, com exames médicos atrasados, com animais sem banho, com extratos não verificados e armários mais ou menos bagunçados. E se os vidros estão sujos eu fecho a cortina e não me descabelo. Mas basta marcar uma viagem para baixar em mim o espírito da Dita. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;Antes de uma viagem, também sou tomada pela solidariedade: se alguém que conheço está sofrendo, não posso viajar sem antes telefonar ou visitar. E se o sofrimento é meu, tenho que agendar uma visita à pastora Taty antes de por o pé na estrada. Antes de por o pé na estrada também, sou tomada pelo desejo de me desfazer de coisas que não uso. Segundo o Silvio, meu professor de musculação em Maringá, essa prática se chama desapego. Seja lá o que for, é coisa demais para a minha cabeça que além dessa listinha, precisa desincumbir-se desta outra: manicure, pintura de cabelo, sobrancelha, e malas.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;Eduardo Mascarenhas, psicanalista, escreveu um artigo, certa vez, no qual afirmou com muita propriedade, que pessoas organizadas por fora são bagunçadas por dentro. Na impossibilidade de arrumar o que vai por dentro, capricham na arrumação externa.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;Pode ser. Às vésperas de uma viagem o meu padrão de pensamento que já não é dos melhores, perde todos os parâmetros de normalidade. Viajar me é doce demais, eu mal mereço. Sinto-me culpada – pasmem- por não estar em dois lugares ao mesmo tempo. Sinto pena dos animais que não me terão por perto. Sinto que a casa sofrerá a minha ausência: será uma casa sem dona. Sinto que tudo o que deixei de fazer, ficará à minha espera, aguardando a minha volta. É como se todas essas coisas se levantassem dentro de mim como uma objeção ao lazer do qual irei desfrutar apenas levemente, porque na verdade não desfruto em lugar algum. Mas para que nada me acuse de nada, faço às vésperas da ausência o que não fiz na presença, e se não dou conta, anoto numa agenda, para depois da volta, executar como prioridade máxima. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;O que não consigo anotar na agenda é exatamente essa angústia de mim, essa vastidão imensa que não identifico no espelho, que me parece outra e não eu. Não sei descrever quem é essa. Não sei conviver com uma dama de ferro. Não posso suportar uma mulher tão metódica, eu que sou apenas regularmente organizada. Mas essa também sou eu. Eu com raiva do meu outro eu. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;A raiva é recíproca: eu te odeio!&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7474716860534623333-8497380483301013510?l=abrahana.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://abrahana.blogspot.com/feeds/8497380483301013510/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7474716860534623333&amp;postID=8497380483301013510' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7474716860534623333/posts/default/8497380483301013510'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7474716860534623333/posts/default/8497380483301013510'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://abrahana.blogspot.com/2011/12/sama.html' title='DAMA DE FERRO'/><author><name>Ana Maria Ribas</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02242985313797724173</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_PW89QoR8kx0/SPDNZE93ppI/AAAAAAAAAKU/1IWdqIaDcYA/S220/ATgAAAB-QugH-y_WkR5dczWxCwmgGIXkkVlFEWKweRruX_HzUzX7keQO0kfHxSkdpgtTwwwdKnOwPi1EdJv0z61Xv_LuAJtU9VByTd2HvBs6Ho32el-HAq738AB2xA.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/-NhtaIfiqEys/Tu-hteXl8kI/AAAAAAAAAlI/uPJz_rF1K9E/s72-c/doida.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7474716860534623333.post-3323836346811445798</id><published>2011-12-17T15:05:00.000-08:00</published><updated>2011-12-17T15:05:01.164-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Natal'/><title type='text'>O assédio do Papai Noel</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-xXIY_yIB7P8/Tu0fK2DR4MI/AAAAAAAAAk4/Tc77synGUj4/s1600/papai_noel_moderno.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="317" oda="true" src="http://4.bp.blogspot.com/-xXIY_yIB7P8/Tu0fK2DR4MI/AAAAAAAAAk4/Tc77synGUj4/s320/papai_noel_moderno.jpg" width="320" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;Quem escapa do assédio do Papai Noel? Pelo visto, ninguém. A lista dos que se rendem inclui homens e mulheres, velhos e crianças. E não me diga que as crianças encabeçam a lista. Quem encabeça a lista são as mulheres, elas sim as verdadeiras responsáveis por infiltrar o velhinho pela chaminé, enchendo a casa de penduricalhos, montando a árvore com bolas coloridas, comprando os presentes, escolhendo o cardápio,- ui coitado do peru e do porquinho- preparando a comida, decorando a mesa, sem esquecer das roupas novas, para a grande noite: a véspera. A noite que antecede o Natal é o ápice desse fervo que começa antes do início de dezembro e encerra só depois do ano Novo.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;Quem introduz o ano novo é o Papai Noel que parece estar hospedado em cada casa até o dia 6 de janeiro, ele e a turma dos folgados que se mudam para o endereço dos outros, até a data mágica de 6 de janeiro, quando o circo é desmontado e a casa fica finalmente livre de entulhos e de parentes. Vovozinha só desocupa o quarto da netinha depois do dia 6. Aquele tio folgado que veio com toda a família, também só esvazia o sótão depois do dia 6, quando a churrasqueira para de funcionar e o caminhão de cerveja deixa de fazer entrega. Dia 6 é o dia da Folia de Reis e também o dia de alforria do casal anfitrião que, pode enfim restabelecer a ordem do seu pequeno núcleo familiar. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;Bem feito! Quem mandou inventar.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;Não me parece natural nenhuma dessas coisas extraordinárias que se fazem em torno de uma idéia comercial, mas por mais que eu fuja, acabo cedendo minimamente ao assédio, talvez porque se eu não cumprir o protocolo a cobrança externa cobrará dividendos maiores. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;Toda celebração que obriga todo mundo a parecer feliz, mesmo quando não há motivos para celebrar, é de uma crueldade que me assusta. Toda celebração que invoca o céu como álibi para cometer desvarios coletivos de ordem econômica, e social, é de uma ilegitimidade que me espanta. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;Imagine como é difícil aderir à idéia de felicidade quando se perde um ente querido. Não há mais o que comemorar. Nada do que foi será/ de novo /do jeito que já foi um dia. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;Há pessoas para as quais a idéia se apresenta, no mínimo, desfocada: eu sou uma delas.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;Sempre fui assim, mesmo antes de. Sempre me pareceu que essas festas nivelam o mundo lá em cima e projetam uma expectativa de felicidade universal que não corresponde à realidade de todos os homens, mesmo os de boa vontade. Não há velhinhos trazendo presentes que não nos custem nada. Os presentes custam dinheiro e alguém tem que pagar por eles. Não há datas mágicas e nem bônus que não nos cobrem dividendos. Depois do Natal e do ano novo, além dos presentes que foram parcelados no cartão de crédito, o cidadão que já pagou ICMS sobre tudo o que deu, também terá que pagar impostos sobre a propriedade, sobre a renda, sobre o carro, além das férias anuais obrigatórias na praia – que a família pede,- matrículas dos filhos na escola, mais a listinha de material escolar que dobra a esquina da rua com tantos itens. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;Sei que sou chata lembrando a você todas essas coisas, mas vai por mim e puxa o freio. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;Tenho grande lucidez para aderir a um circo provisório: não gosto de nada provisório. Se a vida fosse um permanente Natal, eu colocaria a mais linda árvore no canto da sala de estar e a deixaria ali para sempre. Acho linda uma árvore de Natal. Acho linda uma cidade iluminada. Acho maravilhoso um auto de Natal. Acho belíssimo o espírito de Natal. Só que tudo acaba.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;Natal é um arremedo fugaz que passa e deixa um vazio. Depois que me acostumo com a visão da árvore inserida no conjunto, depois que me deslumbro com as luzes e o brilho, tenho que desmontar a árvore, e aquele buraco, que antes não existia, passa a existir, sob a minha ótica de eternidade. Depois que a cidade é enfeitada com mil luzes, volta a mergulhar na semi escuridão. Qual a vantagem disso? &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;Não contem comigo para nada provisório. Eu e o provisório não nos damos bem. Entre o novo, que não vai durar para sempre, e a permanência acostumada, prefiro a permanência acostumada. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;Aos motivos sentimentais, estéticos, e econômicos, posso acrescentar mais um, de caráter social: acho o Natal uma tremenda injustiça com os pobres. Eu me lembro de natais sem nenhum colorido na minha infância e de quanto sofrimento me era a manhã de Natal, na hora de apresentar o meu presente às amigas que vinham trazendo os seus. A comparação era inevitável. Criança pobre sofre muito no Natal. Adulto pobre digere melhor a data com as respectivas diferenças. Mas não pense que, se você deu ao seu filho adulto um Uno Mille, ele não vai comparar com o Audi que o amigo ganhou. Compara sim. É inevitável. Papai Noel é sempre mais generoso com uns do que com outros, dependendo do endereço em que a cegonha entrega a criança. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;Associar a idéia do nascimento de Jesus com um Papai Noel elitista que oferece presentes de acordo com as posses, é algo inconcebível sob o ponto de vista espiritual. Quem precisa mais recebe menos, quem precisa menos, recebe mais. Vá explicar isso para o filho da empregada. Tente fazê-lo entender porque papai Noel foi mais bonzinho com o filho da patroa da mãe dele, do que com ele. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;Eu estou irremediavelmente fora do Natal, desde todos os meus natais. Mas ainda assim, estou dentro. Esse fora-dentro faz de mim um ser que se equilibra precariamente, nessa época do ano, sobre a minha perplexidade, a minha saudade e a minha nostalgia. Compro presentes apenas para os que ainda conservam a ilusão que acompanha a data. Tento não azedar o leite das crianças. Não me dou presentes e não cultivo a idéia naqueles que me rodeiam. Quase sempre não recebo nada. Não decoro a casa. Não patrocino comilança generalizada. Minha mesa é uma mesa sem exageros gastronômicos, circunscrita ao círculo familiar mais próximo. Não engordo um grama no natal. Não choro. Não me entrego a recordações. Tento encarar a data de uma maneira leve. Sobrevivo. E respiro aliviada no dia 2 de janeiro, quando tudo acaba.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;Em casa, acaba mais cedo: não recebo nenhum tio folgado. Melhor assim&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7474716860534623333-3323836346811445798?l=abrahana.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://abrahana.blogspot.com/feeds/3323836346811445798/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7474716860534623333&amp;postID=3323836346811445798' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7474716860534623333/posts/default/3323836346811445798'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7474716860534623333/posts/default/3323836346811445798'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://abrahana.blogspot.com/2011/12/o-assedio-do-papai-noel.html' title='O assédio do Papai Noel'/><author><name>Ana Maria Ribas</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02242985313797724173</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_PW89QoR8kx0/SPDNZE93ppI/AAAAAAAAAKU/1IWdqIaDcYA/S220/ATgAAAB-QugH-y_WkR5dczWxCwmgGIXkkVlFEWKweRruX_HzUzX7keQO0kfHxSkdpgtTwwwdKnOwPi1EdJv0z61Xv_LuAJtU9VByTd2HvBs6Ho32el-HAq738AB2xA.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/-xXIY_yIB7P8/Tu0fK2DR4MI/AAAAAAAAAk4/Tc77synGUj4/s72-c/papai_noel_moderno.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7474716860534623333.post-1635092318738542539</id><published>2011-12-17T04:28:00.000-08:00</published><updated>2011-12-17T04:35:29.738-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Comportamento'/><title type='text'></title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-hs-VvI22vvw/TuyLe30A7mI/AAAAAAAAAkg/rKwLzgZ_Z-U/s1600/bem-mal3.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 320px; FLOAT: left; HEIGHT: 240px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5687073791956545122" border="0" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/-hs-VvI22vvw/TuyLe30A7mI/AAAAAAAAAkg/rKwLzgZ_Z-U/s320/bem-mal3.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Basta a cada dia o seu próprio mal, mas não há ser humano que se contente com tão pouco. Nós juntamos o mal de ontem, com o mal de hoje, e o mal de amanhã, e o dia vira uma maldade só, pairando absoluta sobre as nossas cabeças, não em forma de nuvenzinha negra, mas em forma de céu de chumbo. Não é assim que deve ser.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Aceitar que cada dia tem o seu mal, nos faz pensar que a soma dos dias é a soma do mal e essa não é a lição didática que a Bíblia ensina.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Basta a cada dia o seu próprio mal, tem a ver com o fato de que o mal de ontem, deve ficar no ontem, para que possamos lutar contra o mal de hoje. O mal de amanhã pode não se concretizar porque, afinal, quem sabe a soma dos seus dias? Não temos certeza se amanhã viveremos, então para quê nos preocuparmos com um mal cujo dia pode não amanhecer?&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;O problema do mal encontra atuação dentro de cada dia. Cada dia tem o mal que lhe corresponde, e o mal de ontem corresponde ao dia de ontem. O mal de ontem, pertence ao ontem. O que existe de mal no dia de hoje, é para ser enfrentado hoje. Se o mal se estender até amanhã, não será mais o mal de hoje, será o mal de amanhã.&lt;br /&gt;Dia sem mal é o dia da morte, se o óbito ocorrer à zero hora e hum minuto. Se passar disso, já é um dia com o seu próprio mal. A nossa vingança é que haverá um dia em que o mal não poderá nos tocar.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;O mal de hoje, se não for outro, é, pelo menos, esse: depois de uma noite de sono, tocar a dura terra com os pés bem fixos no chão.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Basta a cada dia o seu próprio mal, e se não for outro, pode ser cumprir a rotina estafante de um trabalho que te desagrada. Se não for outro, pode ser o metrô que entrou em greve. Se não for outro, pode ser o motoqueiro que ultrapassou o carro e levantou o indicador em riste, (e você nem soube porquê). Se não for outro, pode ser o elevador que te deixou na mão na hora de ir para o trabalho. Se não for outro, pode ser a rinite que não te deu folga durante o tempo todo. Se não for outro, pode ser o fora que o namorado te deu. Se não for outro, pode ser a empregada que não apareceu para trabalhar. Se não for outro, pode ser o chefe que voltou de férias. Se não for outro, pode ser o TCC que não foi aprovado. Se não for outro, pode ser a ex mulher perguntando cadê a pensão das crianças. Se não for outro, pode ser o oficial de justiça batendo na porta para te prender. Se não for outro, pode ser uma infinidade de males que acompanham o seu dia, a cada dia, apenas para te fazer lembrado de que aqui não é o céu. É um jeito muito eficiente de desencorajar o cidadão do céu a estabelecer uma morada definitiva, aqui na terra.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Basta a cada dia o seu próprio mal. O mal de hoje, para mim, foi um tanto quanto leve, porque também tem essa: a vida nos ensina a conter o mal, conspirando contra a importância que ele se arroga e diminuindo o seu poder. A vida nos ensina a pegar o mal pelo colarinho e jogá-lo pela janela. A mandar o mal pra ponta da praia negra, de patinetes, num sol africano de 40 graus.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Acordei às 5 da manhã e tomei o meu café, às 5.30. Esse foi o primeiro mal: acordar às 5 da manhã. Mas foi um mal menor, se comparado ao mal maior que me fora infligido: eu deveria estar na clínica as 8,30, em jejum, para realizar uma série de exames de rotina. Como conheço o meu metabolismo, já sei que um jejum de três horas é mais que suficiente para fazer desaparecer do estômago qualquer vestígio de comida. Então, acordei às 5 para tomar o meu café e não fiquei com fome a manhã inteira como o mal queria. - Você está em jejum? – Estou em jejum. E estava em jejum de 3 horas e meia, mas ele não precisava saber disso.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;O segundo mal foi que me esqueci de levar a requisição médica para a autorização do exame, o que obrigou-me a voltar à tarde, mas não foi um mal tão grande porque o médico atendeu-me pela manhã sem a requisição, e os exames estavam ótimos, graças ao meu bom Deus.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;O terceiro mal foi que recebi um e-mail com a mesma conversa de sempre, acenando com uma projeção literária, mas foi um mal menor se comparado ao que recebi tempos atrás dizendo que a China compraria todos os meus livros e que eu precisava urgente contratar um tradutor.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;O quarto mal foi que o vidraceiro marcou comigo para medir os vidros da minha futura casa, e não veio. Mas foi um mal menor, porque o pedreiro que me acompanharia, teve dor de barriga e também deixou de vir.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;O quinto mal foi que o meu gato vomitou uma bola de pelo, mas poderia ter sido um mal maior se ele tivesse retido essa porcaria no estômago.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;O sexto mal, ainda não sei: são apenas 19 horas e 45 minutos.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;É dessa qualidade de mal que a Bíblia está falando. Você acha que vale a pena levar qualquer uma dessas &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;bobagens na bagagem de um novo dia? Não faça isso! A cada dia basta o seu próprio mal.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Viver é uma convivência inteligente com o mal. Viver é não subestimar o poder do mal. Viver é aprender que contra o mal, só vale a astúcia. Viver é não se antecipar ao mal, mas é chegar junto com ele. Viver é oferecer ao mal a resistência que lhe é devida. Viver é cavar trincheiras para o mal não aumentar território. Viver é ser titular das próprias defesas. Viver é, finalmente, reconhecer que o mal se combate com luta, mas a guerra por aqui nunca termina.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Acho que estou aprendendo.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7474716860534623333-1635092318738542539?l=abrahana.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://abrahana.blogspot.com/feeds/1635092318738542539/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7474716860534623333&amp;postID=1635092318738542539' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7474716860534623333/posts/default/1635092318738542539'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7474716860534623333/posts/default/1635092318738542539'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://abrahana.blogspot.com/2011/12/basta-cada-dia-o-seu-proprio-mal-mas.html' title=''/><author><name>Ana Maria Ribas</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02242985313797724173</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_PW89QoR8kx0/SPDNZE93ppI/AAAAAAAAAKU/1IWdqIaDcYA/S220/ATgAAAB-QugH-y_WkR5dczWxCwmgGIXkkVlFEWKweRruX_HzUzX7keQO0kfHxSkdpgtTwwwdKnOwPi1EdJv0z61Xv_LuAJtU9VByTd2HvBs6Ho32el-HAq738AB2xA.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/-hs-VvI22vvw/TuyLe30A7mI/AAAAAAAAAkg/rKwLzgZ_Z-U/s72-c/bem-mal3.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7474716860534623333.post-6443906553481467492</id><published>2011-12-17T04:17:00.000-08:00</published><updated>2011-12-17T04:21:58.182-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Livros'/><title type='text'>Como eu cheguei a "1822"</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-ZPaJS9UAeiU/TuyImhobudI/AAAAAAAAAj8/u4_HqR8_kdM/s1600/1822.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 130px; FLOAT: left; HEIGHT: 130px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5687070624906459602" border="0" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/-ZPaJS9UAeiU/TuyImhobudI/AAAAAAAAAj8/u4_HqR8_kdM/s320/1822.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Eu já sabia que o livro estava sendo celebrado de norte a sul, e de leste a oeste, mas encarar um livrão daqueles, apenas para acompanhar a tendência literária do momento, me causava um profundo cansaço. Sou daquelas que quando compra, não desiste de jeito nenhum, mesmo que a leitura seja enfadonha e repetitiva. E quem tem formação em história já sabe que a história está encerrada na história. Então por que ler mais um livro da mesma história que foi contada no meu curso de história? Só depois que comprei e devorei o livro fui entender que é possível ser formada em história sem conhecer toda a informação sobre a história.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;O livro é escandalosamente novo, é completo, é envolvente e uma vez acabada a leitura você fica com a sensação de que acabou mesmo. Depois eu explico o porquê do “escandalosamente novo”.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Com certeza , vocês já sabem que estou falando do best seller "1822," do escritor maringaense Laurentino Gomes, primo da minha amiga Renata, ai que orgulho, dá licença. &lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Conheci Renata na academia que freqüento todas as manhãs, quando estou em Maringá, que é o meu segundo domicílio. Trocamos um dedinho de prosa, falei que escrevia, que tinha um site na web, ela me perguntou sobre o quê, demorei um tantinho para responder que era uma escritora de comportamentos, uma cronista que pega um fato objetivo, revira pelo avesso e faz a crônica surgir pelo lado de dentro, reproduzindo a repercussão dos fatos, e não propriamente o fato em si. Nada novo, muitos já fizeram isso. &lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Pensei que, descrito assim, seria complicado entender mas quê nada, ela entendeu. A conversa correu frouxa e como uma coisa puxa a outra eu disse que quem escreve, também lê, o que acaba roubando todo o tempo e impedindo o escritor de viver, já levando a conversa para o lado subjetivo, que é a minha visão de mundo. &lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Ela me perguntou se eu havia lido "1822" e fiquei com vergonha de dizer que não havia lido "1822", porque afinal todo escritor brasileiro que se preze já leu "1822". Na verdade, eu tinha passado os olhos no livro anterior, "1808", de um jeito muito leve e sem compromisso. Explico: quando estou em Maringá, pela manhã, vou à academia, e à tarde visito a livraria Nobel que fica no shoping. São os meus programas.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;A livraria Nobel é o melhor lugar de Maringá, depois da minha casa. O Massao, que era dono de uma banca de revistas, fez da Nobel um ponto de encontro literário como tantos que existem por ai nas grandes metrópoles, mas que aqui no interior, só agora começa a aparecer.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Que delícia aquele espaço: livros, livros e mais livros, poltronas, café, comidinhas, ar condicionado, e nos finais de semana, música popular ao vivo, num nível de sonoridade que não atrapalha a leitura, nem cansa os tímpanos. A sensação é de pertencer: Achei a minha praia! Sem sol, sem calor, sem areia, sem bronzeador, sem nada que me cause desconforto.&lt;br /&gt;Pois então. Foi nesse nível de satisfação quase paradisíaca que tive contato com "1808", ouvindo um som, tomando um chocolate quente com chantilly, comendo uma panqueca, lendo uma página aqui, outra ali, envolvendo os cinco sentidos com tudo que mencionei, inclusive o livro, fato que me ocorre agora até poderia dar nome a um outro livro: “Ouvir, Ler e Comer,” mas é melhor não tentar. Vão me mandar para a Tailândia.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Parece um jeito muito desfavorável para abordar um livro sério como esse, dando uma lambida aqui, outra ali e é mesmo, livro não é sorvete. Não sei o que pensaria a família real a respeito, mas em minha defesa posso afirmar que já presenciei coisas piores sendo perpetradas contra a cultura.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Há poucos dias, vi uma montanha de livros numa secção de saldos, cujo preço envergonharia o escritor, desvalorizando o seu trabalho, a sua história, o seu pendor literário, a sua vocação. Vocês não vão acreditar, mas nesse dia, eu comprei Clarice Lispector por quatro reais e noventa centavos, só porque em cima da cara da Clarice tinha uma manchinha amarela! Fiquei pasma! Se queimam Clarice Lispector por esse preço, com ou sem manchinha, não quero nem pensar o que fariam com Ana Maria Ribas. Deixa pra lá.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Voltando a "1822", o livro. Depois que a Renata perguntou-me se eu havia lido, e ainda por cima contou que o autor era seu primo, entendi a urgência do momento e fui à livraria Nobel comprar os dois, o "1808" e o "1822". Queria começar pelo primeiro porque sou metódica, mas o primeiro estava em falta, então comprei o "1822".&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Li o livro em duas noites. Na primeira, parei a meia noite e meia, no final do capítulo “ A Princesa Triste" e só pude retomar na noite seguinte, terminando a leitura do livro em torno de idêntico horário. Mesmo sabendo que sou uma tremenda leitora dinâmica, confesso que até eu espantei comigo! E não pensem que foi superficial, não foi mesmo. Li, entendi, analisei, aprendi, me envolvi, emocionei, ri, descansei o livro no peito diversas vezes (como faço sempre que a admiração me toma), enfim, fui capturada pelo texto, pelos personagens, pela história, pela época, pelo dinamismo e pela agilidade que a escrita me cobrava. Ou eu lia, ou os fatos saltariam da página e seguiriam à frente, sem mim. Fui junto até acabar. Quando acabou, acabou. &lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Depois de "1822" jamais será possível reescrever a história do Brasil desse jeito tão humano e tão pessoal. D.Pedro, de fato, existiu. Isso não é maravilhoso? Para mim ele passou a existir após a leitura. A descrição do seu temperamento e das suas características pessoais fizeram-me saber que ele amou o Brasil, amou as mulheres, foi fogo, foguinho, apaixonou-se, escreveu cartas de amor, teve medo, ciúmes, dúvidas, coragem, foi magnânimo, generoso, bondoso, rude, mandão, mulherengo, brincalhão, encarnou contradições, passou fome, frio, cansaço, teve diarréia, fez cocô no mato, renunciou ao conforto, enfrentou longas jornadas em lombo de burro, sofreu como pai e como homem, gastou-se neste país pelo qual viu o mundo e o experimentou, em toda a sua crueza.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Eu não sabia de nada dessas coisas que um historiador jamais incluiria em seus livros, e um repórter, com o seu faro para notícias, nunca excluiria da sua obra.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Dona Leopoldina, mais que imperatriz foi uma mulher a quem interessavam as pedras, as flores, os insetos, as pequenas alegorias que introduzem os fatos da vida a um patamar mais elevado, ainda que não estejamos falando de botânica ou de zootecnia. Por tais percepções, ela prescindiu de vaidades, foi sábia, generosa e passou para a história como uma mulher cuja postura e código de conduta, anos mais tarde, a rival Domitila tentaria reproduzir. Ponto para Leopoldina.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Mas a grande incógnita que me foi desvendada, atende pelo nome de José Bonifácio de Andrada e Silva. Ai está um homem que eu gostaria de ter conhecido, mesmo baixinho, mesmo magrinho, mesmo franzino. Só o fato de ter sido um abolicionista não justificaria, por si, a minha admiração pelo personagem. Mas o conjunto de atitudes que tomou em defesa da ordem, e as filigranas que transparecem na narrativa dando conta do seu temperamento combativo e ao mesmo tempo normal, gentil, um homem que dava atenção às crianças, um dançarino de lambada em cima de uma mesa, ( sei que foi dançarino de lundu, mas pra mim foi lambada, e pronto) me fizeram perceber que desempenhou vários papéis sem perder a dimensão comum da existência. Se eu fosse Bonifácio também escolheria Paquetá para um exílio voluntário até a morte. Isso se chama coerência.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Todas as minhas considerações têm um viés subjetivo. Eu sei. Embora me seja possível depois da leitura compreender a história do país de uma maneira mais abrangente e sob uma perspectiva muito mais ampla, continuo enrolada emocionalmente com os tipos humanos que encontrei por ali. Não tenho culpa, sou uma escritora de comportamentos e não uma historiadora.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Laurentino Gomes conseguiu a façanha de ser as duas coisas ao mesmo tempo.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Fiquei de explicar porque o livro é escandalosamente novo. Porque perto dele, todos os livros anteriores ficam velhos. Ainda que o autor tenha subido aos ombros de historiadores que vieram antes dele, ainda que tenha lançado mão de pesquisas acadêmicas contemporâneas, como bem atesta a extensa bibliografia citada ao final de cada capítulo, prevalece o fato de que há um élan que é só dele, e o move, em direção ao que é pessoal, e ao que é transpessoal, em cada personagem. &lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Se eu pudesse estabelecer um paralelo entre estes, e alguns daqueles que constam na Bíblia, eu diria que em todo personagem histórico, seja bíblico ou não, o desafio do historiador e o mérito do registro está em suscitar em seus leitores, a noção de que a história é incapaz de comportar, retratar e fidelizar toda a realidade humana subjetiva, seja ela boa ou ruim. Nesse sentido, Laurentino Gomes me parece imbatível. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7474716860534623333-6443906553481467492?l=abrahana.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://abrahana.blogspot.com/feeds/6443906553481467492/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7474716860534623333&amp;postID=6443906553481467492' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7474716860534623333/posts/default/6443906553481467492'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7474716860534623333/posts/default/6443906553481467492'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://abrahana.blogspot.com/2011/12/como-eu-cheguei-1822.html' title='Como eu cheguei a &quot;1822&quot;'/><author><name>Ana Maria Ribas</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02242985313797724173</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_PW89QoR8kx0/SPDNZE93ppI/AAAAAAAAAKU/1IWdqIaDcYA/S220/ATgAAAB-QugH-y_WkR5dczWxCwmgGIXkkVlFEWKweRruX_HzUzX7keQO0kfHxSkdpgtTwwwdKnOwPi1EdJv0z61Xv_LuAJtU9VByTd2HvBs6Ho32el-HAq738AB2xA.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/-ZPaJS9UAeiU/TuyImhobudI/AAAAAAAAAj8/u4_HqR8_kdM/s72-c/1822.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7474716860534623333.post-4038551261877928170</id><published>2011-12-07T03:17:00.000-08:00</published><updated>2011-12-07T03:21:13.379-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Comportamento'/><title type='text'>Comer, rezar, amar - Uma análise da vida</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-Nezvxwj7rLU/Tt9LlOWnHRI/AAAAAAAAAjw/LPGGpdG5MVo/s1600/La%2BGilbert.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 320px; FLOAT: left; HEIGHT: 180px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5683344357645032722" border="0" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/-Nezvxwj7rLU/Tt9LlOWnHRI/AAAAAAAAAjw/LPGGpdG5MVo/s320/La%2BGilbert.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Comer, rezar, amar - Uma análise da vida&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não vi o filme. Li o livro e gostei do script. Logo, pensei que a escritora tem uma imaginação pra lá de fértil e que, por essa, e por outras qualidades, merece receber os direitos autorais que lhe são devidos e mais a paparicação que a fama lhe trouxe.&lt;br /&gt;Vale esclarecer que comprei o livro não acreditando numa linha do que estava sendo descrito pela imprensa como história real. Já se sabe o que penso da personalidade inventiva dos escritores. Mas comprei pensando em admirar o esforço literário para parecer crível, a exposição generosa do perfil escancarado pela moça, a tentativa de montar o cenário mais natural possível para cada uma dessas necessidades humanas. &lt;br /&gt;Comer, rezar e amar são necessidades básicas do ser humano, não necessariamente nessa ordem. Sem comer ninguém se mantém em pé por muito tempo, sem rezar ninguém morre, - porque na hora trágica até o ateu reza- e sem amar ninguém vive, no máximo vegeta.&lt;br /&gt;Logo comer, rezar e amar são acidentes geográficos que acontecem a todo mundo, todos os dias, em qualquer lugar da terra. &lt;br /&gt;Comer. Para comer, a escritora saiu de EUA e se deslocou para a Itália. Viajou para o país errado. Se em EUA come-se mal, na Itália também não se come bem. &lt;br /&gt;Não sei porque a Itália tem fama de ser o país onde melhor se come. Ledo engano. Come-se mal pra xuxu.&lt;br /&gt;Detalhe bobo: sem xuxu. Sem farofa. Sem churrasco. Sem arroz e sem feijão. Sem as generosas porções que os nossos restaurantes servem no Brasil.&lt;br /&gt;Na Itália, toda massa é al dente. Bom pra quem tem dente. Mas para o brasileiro comum, para a média da população brasileira acostumada a uma ponte fixa, a uma dentadura básica com e sem Corega, a massa ideal é a de consistência cremosa, que não ofereça resistência.&lt;br /&gt;Na Itália, serve-se uma massa quase crua! E dá-lhe azeite para ajudar a descer.&lt;br /&gt;A pitzza italiana tem bordas queimadas, e nenhum aditivo que suavize a secura, a não ser uma minguada porção de queijo no centro. O resto é farinha. &lt;br /&gt;Nem pense em pedir katchup. O italiano considera uma heresia a misturança que fazemos com o que eles chamam de pitzza napolitana.&lt;br /&gt;Essas são as lembranças que eu guardo da culinária italiana. Posso lhes garantir que em Roma não se come bem, mesmo pagando o mesmo que La Gilbert pagou, e mesmo comendo o que La Gilbert comeu.&lt;br /&gt;Um conselho: Coma no Bixiga mesmo. Depois de comer nas cantinas italianas do Bixiga você ainda pode matricular-se num curso de italiano e falar razoavelmente bem o idioma que ela classificou como divino. (Coisa de gringo.) Tudo sem sair do Brasil. Essa primeira parte tá resolvida a preços módicos. E se você precisar de um livro que conte a história do Bixiga, - com i- posso lhe indicar um.&lt;br /&gt;Para rezar. Para rezar, ela começou rezando no banheiro e foi parar num ashram na Índia.&lt;br /&gt;Segundo o Google, ashram é um monastério para pessoas que querem desligar-se do mundo e estar a sós com Deus. E foi ai que o livro começou a me intrigar. Porque eu também fiquei morrendo de vontade de ir para um ashram onde pudesse ter -com Deus - a experiência que ela descreveu.&lt;br /&gt;Esse é o tipo de programa que me atrai. La Gilbert poderia comer todos os antepastos e pastos da Itália que não me chamaria atenção. Poderia também comer, beijar e amar todos os belíssimo italianos que ela descreve ( são lindos mesmo!!!) que não me despertaria nenhum tipo de luxúria incipiente. Mas experimentar um vivo contacto com o Deus Vivo, não é algo que eu possa ler com desdém, ou duvidar de primeira, ou ignorar e fazer de conta que não entendi.&lt;br /&gt;Em relação às coisas de Deus eu tenho um lema: faz parte da minha vida acreditar. Portanto, eu acredito primeiro, e vejo o que acontece depois, segundo a minha crença. Achei muito crível a maneira como as coisas aconteceram entre ela e Deus. Eu sei que é assim que funciona. E sei também que é assim que não funciona. Deus não cabe em parâmetros humanos , mas de vez em quando, cabe. Por isso, na dúvida, ofereço o benefício da crença. Ponto.&lt;br /&gt;Fiquei com uma baita inveja do tempo que ela passou lavando o chão do monastério. Eu creio nisso. Creio que lavar o chão de um monastério é uma forma de lavar a alma. É um ato profético de grande simbolismo espiritual. Também creio muitíssimo no poder do silêncio. Aprender a calar é condição imprescindível para Deus falar. O resto é criança brincando na hora do recreio.&lt;br /&gt;O mundo está repleto de religiões cristãs que oferecem a hora do recreio com torcida organizada. De vez em quando importam um mágico para melhorar a recreação.&lt;br /&gt;Eu quero experimentar a hora do exame. A hora do auto-exame. Mente apaziguada com o silêncio de fora, esperando tranquilamente pela voz de dentro. Isso existe, não tenho como duvidar.&lt;br /&gt;E foi ai que o livro começou a ganhar contornos de realidade, para mim. Como não posso ir para a Índia, talvez devesse começar pelo chão do banheiro. Ou do quarto. To pensando por onde começar. &lt;br /&gt;Amar. Depois da Itália e da Índia, La Gilbert foi para a Indonésia, ainda pensando em evolução espiritual. Caprichosa, a moça! Na Indonésia, além de rezar, foi surpreendida por Deus com um presente do céu e só então, como resultado da busca diligente, veio a boa hora de amar.&lt;br /&gt;Isso também faz sentido: “Buscai primeiro o reino de Deus e a sua justiça e todas as demais coisas lhe serão acrescentadas.” Ou seja: quando se busca em primeiro lugar as coisas de Deus, o resto vem por acréscimo, como um presente. &lt;br /&gt;Na Indonésia, La Gilbert encontra o brasileiro Felipe, que além de brasileiro, tem cara de gente fina. Tem cara de filho da dona Terezinha que mora na esquina. Tem cara de professor de filosofia. Tem cara de quem gosta de criança. Tem cara de quem acredita em Deus. Tem cara de quem ama cachorro. Mesmo careca. Mesmo mais velho. Mesmo usando óculos de grau. Mesmo divorciado. Mesmo morando na Indonésia. Felipe ou José Lauro Nunes, para os íntimos, é daqueles raros homens que dá pra confiar de primeira, de segunda e de terceira, até completar a volta ao mundo, sem marcha a ré. E o melhor: parece ser de carne e osso. Imagine isso tudo perdido na Indonésia, falando português?!&lt;br /&gt;- Que sortuda! É o primeiro pensamento.&lt;br /&gt;O segundo é: - Deus está nesse negócio porque "toda boa dádiva e todo dom perfeito desce do alto, do Pai das luzes, em quem não há sombra e nem mudança de variação.”&lt;br /&gt;Tá bom. E agora? O que eu faço agora com uma história dessas que parece ter saído de um conto de fadas?&lt;br /&gt;Eu penso. Penso nela como pensam os bobos. Penso nela como pensam os crédulos. Penso nela como pensam os que têm fé. Essa é a parte bonita. Terminei o livro e ainda penso nele. No livro. Na história do livro. Na mensagem que ele encerra.&lt;br /&gt;A parte feia é: -penso com certa perplexidade mórbida. Afinal, tinha tudo para dar errado. E como deu certo, mamma mia?&lt;br /&gt;Eu não sei. O que sei é que não é todo dia que se abandona um marido dormindo na cama para ir rezar no banheiro. Ou num ashram na Índia. E Deus ouve!&lt;br /&gt;Não é todo dia que se pede despensa do trabalho para comer macarronada na Itália. Ou para fazer um curso de italiano porque essa é a língua mais melodiosa do mundo. E Deus aprova!&lt;br /&gt;Não é todo dia que se abandona o mundo conhecido do país em que nascemos para enfrentar o desconhecido, em outro país. Em outro estado. Em outra cidade. E Deus vai junto!&lt;br /&gt;Não é todo dia que se tem a coragem de sair por ai com uma mochila nas costas para conhecer outras culturas. E Deus abençoa!&lt;br /&gt;Não é todo dia que se pega carona com desconhecidos, em três países diferentes, e dá sorte de encontrar gente normal. Nenhum tarado, nenhum assassino, nenhum doido. E Deus protege!&lt;br /&gt;Não é todo dia que se viaja para outro continente afim de fazer um balanço da própria vida. Normalmente, a gente faz isso em casa mesmo. Na segurança do lar. Ao lado do homem que reparte a cama conosco. No colo da mãe. No peito do pai. Afagando o cachorro. Sendo afagada por ele. Ouvindo Roberto Carlos. Comendo miojo na panela. Tomando chá de canela na cozinha. Rezando antes de dormir sem poder especificar direito o que se quer. Amando os amores possíveis. Sonhando com os sonhos impossíveis. Sentindo culpa. Morrendo de medo. Pedindo perdão. Tentando ser melhor. &lt;br /&gt;Não é todo dia que a gente encontra uma mulher tão corajosa como La Gilbert. As heroínas mais comuns comem, rezam, e amam do jeito que dá, e em troca, a vida lhes concede a ração acostumada de cada dia, o amor sem convicção, um pai nosso e uma Ave Maria. E tá tudo combinado nas estrelas. &lt;br /&gt;Elizabeth Gilbert pode ter montado um teatro de ficção com o seu "Comer, Rezar, Amar," mas foi uma montagem perfeitamente crível. Uma narrativa incrivelmente bela. Dessas que de tão bem feitas, até duvidando a gente acredita. E morre de inveja.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7474716860534623333-4038551261877928170?l=abrahana.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://abrahana.blogspot.com/feeds/4038551261877928170/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7474716860534623333&amp;postID=4038551261877928170' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7474716860534623333/posts/default/4038551261877928170'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7474716860534623333/posts/default/4038551261877928170'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://abrahana.blogspot.com/2011/12/comer-rezar-amar-uma-analise-da-vida.html' title='Comer, rezar, amar - Uma análise da vida'/><author><name>Ana Maria Ribas</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02242985313797724173</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_PW89QoR8kx0/SPDNZE93ppI/AAAAAAAAAKU/1IWdqIaDcYA/S220/ATgAAAB-QugH-y_WkR5dczWxCwmgGIXkkVlFEWKweRruX_HzUzX7keQO0kfHxSkdpgtTwwwdKnOwPi1EdJv0z61Xv_LuAJtU9VByTd2HvBs6Ho32el-HAq738AB2xA.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/-Nezvxwj7rLU/Tt9LlOWnHRI/AAAAAAAAAjw/LPGGpdG5MVo/s72-c/La%2BGilbert.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7474716860534623333.post-5825414924656512693</id><published>2011-10-07T17:39:00.000-07:00</published><updated>2011-10-07T17:39:18.873-07:00</updated><title type='text'>Duas dúzias de mim</title><content type='html'>&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;Sempre que vou viajar, acontece-me algo muito estranho. Na véspera, terminando de arrumar as malas, quando&amp;nbsp;embalo as coisas para dormir, à espera da minha volta, o meu entusiasmo pela viagem diminui e dá lugar a um sentimento que se parece com um adeus definitivo.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;Viajar para mim é uma espécie de morte, a morte das coisas que ficam, a morte da paisagem que vejo da janela do meu quarto, a morte da rotina de cada dia, a morte dos meus hábitos, a morte dos meus animais, a morte das pequenas coisas com as quais preencho a vida e gasto o meu tempo. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;Antes mesmo de ir, já fui. Já fui quando me esvazio gradativamente das realidades que me preenchem e por já ter ido, antes mesmo de ir, a saudade bate forte no peito e a nostalgia me domina. Se há algo sobrenatural que sonho receber um dia, quando deixar este mundo é a capacidade de estar em vários lugares ao mesmo tempo, liberta da impossibilidade da matéria que me obriga à permanência em apenas um. Trata-se de um atributo tão imenso que sempre que o desejo peço perdão a Deus por esse querer absurdo que está acima da minha capacidade de comum mortal. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;Tenho pois essa digressão emocional que rouba a minha alegria às vésperas de uma viagem. Antes não. As semanas que antecedem a viagem trazem-me um presságio de esperança. Fico feliz quando me programo para uma viagem. A programação é motivo de celebração. Imagino-me lá e a imagem do lá enche-me de expectativa. Lá é que será bom. Lá haverá um jeito de olhar para o céu e ver só o sol, só as nuvens, só a grandeza de Deus. Lá, ao acordar, poderei usufruir da paz sem guerra. Lá, se eu não dormir, não lutarei contra a insônia, nem tentarei abduzir o sono, tão grande será o descanso de mim comigo. Além disso, há esse outro isso: agrada-me a idéia de usufruir de uma mobilidade fictícia – porque afinal, quem é livre?- mas a mim parece-me que sim, que sou livre e que posso ir e vir, embora naquele momento interesse-me mais o ir do que o vir. Na preparação de uma viagem, na idéia que apenas se insinua, bem à distância, sinto-me como devem sentir-se os passarinhos quando migram para outro continente. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;Porém, quando se aproxima o dia da partida, sinto saudades dos momentos de permanência acostumada. Também sinto que as coisas terão saudades de mim. As coisas. Coisas que latem, coisas que miam, coisas que andam pelo telhado e na calada da noite vêm buscar comida na minha sacada, coisas que voam e pedem alpiste, coisas que eu alimento e que me alimentam, coisas que me servem, coisas às quais eu sirvo, coisas que se movem e que não se movem, mas são feitas da mesma matéria com as quais Deus nos criou: os átomos. Será que os átomos sabem o que é saudade? Eu creio que sim. Eu creio que um chinelo velho jogado na lata do lixo sente saudades do pé que o transportou. Acho que é por isso que certas pessoas vão acumulando coisas e não conseguem desfazer-se de nada. Porque sentem o que o chinelo sente. Graças a Deus, eu dou o chinelo para outra pessoa antes que ele fique muito velho e ai o problema passa a ser de outra pessoa. Essa é a forma que encontrei para não me apegar a muitas coisas. Reciclo, redireciono, passo pra frente e procuro esquecer.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;Eu entendo perfeitamente pessoas que não gostam de mudanças. Eu acho que também não gosto. Pensando bem sou avessa a mudanças. Uma simples mudancinha de uma semana me deixa assim, toda melancólica. Mas nem por isso deixo de mudar. Eu entendo perfeitamente as pessoas que não gostam de viajar. Mas nem por isso deixo de viajar. Eu entendo perfeitamente que a vida é um exercício de desapego. Já comecei a fazer o dever de casa há alguns anos. Faço esse exercício de maneira suave, mas ininterrupta. Estou me desapegando de coisas que devem deixar de pertencer-me antes que eu mesma não me pertença mais. Tenho pavor de pensar em deixar para as minhas filhas uma porção de velharias cheirando a mofo, cujo valor seja apenas sentimental. Afinal, nenhum filho merece uma herança atávica feita de objetos que se perpetuaram na espécie familiar. Já comecei a sondagem: discretamente vou descobrindo o que deve ficar para quem, e o que não deve ficar para ninguém. Se a coisa mais difícil do mundo é encontrar um dono para as coisas que o defunto deixa no armário, tudo bem: tentarei fazer isso pelas minhas meninas antes de virar defunta. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;Porque eu também já fiz a coleta seletiva deixada pela minha avó, pelos meus pais, e pelo meu filho. Porque eu também já morri um pouco a cada vez que me desfiz daquilo que durante anos, ficou guardado no mesmo armário. Coisas. Coisinhas. Caixas. Caixinhas. Todas com a cara do dono, pedindo respeito e exigindo consideração. A consideração que se deve ter com os seres vivos e que, às vezes, não temos. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;Eu odeio todas as espécies de morte, todas as separações, todas as interrupções, todos os afastamentos, todas as ausências, todos os processos que nos obrigam a escolher entre este ou aquele, entre isso ou aquilo. Eu quero este e quero aquele, quero isso e quero aquilo. Cabe tudo dentro do meu coração. Mas que pena: não cabe dentro das convenções sociais, não cabe dentro do esquema doméstico, não cabe dentro do código civil, não cabe sequer nas leis da física. Uma pessoa é uma só, não pode ser duas. Uma pessoa é uma só, não se divide. Uma pessoa é uma só, mas juro que dentro de mim tem lugar para mais duas dúzias de mim.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7474716860534623333-5825414924656512693?l=abrahana.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://abrahana.blogspot.com/feeds/5825414924656512693/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7474716860534623333&amp;postID=5825414924656512693' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7474716860534623333/posts/default/5825414924656512693'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7474716860534623333/posts/default/5825414924656512693'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://abrahana.blogspot.com/2011/10/duas-duzias-de-mim.html' title='Duas dúzias de mim'/><author><name>Ana Maria Ribas</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02242985313797724173</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_PW89QoR8kx0/SPDNZE93ppI/AAAAAAAAAKU/1IWdqIaDcYA/S220/ATgAAAB-QugH-y_WkR5dczWxCwmgGIXkkVlFEWKweRruX_HzUzX7keQO0kfHxSkdpgtTwwwdKnOwPi1EdJv0z61Xv_LuAJtU9VByTd2HvBs6Ho32el-HAq738AB2xA.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7474716860534623333.post-8150998752396217143</id><published>2011-10-07T17:20:00.000-07:00</published><updated>2011-10-07T17:20:10.982-07:00</updated><title type='text'>Seres Moventes</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif; font-size: large;"&gt;Viracopos é um laboratório riquíssimo de observação antroposófica, uma estação onde se pode observar de perto o comportamento dos iguais diferentes. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif; font-size: large;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif; font-size: large;"&gt;Somos todos iguais diferentes, portadores de uma humanidade rasa que adora se mover. O homem é um ser inquieto, está sempre em movimento. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif; font-size: large;"&gt;Em direito civil há os chamados seres moventes. Obviamente ser movente é tudo o que se move, embora em direito civil seja um termo que se aplique apenas aos burros, cavalos e coisas tais que possuam 4 patas. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif; font-size: large;"&gt;Nisso somos todos iguais: poeirinha cósmica diluída no oceano da matéria sem raízes que nos imobilizem ao chão. Somos diferentes na singularidade com que escolhemos o nosso destino, no comportamento determinado pela cultura, pelo temperamento, pelas preferências estéticas, escolhas sutis que revelam a nossa individualidade através do jeito de falar, de andar, de vestir, de nos conduzir pela vida afora. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif; font-size: large;"&gt;Ou pelas plataformas de embarque adentro. Viracopos e todos os grandes aeroportos do mundo funcionam como uma vitrine que expõe todo tipo de seres moventes. A proximidade favorece a exposição. O fluxo estagnado determina a observação. Todo mundo sentadinho lado a lado, num salão apertado, com poucos banheiros, ou em fila indiana à espera de alguma coisa, todo mundo à mercê de regulamentos cuja lógica nos escapa, cuja segurança nada nos assegura, todo mundo com a disposição de alunos disciplinados e, ao mesmo tempo, displicentes, famintos, sedentos, fisiologicamente necessitados, alheios ao espetáculo que proporcionamos, uns aos outros, na interatividade forçada a que nos submetemos enquanto esperamos a hora de nos mover, porque seres moventes somos. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif; font-size: large;"&gt;Da última vez que me movi, entrei na fila dos famintos e dos fisiologicamente necessitados uma vez, e depois me sentei observando uma coisa nova que acontece em Viracopos: entre as poltronas da área de embarque foram dispostos alguns assentos de tamanho grande com os seguintes dizeres : “Reservado para pessoas obesas.” &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif; font-size: large;"&gt;Pessoas obesas existem em todos os lugares, de acordo com a observação comum. Mas uma coisa é observar os obesos e outra coisa é estar habitando um corpo obeso. Do ponto de vista das pessoas não obesas, é fácil determinar quem é obeso e é uma expressão de gentileza lhes destinar poltronas mais largas e confortáveis. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif; font-size: large;"&gt;Mas do ponto de vista das pessoas obesas, obeso é a mãe. Obeso é a mãe de todo aquele que ousar sugerir que o obeso seja obeso. Ocorre que o conceito de obesidade é algo subjetivo e só a OMS tem parâmetros científicos para determinar quem cruzou a linha da obesidade e quem está chegando lá. O resto fica no senso comum que varia segundo a interpretação sensorial de cada um e que, por isso mesmo, tende a ser cruel com o outro e complacente consigo. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif; font-size: large;"&gt;Por isso, embora o salão de embarque estivesse repleto de pessoas obesas, eu não vi nenhuma que assim se considerasse, e que estivesse disposta a ocupar os tronos sem cetro e sem majestade do rei Momo, instalados a cada fileira, porque seria pagar um mico muito grande fora do carnaval. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif; font-size: large;"&gt;Resultado da ação social: salão lotado, pessoas em pé, e todas as poltronas de gordo, vazias. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif; font-size: large;"&gt;Gordo é sempre o outro. Gordo é a senhora sua mãe. Gordo é a sogra. Gordo é o chefe. Gordo é o filho do patrão. Gorda é a perua da vizinha. Gordo é o filho da mãe que teve a infeliz idéia de escancarar que aquele assento foi pensado para os gordos.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif; font-size: large;"&gt;Se a ANAC está tão preocupada com o bem estar dos gordos, deveria obrigar a aviação civil a oferecer em seus aviões uma fileira de poltronas só para os gordos.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif; font-size: large;"&gt;Eu não sei se você já se moveu ao lado de um gordo. Eu já. Sobra banha e falta assento e aquilo que sobra, com certeza, acaba ultrapassando a tênue linha que divide as duas poltronas onde se concentram os respectivos traseiros dos seres que se movem. Não há nada a fazer. A não ser lamentar o azar e pedir a Deus que a aeronave chegue logo ao destino. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif; font-size: large;"&gt;Viracopos é assim: um circo onde qualquer um pode participar do espetáculo. Se você não quiser ser o artista pode ser espectador, pode ver, pode ouvir, pode racionalizar, pode se divertir, pode indignar-se, encorajar-se, pode fazer suposições, só não pode ausentar-ser. Não há como ausentar-se do recinto. Somos forçados a uma convivência pacífica de duração variável no campo de concentração em que os seres moventes ficam retidos como seres de 4 patas, até que a aeronave decole com aqueles que escolheram mover-se naquele dia e hora. Sim, porque o horário marcado com dias de antecedência é apenas para os seres moventes respeitarem. As empresas aéreas não o respeitam nunca. Contudo, temos que admitir: por conta da diversidade dos seres moventes, às vezes, essa maratona é divertida. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif; font-size: large;"&gt;Nessa ocasião, além de observar o comportamento dos gordos, também consolidei o aprendizado em relação aos seres moventes do sexo feminino que usam Viracopos como plataforma de lançamento. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif; font-size: large;"&gt;Foi assim: esse ser movente que vos escreve estava sentada ao lado de dois seres moventes do sexo masculino que, por suposição, eram amigos, mas também poderiam ser parentes. Inimigos não eram porque o papo rolava animado. Em Viracopos a gente supõe, mas nunca tem certeza. Para ter certeza seria preciso cometer uma indiscrição. Claro que nenhum ser movente, em perfeito estado de juízo e adequação social, sucumbe a essa curiosidade. Estávamos, pois, os três seres moventes nesse clima de dedução civilizada, lado a lado, como se estivéssemos sentados na sala de casa, cruzando e descruzando as respectivas patas. Ou melhor, as respectivas pernas. Estranhos e íntimos. Tão perto e tão longe. Tão impessoal e tão causal. Tão casual e tão formal. Impossível não observar o mundo pela mesma perspectiva, impossível não ouvir, impossível não entender, impossível não acompanhar o raciocínio dos seres moventes que estão colados a nós. A certa altura, a vontade é abandonar a postura impávido colosso, cantar o hino nacional sem essa estrofe, pedir licença, e intrometer-se no diálogo para oferecer a nossa modesta visão sobre o assunto. Qualquer assunto. Que de assunto a gente entende. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif; font-size: large;"&gt;Claro que não nos intrometemos. Mas claro que foi assim, nessa participação silenciosa e involuntária, que aconteceu o que acontece sempre em Viracopos: um ser movente do sexo feminino entrou no ângulo da visão coletiva. Mas esse não era um ser movente comum, era de arrastar quarteirão, só pelo prazer de admirar uma coisa diferente que se movia do nada para lugar algum. Na verdade, esse era um ser movente delivery que poderia ser despachado para qualquer lugar do Brasil e do exterior. Imagine um mulherão de hum metro e oitenta centímetros, fora o salto, apertada numa saia de 50 centímetros, pernão musculoso de jogador de futebol, rabo de cavalo tordilho, peito de chester, e bunda de passista de escola de samba, e você obterá a visão da garanhona que prendeu a atenção dos comuns mortais que, naquela noite, se moviam. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif; font-size: large;"&gt;Obviamente, os dois seres moventes que estavam ao meu lado também ficaram seduzidos pela aparição salomônica. Assombrados. Atordoados. Visivelmente embabascados. Após dois minutos de silêncio dedicados à babação explícita, o ser movente mais velho olhou para o ser movente mais novo, e fez a pergunta que não queria calar: - " Cara, o que você faria com um mulherão desse?” O ser movente mais novo apressou-se a esclarecer o que não faria: - “Deus me livre! Abraçar uma mulher dessa deve dar uma puta sensação de abraçar um homem.” Detalhe: o ser movente que fez a avaliação era pequeno, magro, franzino, desprovido de músculos, mas com muito cérebro. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif; font-size: large;"&gt;Ambos os seres moventes riram e este ser movente que vos escreve também riu. Mas riu por dentro. Porque em Viracopos o ser movente que está sozinho só pode rir por dentro. É terminantemente proibido rir por fora. Porque é assim que deve ser. Porque é assim que os seres moventes devem se comportar: heroicamente silenciosos, esfingicamente surdos, convenientemente mudos. Comporto-me então, mas depois venho aqui e conto tudo.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7474716860534623333-8150998752396217143?l=abrahana.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://abrahana.blogspot.com/feeds/8150998752396217143/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7474716860534623333&amp;postID=8150998752396217143' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7474716860534623333/posts/default/8150998752396217143'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7474716860534623333/posts/default/8150998752396217143'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://abrahana.blogspot.com/2011/10/seres-moventes.html' title='Seres Moventes'/><author><name>Ana Maria Ribas</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02242985313797724173</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_PW89QoR8kx0/SPDNZE93ppI/AAAAAAAAAKU/1IWdqIaDcYA/S220/ATgAAAB-QugH-y_WkR5dczWxCwmgGIXkkVlFEWKweRruX_HzUzX7keQO0kfHxSkdpgtTwwwdKnOwPi1EdJv0z61Xv_LuAJtU9VByTd2HvBs6Ho32el-HAq738AB2xA.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7474716860534623333.post-7066666195847574532</id><published>2011-03-27T05:25:00.000-07:00</published><updated>2011-10-07T17:30:10.500-07:00</updated><title type='text'>A fila nossa de cada dia</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-Gkjz97XDDqw/TY8ukawiYuI/AAAAAAAAAOM/grlbTKl9YDc/s1600/Fila.bmp"&gt;&lt;img alt="" border="0" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5588736865783145186" src="http://1.bp.blogspot.com/-Gkjz97XDDqw/TY8ukawiYuI/AAAAAAAAAOM/grlbTKl9YDc/s320/Fila.bmp" style="cursor: hand; float: left; height: 183px; margin: 0px 10px 10px 0px; width: 275px;" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif; font-size: large;"&gt;Nem é tão ruim quanto parece. Às vezes, a gente exagera nos medos, nas superstições, nas imagens pré concebidas e fica odiando aquele momento de uma ameaça tão grave como nos parece o direito de freqüentar a fila das pessoas com mais de 60 anos. Nem é tão grave assim. O problema é que acontece de repente. Precisaríamos de mais tempo do que uma noite para nos acostumarmos com a idéia. Em um dia, não se pode entrar na fila curtinha, tem que encarar a fila grandona. A fila dos ocupados. A fila dos apressados. A fila dos que precisam correr muito para vencer as obrigações. No outro dia, logo no outro dia, pronto: acaba de ser instaurado um novo tempo e você pode sim fazer parte daquele pequeno grupo de pessoas que, a despeito do privilégio, adora uma fila. Todo aposentado adora uma fila! Não se pensou nisso quando se instituiu a lei que estabelece essa gentileza. Não se pensou que aposentado tem tempo para tudo, até para a fila. Não se pensou que depois da fila, o aposentado vai para casa e não tem mais nada para fazer até a próxima fila. Não se previu que quem precisa executar serviços com agilidade é exatamente o trabalhador que tem compromisso com horário, que bate o ponto, que se divide entre estudar, produzir, trabalhar, e outras coisinhas mais embutidas pelo meio. Não é o caso dos aposentados. Aposentado é aquele sujeito que se diverte na fila, que faz amizades na fila, que conversa na fila, que troca gentilezas na fila, que paquera na fila, que fala mal do governo na fila, que acha uma babaquice esse negócio de ter fila especial porque ele, na verdade, tem saúde, tem energia, tem disposição e - principalmente - não tem mais nada para fazer naquele dia comprido que começa animado numa fila. É certo que há filas e filas. Há filas toleráveis e há filas execráveis. Fila de banco é a preferida porque tem ar condicionado e tem cadeiras para sentar. Mas o aposentado não senta. Quem gostaria de sentar – e não pode- é o trabalhador que está caindo pelas tabelas de cansaço. A noite foi curta, o filho chorou, a mulher teve cólica menstrual, o fantasma do desemprego assombrou, o limite da conta extrapolou todas as medidas, e o coitado, além de não dormir, ainda teve que acordar pontualmente no mesmo horário, enquanto o aposentado ainda dormia. Enquanto a fila nem existia. Isso me parece uma tremenda injustiça. Isso me parece um atentado contra o bom senso. Isso me parece um legalismo sem precedentes na história da humanidade. Vamos combinar uma coisa: ninguém merece uma fila. E o trabalhador, menos ainda, porque o tempo dele é muitíssimo mais curto do que o tempo daquele que não trabalha mais. A partir dessa premissa, todo estabelecimento deveria ter competência para evitar filas. Enquanto isso não acontece, a exceção para filas especiais deveria existir para as pessoas fisicamente incapacitadas, fossem elas velhas ou não tão velhas. Mas há filas e filas, em todos os lugares. Cada uma delas tem uma característica própria que lhe confere um adjetivo especial. Fila no caixa do supermercado é desagradabilíssima. Fila do SUS ninguém merece. Fila para qualquer tipo de diversão é uma tremenda heresia, afinal o cidadão saiu para espairecer e não para cumprir uma obrigação. Fila em restaurante para um prato de comida é uma humilhação. Fila para usar o banheiro é uma temerosidade. O sujeito agüenta até onde agüenta, e no vigésimo passinho para a frente pode começar a anunciar ao seu nariz que não está agüentando mais. Essas coisas acontecem até nas melhores famílias. Eu me lembro de que, no curso primário, um colega pediu ao professor para usar o banheiro. Naquele tempo, o professor precisava autorizar para que o aluno pudesse usar o banheiro. O idiota do professor não autorizou, o burro do aluno obedeceu, e minutos depois, a sala toda rescendia a lírios do campo. Todos nós esperávamos ansiosamente por aquele momento, o momento em que um professor idiota seria ridicularizado por um aluno burro. Todos nós, crianças, sabíamos que o negócio ia acabar aonde acabou. Menos o professor que era a autoridade máxima. Aliás, as autoridades máximas não são muito eficientes para atender as necessidades do povo. Eu também me lembro, bem mais recentemente, de uma fila para um banheiro improvisado, que vi na televisão, durante o carnaval. A fila era imensa e o repórter -esse ser que não deve ter necessidade nenhuma, de coisa alguma, em tempo algum- ficava esperando para flagrar o sujeito que fazia xixi no poste. Achei uma tremenda injustiça. Afinal, se as autoridades não disponibilizam banheiro em numero suficiente, o cidadão que necessita de um xixi não pode ser responsabilizado por quebrar o protocolo. No aeroporto de Viracopos, em Campinas, há apenas dois banheiros femininos na sala de embarque. Um é para portadoras de necessidades especiais e o outro é para portadoras de necessidades físicas. Afinal para que você iria ao banheiro se não fosse por necessidade física? E ai, em Viracopos, acontece uma coisa estranha: o banheiro das mulheres com necessidades especiais, com portas maiores para cadeirantes, fica vazio porque graças a Deus estatisticamente há poucas mulheres nessa condição. Em compensação, o banheiro das pessoas com necessidades físicas – todas as demais- fica o tempo todo congestionado e a fila avança para o meio do salão numa solene demonstração de burrice mansa e coletiva. Como é possível que, tendo apenas dois banheiros, um deles possa ficar obsoleto por falta de clientela? Da ultima vez que estive na fila, foi me dando um nervoso tão grande, e uma urgência de igual tamanho, que tive que tomar uma atitude. Fiz um arranjo que me pareceu justo: encaminhei as mães com crianças, e as senhoras idosas – entre as quais me inclui- para o banheiro das pessoas com necessidades especiais e só isso já foi o suficiente para aliviar o congestionamento do tráfego, do intestino, e da bexiga. Esvaziou-se tudo ao mesmo tempo. Via de regra, o brasileiro que faz xixi é de uma passividade que me irrita. O brasileiro que viaja é de uma inércia que me consome. O brasileiro que se submete mansamente a todo tipo de arranjo que tenha a tarja de socialmente correto não tem capacidade para discernir um comportamento de manada. O efeito manada é assim: onde passa uma boiada, passa o boi. Todos os bois juntos fazem a boiada, mas aquele boi que fica sozinho tem mais chance de escapar do corredor que leva todos para o abate. É só uma questão de inteligência. Onde há consenso quase sempre há burrice. A fila das pessoas com necessidades especiais nem é tão ruim quanto parece e, convenhamos, tem mordomia. No começo você fica um tanto quanto embaraçado, mas depois acostuma. Acostuma-se rapidamente com tudo o que é bom. E acostuma-se tanto que podemos até gostar. Afinal, se a carteira de identidade nos concede esse privilégio por que não usá-lo? Se preciso responder, respondo. Por um único motivo: nem tudo o que é socialmente correto é moralmente aceitável ou possível de ser seguido à risca. Desconfiar dos privilégios pessoais e individuais, assim como desconfiamos dos privilégios de classes é demonstração de civilidade e bom senso. Essa é a parte bonita da história. Mas seria hipocrisia não destacar o oposto: o exercício da transgressão, sempre que a regra contraria a lógica, é uma qualidade dos seres inteligentes. E dos necessitados. Ambos merecem se não o aplauso, pelo menos, a tolerância. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7474716860534623333-7066666195847574532?l=abrahana.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://abrahana.blogspot.com/feeds/7066666195847574532/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7474716860534623333&amp;postID=7066666195847574532' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7474716860534623333/posts/default/7066666195847574532'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7474716860534623333/posts/default/7066666195847574532'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://abrahana.blogspot.com/2011/03/fila-nossa-de-cada-dia.html' title='A fila nossa de cada dia'/><author><name>Ana Maria Ribas</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02242985313797724173</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_PW89QoR8kx0/SPDNZE93ppI/AAAAAAAAAKU/1IWdqIaDcYA/S220/ATgAAAB-QugH-y_WkR5dczWxCwmgGIXkkVlFEWKweRruX_HzUzX7keQO0kfHxSkdpgtTwwwdKnOwPi1EdJv0z61Xv_LuAJtU9VByTd2HvBs6Ho32el-HAq738AB2xA.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/-Gkjz97XDDqw/TY8ukawiYuI/AAAAAAAAAOM/grlbTKl9YDc/s72-c/Fila.bmp' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7474716860534623333.post-3368948488066427270</id><published>2010-11-04T03:24:00.000-07:00</published><updated>2010-11-04T03:27:40.301-07:00</updated><title type='text'>Sogro rico e porco gordo</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;A vida pode nos ensinar muitas coisas. Mas a vida sozinha ensina apenas o cumprimento de um ritual diário que passamos a executar de maneira quase automática. Para assimilar novos conceitos precisamos ter espírito investigativo e capacidade de observação. Olho clínico. Se aliado a esse entendimento houver um acréscimo emocional e espiritual, ganhamos sabedoria e isso é uma das aquisições que fazem uma vida comprida valer a pena. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Contudo, esse tipo de aquisição custa-nos alguma coisa. E esse custo nos isenta de uma vida leve. Ninguém que tenha adquirido sabedoria vive para si, ou se alegra somente com as suas alegrias, ou se entristece somente com as suas tristezas, mas aquele que adquiriu sabedoria olha para o conjunto da criação de Deus, seja o homem, os animais ou o cosmos, e se percebe como parte integrante de um todo. Essa percepção faz dele um ser em permanente estado de perplexidade. Não há mais como ser feliz de maneira egoística e nem há como ser infeliz de maneira isolada. Seja na alegria ou na tristeza, o homem que adquiriu sabedoria reparte com o mundo os seus sentimentos, e o seu ganho intelectual, e ambos se refletem numa vida de fraternidade universal e cósmica. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Contudo o grosso da humanidade vive como se os desmandos do mundo não a atingissem. Há uma alienação generalizada que dissemina a indiferença. Não existe uma identificação com a espécie. Até os bichos, em certa medida são mais fraternos. Tenho observado o comportamento dos animais e há um traço comum entre eles: quando bem alimentados, quando não há uma demanda própria da cadeia alimentar, os animais apresentam civilidade e até demonstram afetividade com os da mesma espécie. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;O homem não. O homem pode estar alimentado, pode ter tudo quanto necessita,  que ainda assim a compulsão pelo acúmulo de bens falará mais alto. O homem tem dificuldade para repartir as suas posses até com a própria prole.  Alguns condenam os filhos a uma vida financeira medíocre, sob a alegação de que  não morreram para distribuir a herança e se esquecem de que, por esse raciocínio torto, a própria morte pode significar um bilhete premiado para a sua descendência. Dessa maneira, não há amor filial que resista a um cálculo matemático na beira do caixão. E quem pensar o contrário estará sendo ingênuo. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Imagine uma pessoa cujo pai tenha muito dinheiro. Imagine que essa pessoa tenha uma vida de privações: o que recebe por mês mal dá para viver. No final do mês,  sobram dias e falta dinheiro. Imagine quantos sonhos de consumo vão-se acumulando sem a menor possibilidade de realização. Um dia- e esse dia fatalmente chega - o pai milionário morre, e o filho pobre está a um passo de botar a mão na dinheirama toda.  Por mais que  ame o pai, e sofra pela separação da morte, a compensação financeira que receberá com o espólio do falecido, modulará essa dor.  Para baixo. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Não tem jeito. O homem é carne e a carne, quando tentada, não fica totalmente isenta do pecado. Um pecado chama outro pecado, assim como um abismo chama outro abismo.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Não por acaso, há um ditado popular que diz assim: “ sogro rico e porco gordo só dá lucro quando morre.” Ora, todo sogro tem uma relação dupla com o casal que se forma: por um lado, é sogro, por outro é pai. E se o genro só vai ter lucro quando o sogro morrer, consequentemente, a filha, e os netos, também só lucrarão quando o pai e o avô partir desta para melhor.  Bingo. Com a morte do sogro rico, o genro pobre terá muita dificuldade para disfarçar a alegria, e a filha pobre, e os netos pobres, terão  muita dificuldade para se concentrarem na tristeza. Entre uma lágrima e outra, o barulhinho do vil metal vai tilintar no pensamento. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Não dá nem para censurar a família.   Esse tipo de pai e avô faz por merecer esse tipo de sentimento. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Não há justificativa de ordem emocional que avalize esse comportamento egoísta. A vida é curta para todos. Privar um filho de viver melhor, privar um neto de ter uma boa casa, privar uma família de ter um bom carro, e uma renda mensal compatível com as necessidades básicas,  condená-los a viver de maneira resumida até que morra, sob a alegação de que ainda não morreu,   é desumano e cruel, além de ser irracional. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Quem distribui felicidade depois da morte, se priva de compartilhar alegria em vida. Isso é burrice. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt; Infelizmente, esse comportamento de asno acontece com muita freqüência na espécie humana. A espécie humana é a única que submete os filhos a uma degradação chamada espólio. Espólio do falecido. Olha que tarja interessante!  O nome bonito do espólio é herança. O nome feio é despojo, resto. O resto do Falecido.  Quando um pai morre sem prover para o futuro dos filhos, o que ele deixa no final da caminhada, é uma guerra que culmina com a distribuição do despojo, do resto. Não raro, os irmãos acabam estremecidos ao final do processo. A avidez há tanto reprimida eclode, como urubu na carniça, bem na hora em que a família deveria estar unida para celebrar a dor da separação.  O pai nem esfriou no caixão e os filhos já se movem em direção à posse do despojo. Não raro, os advogados ficam com uma boa parte daquilo que foi amealhado. Nas grandes fortunas, o que se gasta com advogados, daria muito bem para ser empregado melhorando a vida dos filhos décadas antes do falecimento. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;A espécie humana é muito burra. Hoje estou escrevendo para os burros e para os não tão burros. Que me perdoem os sábios.  Quem tiver orelhas, que abaixe as orelhas. Quem tiver ouvidos, que ouça. Se o mundo é um pasto e nós somos animais, espera-se, pelo menos,  que sejamos racionais.&lt;br /&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7474716860534623333-3368948488066427270?l=abrahana.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://abrahana.blogspot.com/feeds/3368948488066427270/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7474716860534623333&amp;postID=3368948488066427270' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7474716860534623333/posts/default/3368948488066427270'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7474716860534623333/posts/default/3368948488066427270'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://abrahana.blogspot.com/2010/11/sogro-rico-e-porco-gordo.html' title='Sogro rico e porco gordo'/><author><name>Ana Maria Ribas</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02242985313797724173</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_PW89QoR8kx0/SPDNZE93ppI/AAAAAAAAAKU/1IWdqIaDcYA/S220/ATgAAAB-QugH-y_WkR5dczWxCwmgGIXkkVlFEWKweRruX_HzUzX7keQO0kfHxSkdpgtTwwwdKnOwPi1EdJv0z61Xv_LuAJtU9VByTd2HvBs6Ho32el-HAq738AB2xA.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7474716860534623333.post-658633308760776189</id><published>2010-08-03T12:13:00.000-07:00</published><updated>2010-08-03T12:16:30.040-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;                &lt;span style="font-size:130%;"&gt;                   De onze em onze.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Viajar pelo sul e sudeste do Brasil  tornou-se  um exercício matemático para todos os viajantes que  administram o seu dinheiro com responsabilidade. Antes de tudo você precisa decidir se vai de carro, de ônibus, ou de avião. A primeira consulta começa sempre pelos sites das empresas aéreas que, de vez em quando, dão um refresco e oferecem tarifas realmente promocionais. Como não é todo dia que isso acontece, o mais comum é  continuar pesquisando nas empresas de ônibus. Se quiser conforto, esqueça o ônibus. Uma viagem de leito custa sempre o dobro da poltrona convencional. Sem chance. Sobra mesmo o velho e prático carro da família. Mas em termos de economia,  é bom não se animar muito,  se essa for a escolha. No Paraná pós Jaime Lerner, por exemplo, o número de pedágios que assolam as nossas rodovias parecem as pragas do Egito. Assim que você se livra de uma, já aparece a outra. Ou o outro. Entre Ponta Grossa e Curitiba, há pedágios que estão localizados a incríveis 20 km um do outro.  Tudo bem. Você paga e sobrevive. Aí, começa a procura por um hotel de conceito econômico. Existem dois tipos de hotéis econômicos no Brasil. Existem aqueles que eram considerados 4 estrelas mas o insucesso financeiro e a falta de investimentos fez deles um produto em fase final de vida.  Deteriorados, sucateados, esses hotéis parecem um depósito de ácaros e de velharias. Carpete vermelho e latão cromado são os itens mais luxuosos da decoração. Quem quer se hospedar num lugar assim? A alternativa são os hotéis das grandes redes hoteleiras internacionais que aportaram por aqui para suprir a lacuna que havia no segmento hoteleiro. Esses hotéis diferentemente dos primeiros, foram planejados para ser 3 estrelas e oferecer um estilo mais enxuto de hospedagem sem  descuidar do conforto e da modernidade. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Só descuidam de uma coisa: da tarifa. O hotel econômico que foi pensado para atender um viajante que faz conta, mas quer conforto,  acaba tornando-se muito caro quando se contabilizam os opcionais que ele oferece. O problema é que se considera opcional o que é fundamental. Café da manhã e garagem são itens opcionais.  Mas como renunciar ao café da manhã quando ele é a refeição mais importante do dia? E como deixar o carro dormir na rua e correr o risco de acordar com ele só na lembrança? Não dá, né?&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Semana passada nos hospedamos em Curitiba, num hotel Ibis da Rede Accor. Valor da diária: 110 reais. Valor do café da manhã: 11 reais. Valor da taxa de estacionamento: 11 reais. Total da diária para duas pessoas e 01 carro: 143 reais. Sem contar a taxa de ISS que eleva o total para incríveis 157 reais. Muito caro para um hotel de categoria econômica.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Fiquei pensando como enxugar essa quantia e descobri que  se eu acordasse entre 4,30 e 6 horas da manhã, - horário em que acordo mesmo - poderia tomar o café madrugador que custa 5 reais e 50 centavos.  Uma economia de 50% é uma economia considerável.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; O café madrugador acompanha o conceito de um hotel desprovido de luxo  e tem tudo o que o brasileiro comum costuma ter em sua mesa, no café da manhã.  Bom, estou falando do brasileiro comum. Mas nem todos são comuns. Tem gente que come mortadela em casa, mas no hotel arrota presunto.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; Enquanto tomava o meu café econômico madrugador, num imenso salão vazio de madrugadores, apareceu um casal. Vestindo trajes sociais,  pareciam estar voltando de alguma festa. Ele de terno, ela de vestido longo.  O fim de festa oferece sempre uma pálida miragem da produção do dia anterior. Estavam ambos destruídos, precisando urgente de uma boa manhã de sono.  A mulher olhou para o buffet do café madrugador, sem nenhum entusiasmo. Parecia um ser muito exigente.  O homem ainda arriscou perguntar: - “Não tá bom?” Ela respondeu: - “Não, prefiro esperar o café completo. Faltam outros tipos de frutas e croissant.”&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Croissant para quem não sabe é o primo rico do pão francês.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;  No saguão do hotel, sentaram e esperaram. Meia hora depois, as portas se abriram para o café com croissant que o paladar requintado da madame exigia.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Conclusão:  Tem homem que parece ter nascido num cacho. De banana. E tem mulher que tem cabeça só para carregar chapéu. E tem hotel que é fixado no número 11. No elevador estava escrito assim: “Festival de Sopa. Mais de 20 sabores. Preço por porção individual: 11 reais.”&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Por que onze e não dez, ou quinze? Sabe- se lá porque. Mas  de onze em onze, o brasileiro fica pobre e nem desconfia. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7474716860534623333-658633308760776189?l=abrahana.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://abrahana.blogspot.com/feeds/658633308760776189/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7474716860534623333&amp;postID=658633308760776189' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7474716860534623333/posts/default/658633308760776189'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7474716860534623333/posts/default/658633308760776189'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://abrahana.blogspot.com/2010/08/de-onze-em-onze_03.html' title=''/><author><name>Ana Maria Ribas</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02242985313797724173</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_PW89QoR8kx0/SPDNZE93ppI/AAAAAAAAAKU/1IWdqIaDcYA/S220/ATgAAAB-QugH-y_WkR5dczWxCwmgGIXkkVlFEWKweRruX_HzUzX7keQO0kfHxSkdpgtTwwwdKnOwPi1EdJv0z61Xv_LuAJtU9VByTd2HvBs6Ho32el-HAq738AB2xA.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7474716860534623333.post-6421822735077396280</id><published>2010-07-27T04:09:00.000-07:00</published><updated>2010-07-27T04:11:22.762-07:00</updated><title type='text'>A Argentina coloriu.</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Cristina Kirchner fez a Argentina sair na frente ao aprovar a lei que permite o casamento entre pessoas do mesmo sexo. No Brasil de Lula ou de Dilma, deve ocorrer em breve. Só quero ver quando e como vai acontecer na Bolívia de Evo Morales e na Venezuela de Hugo Chavéz. Afinal o bloco de países sul americanos  sempre caminha no mesmo compasso. Até parece que o ritmo da carruagem é determinado por um só cocheiro. Mas enquanto isso não acontece vamos conjecturar sobre o tema polêmico.&lt;br /&gt;Em primeiro lugar, eu fico  pensando que nenhum legislador deveria ser burro a ponto de fazer uma lei que fosse desnecessária.  As leis são feitas para atender uma demanda legal  e são cumpridas não apenas por força coercitiva mas pela eficácia dos seus objetivos. Ora, quando um estado decide aprovar a lei que permite o casamento entre pessoas do mesmo sexo, o faz porque existem pessoas do mesmo sexo que querem casar-se entre si. Caso contrário, não seria necessária a criação da lei. Impedir que tal fato se legalize, como tentaram fazer os religiosos da Argentina, é querer tapar o sol com a peneira. Não se pode ter uma visão tão pequena a respeito de qualquer assunto apenas porque esse assunto contraria a nossa concepção de mundo.&lt;br /&gt;Penso que essa lei tem a tendência de  ser aprovada em todos os países porque afinal de contas, no mundo todo existem pessoas que decidiram optar sexualmente por pessoas do mesmo sexo. É um direito que lhes assiste. O estado não pode fazer ingerências sobre a sexualidade dos seus cidadãos e tem por obrigação zelar pelo cumprimento da lei máxima constitucional que determina que todas as pessoas são iguais perante a lei. Ora, entre essas pessoas, existem aquelas que são homossexuais. É dever do estado zelar pelos direitos desses também.&lt;br /&gt;Essa lei, pois, já chega tarde. E chega para corrigir uma injustiça que tem sido cometida com todos aqueles que decidiram fazer uma opção sexual diferente da maioria. Não nos cabe aplicar aqui nenhum julgamento moral. O que acontece é que algumas pessoas aplicam um julgamento moral em situações nas quais só compete um direito constitucional. Toda a questão se resume nisso. O que os governantes devem fazer é tão somente reconhecer que todas as pessoas são iguais perante a lei e isso inclui o direito de casar, o direito de compartilhar, o direito de adotar, o direito de dividir um patrimônio, o direito de herança e o direito de  ter assegurado esses direitos a despeito da opção sexual. Cabe ao Estado agilizar esse estado de direito e acabar logo com essa onipotência medieval que fere a lei como um todo. Chega a ser hilário que as pessoas queiram impedir que aconteça, de fato e de direito, o que já existe na prática desde que o mundo é mundo. O direito e a religião caminham em avenidas paralelas e estanques. Não dá para aplicar o mesmo ponto de vista em situações nas quais cabe apenas um cumprimento legal.&lt;br /&gt;Em 1965, no Brasil de Castelo Branco, foi sancionada uma lei, em torno do Código Florestal, a qual determinava que todos os pequenos proprietários estavam obrigados a preservar um percentual de suas propriedades, mantendo uma reserva florestal. Como era de se esperar, os pequenos proprietários, que dispunham de poucos hectares,  nunca cumpriram essa lei a ponto de se dizer que essa legislação tornou todos os brasileiros que comem arroz cúmplices de um crime ambiental, já que quase toda a produção desse grão foi semeada em reserva legal.&lt;br /&gt;O que eu quero dizer com isso? Que a lei sancionada no Brasil em 1965, era uma lei que não feria nenhum princípio religioso, mas feria a necessidade básica de comer que todo brasileiro tem. Fica muito bonitinho manter uma reserva legal em todas as propriedades, desde que a nossa barriga esteja cheia de comida e não tenhamos fome. O pequeno proprietário viu que isso era impossível, foi lá, burlou a lei e plantou arroz. O brasileiro comeu, encheu o bucho,  agradeceu e esqueceu. As autoridades assinaram a lei e deixaram para lá a fiscalização do seu cumprimento.  E ficou tudo certo.&lt;br /&gt;Aqui está o exemplo de uma lei que foi feita para ser esquecida. Do ponto de vista moral era corretíssima. Do ponto de vista material era escandalosa. Por isso não foi cumprida.&lt;br /&gt;Na Argentina de Cristina Kirchner, uma lei foi aprovada pelo Congresso. Ela fere princípios religiosos, contraria dogmas estabelecidos, faz o povo da santa inquisição  revirar na sepultura,   mas atende ás necessidades que determinadas pessoas têm. Ocorre que, por este tempo, existem homossexuais na República Argentina. Se algum dia não houver, a lei cairá em desuso. Mas enquanto houver, ela se faz necessária.&lt;br /&gt;É simples assim: as leis são feitas para atender demandas e são cumpridas quando o legislador entende que o espírito da lei repara uma lacuna e preenche um espaço legal. É o tempo que confere credibilidade a uma lei. O tempo, pois, dirá. Se houver homossexuais na república brasileira, essa  mesma lei será sancionada aqui e durará enquanto houver necessidade. Se houver homossexuais na república venezuelana, essa lei será sancionada lá e permanecerá até que a sua prática se torne obsoleta.&lt;br /&gt;Desculpem, mas não posso deixar de confessar: eu quero muito ver Hugo Chavéz diante das câmeras de TV, assinando essa lei. Nem me perguntem por quê.&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7474716860534623333-6421822735077396280?l=abrahana.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://abrahana.blogspot.com/feeds/6421822735077396280/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7474716860534623333&amp;postID=6421822735077396280' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7474716860534623333/posts/default/6421822735077396280'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7474716860534623333/posts/default/6421822735077396280'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://abrahana.blogspot.com/2010/07/argentina-coloriu.html' title='A Argentina coloriu.'/><author><name>Ana Maria Ribas</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02242985313797724173</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_PW89QoR8kx0/SPDNZE93ppI/AAAAAAAAAKU/1IWdqIaDcYA/S220/ATgAAAB-QugH-y_WkR5dczWxCwmgGIXkkVlFEWKweRruX_HzUzX7keQO0kfHxSkdpgtTwwwdKnOwPi1EdJv0z61Xv_LuAJtU9VByTd2HvBs6Ho32el-HAq738AB2xA.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7474716860534623333.post-4953164133816657400</id><published>2009-06-24T19:35:00.000-07:00</published><updated>2009-06-24T19:41:23.300-07:00</updated><title type='text'>A mosca do Barack Obama</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:130%;"&gt;Barack Obama matou uma mosca durante uma entrevista à CNBC na Casa Branca. O assunto foi muito comentado pela mídia nacional e internacional que destacou a agilidade, a coragem e a pontaria perfeita do presidente americano na ação de aniquilar o pobre mosquito que ousou atravessar o seu caminho. O mundo soube e reagiu com espanto: questionou-se principalmente qual o motivo pelo qual o assunto foi tão amplamente divulgado. Em todo o planeta Terra soube-se que Obama matou uma mosca. Entre os comuns mortais as mais diversas reações foram registradas: houve quem encontrasse no fato motivos para admirar o presidente. A grande maioria inteligente optou por ridicularizar os canais de comunicação que deram manchete a um assunto de tão pequena importância. Uma pessoa entre tantas que defendem e amam os animais ousou protestar e registrar formalmente o seu protesto. Foi Bruce Friedrich, o porta voz do grupo PETA de defesa dos direitos dos animais, que declarou o seguinte: “apoiamos a compaixão mesmo em relação aos mais pequenos, estranhos e desagradáveis animais. Cremos que as pessoas, sempre que possam ter compaixão, devem ter, pelos animais.” Com tais palavras o grupo se manifestou formalmente pedindo a Barack Obama que tivesse uma atitude mais humana, da próxima vez que uma mosca se intrometesse no seu caminho.&lt;br /&gt;Durma-se com um barulho desses! Eu que sou defensora dos animais, fiquei muito pensativa com o rumor que se instalou dentro de mim. Não que eu seja muito diferente dos “petas”. Não sou. A minha compaixão pelos animais chega ao cúmulo de salvar do afogamento toda e qualquer formiga que queira compartilhar o banho de chuveiro comigo sem o uso de bóia. Faço tudo o que posso para evitar que a formiga banhista morra afogada. Mas mato barata. Com muita pena do animal, porque sei que tudo o que vive quer viver, corro atrás da barata com um chinelo na mão e se eu levo a melhor, nessa luta de vida ou morte, sei que estou higienizando o planeta. Se ela leva a melhor, também não fico triste porque não gosto de matar nada que tenha vida, mesmo que não seja vida inteligente. Sempre fiz assim e achava que estava tudo bem até Barack Obama inventar de matar uma mosca na frente das câmeras de televisão. A atitude do grupo PETA me deixou embabascada. E agora? Como farei quando uma barata atravessar o meu caminho? Exerço compaixão e deixo que elas se proliferem no meu ninho? E quando os ratos souberem que no meu território existe asilo para todos os roedores da mesma espécie? Também terei que deixar? E se um daqueles roedores estiver infestado com o vírus da leptospirose? São questões a considerar. Que eu considero sabendo que nessa luta só há perdedores.&lt;br /&gt;Na semana passada uma andorinha invadiu a minha varanda e pousou delicadamente no peitoral da sacada. Era uma tarde fria de domingo e a natureza estava triste. A andorinha parecia doente. Esboçou apenas uma leve reação quando a tomei nas mãos. Suas penas estavam se desprendendo do corpo com muita facilidade. Não tinha marcas visíveis de agressão. Sua doença era interna. Seus olhos miúdos se fechavam quando eu a aconchegava contra o peito. Ela toda pedia compaixão e não me neguei a exercê-la. Tremia muito pela temperatura baixa do ambiente e do próprio corpo. Eu a envolvi num pano e a coloquei dentro de uma caixa de sapatos. Mais tarde, depois que os meus gatos estavam presos, a levei para dentro de casa, a fim de evitar que o frio da madrugada a fizesse entrar em hipotermia. Fiz tudo o que pude mas não podia fazer muito. De manhã cedo, ela estava morta. Morreu sem dar um pio. Simplesmente encolheu o corpinho frágil e esperou silenciosamente a chegada da morte, com a coragem passiva dos seres que são mortais. Pensei que quando morrer, quero morrer como aquela andorinha: sem oferecer resistência. A morte é um processo natural na vida. Precisamos aprender a morrer. Eu só não sei quando vou aprender a matar aceitando que está tudo bem. Não está tudo bem. Eu mato, mas sei que tudo o que vive quer viver.&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7474716860534623333-4953164133816657400?l=abrahana.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://abrahana.blogspot.com/feeds/4953164133816657400/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7474716860534623333&amp;postID=4953164133816657400' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7474716860534623333/posts/default/4953164133816657400'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7474716860534623333/posts/default/4953164133816657400'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://abrahana.blogspot.com/2009/06/mosca-do-barack-obama.html' title='A mosca do Barack Obama'/><author><name>Ana Maria Ribas</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02242985313797724173</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_PW89QoR8kx0/SPDNZE93ppI/AAAAAAAAAKU/1IWdqIaDcYA/S220/ATgAAAB-QugH-y_WkR5dczWxCwmgGIXkkVlFEWKweRruX_HzUzX7keQO0kfHxSkdpgtTwwwdKnOwPi1EdJv0z61Xv_LuAJtU9VByTd2HvBs6Ho32el-HAq738AB2xA.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7474716860534623333.post-7034906777903998535</id><published>2009-05-21T10:40:00.000-07:00</published><updated>2009-05-21T10:42:19.497-07:00</updated><title type='text'>Coisas que perderam o valor mas não a utilidade</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Existem coisas que perdem o valor mas não a utilidade. São resquícios de um mundo em constante mutação. Nem percebemos que o mundo muda, e que, certas mudanças afrontam a nossa inteligência: como éramos tão resumidos? e tão crédulos? e tão conformados? e tão provincianos? e tão primitivos? e tão desprovidos de exigências? e tão passivos?  e tão telúricos? Essa última palavra nem cabe na resumição mas ficou linda, você não acha? Pode usar nos seus próximos textos. É minha desde a juventude,  mas eu empresto para você. De preferência cite a fonte.Éramos resumidos, crédulos, primitivos, provincianos, passivos, desprovidos de exigências,  conformados e telúricos  mas não vou voltar tão lá no passado, na era das cavernas, a ponto de cair na  armadilha da teoria da evolução das espécies. Nada que passe pelo binômio homem x macaco. Deus me livre da teoria da evolução das espécies - totalmente equivocada!  Se o homem tivesse vindo diretamente do macaco, por que ainda existem macacos que não vieram? Por que preferiram ficar lá? Ah, sei lá, viu... Ivo me explica que não é assim  que funciona. Mas para mim é. Ponto final! Eu acho que com ela matei Darwin. Os macacos que não evoluiram, que preferiram continuar macaqueando,  perderam o valor, mas  não a utilidade.  O que seria do passeio de nossas crianças ao zoológico, se não houvessem os macacos? Macacos são úteis embora tenham perdido o valor e o respeito dos humanos, daqueles que um dia foram. Tudo o que fica para trás perde o valor, mas não necessariamente a utilidade. Não vou conseguir prosseguir o raciocínio, enquanto não disser uma coisa que nem cabe aqui, mas o meu sentimento de proteção aos animais manda dizer:  O macaco é bonzinho, ele merece  respeito.  Tenho horror a que judiem  do macaco. Já basta aquela gaiolada toda e aquele olhares curiosos. Por mim, todos os macacos seriam livres,  cidadãos brasileiros com RG, CPF e direito a votar no PT.  Tudo bem, vamos ao que interessa: Coisas que perderam o valor,  mas não a utilidade!  O telefone. Sim, o telefone. Daqueles enormes, pretão, que mais parecia um urubu de cócoras. Tão chic ter um urubu de cócoras, na sala principal da casa. O urubu chegou aqui, nestes rincões do Paraná, quase no final da década de 70. Um urubu que falava. De vez em quando,  e só no local. Interurbano esparodicamente.  Eu  cheguei do trabalho, uma certa manhã inesquecível, e lá estava a surpresa: um urubu no canto esquerdo da sala, ao lado do sofá da Laffer. É! Era da Laffer e fui eu quem comprei. Porque o Ivo tinha comprado um sofá meia boca quando nos casamos, e eu me livrei daquilo no segundo mês, pagando o da Laffer a prestações. Tão caro me era para o meu salário minguado de professora! Mas Ivo não abriu mão: disse que já tínhamos um sofá, e que se eu não quisesse aquele, que pagasse pelo outro. Paguei! Mas, voltemos ao telefone! Às coisas que perderam o valor e não perderam utilidade. A tecnologia da comunicação estava chegando. Finalmente, eu poderia ligar para a vizinha e dizer : oi vizinha! Sem que eu precisasse gritar: Ôooo vizinha!  Ivo estava me esperando no portão, e tinha a gravidade do homem que acaba de casar e desempenha o seu papel. Um homem provedor. Sempre  pioneiro no contemplar a família com coisas que perderiam o valor mas não a utilidade. Um bom homem, cioso dos seus deveres.  Para que a vizinha não viesse dizer à sua mulher: - "lá em casa já chegou"; e para que a mulher não lhe voltasse a pergunta, ligeiramente modificada - "aqui não vai chegar não?" Porque isso significaria dizer: "você não é um bom marido. Um bom marido coloca um telefone em casa." E Ivo sempre foi um bom... não... um ótimo marido. Por isso, o telefone em casa chegou primeiro do que na casa da vizinha.Pois chegou e custou caro. Ele dizia: "o que é caro é a linha, não o aparelho." Eu não entendia como uma linha podia ser cara. Talvez fosse uma linha diferente das linhas que eu usava para fazer tricô. Mas se ele dizia que era caro, eu acreditava. Porque era mesmo. A tal ponto de termos que nos programar: primeiro, adquirimos um telefone e depois trocamos o carro. A troca do carro podia esperar.  Tão bom ter um telefone em casa, pela primeira vez. Tão bom poder ouvir o primeiro trimmmm estridente e dizer suavemente: alô! Tanta era a emoção que me dominaria no momento do primeiro alô. E depois  me sentar ao sofá, cruzar as pernas e gozar enfim, aquele instante redondo e acabado: eu tinha um  marido, e ele tinha uma esposa e tínhamos um carro,  uma casa, um sofá e um telefone. E um bebê: a Sandra! Toda emocionada eu esperava que a emoção passasse e que o telefone tocasse. E nada do telefone tocar! Eu disse a ele, meio envergonhada: "vá lá no hospital e liga aqui em casa?" E ele foi! E depois ele voltou, e nos sentamos na sala.  Nos entreolhamos suavemente, e aquele olhar dizia tudo: somos uma família, temos o nosso primeiro telefone, e você cumpre  tão bem o seu dever de me dar o direito de dizer: "alô, quem fala?" e eu cumpro tão bem o meu direito de te olhar com tanto amor e admiração. Eu que era pobre de marré de si.  Eu tinha, enfim, um telefone. Coisas que perderam o valor mas não a utilidade: Ações da Pasquim. Todas as famílias da época investiam em ações. E também da Crush. E também da GBOEX.  Perderam o valor, mas e a utilidade? A utilidade é nos fazer lembrar a nossa burrice, comprando papéis que levaram o nosso dinheiro e nos deram nada. É uma ótima utilidade. Nunca mais fizemos investimentos de risco. Mais coisas que perderam o valor mas não a utilidade: o Fiat 147 -1979 que ele deu de presente para uma tia. Não que ele desse carros, assim,  a qualquer tia. Essa era especial. Foi a tia que o criou e o adotou como filho, ele que era o primeiro numa lista de 14. Salvou-se da primogenitura e ganhou a tia para o resto da vida.  E a tia ganhou o carro. Que voltou para ele, quando ela morreu. Que ele não vende, não doa, não empresta e gasta os tubos incrementando, polindo, cerzindo, enfrescurando. A última frescura é um ar condicionado que ele quer colocar. E que eu  deixo porque sou boazinha. Felizmente, o instalador o convenceu de que o motor não iria aguentar e assim eu posso ser boazinha.Porque mulher não entende esse negócio de gastar -mais ainda! - com coisas que não tem valor, só tem utilidade. Uma utilidade duvidosa, porque só ele usa o carro. Outro dia, eu disse à Silvia: "Silvia, filha, vá ao mercado buscar alface para mim?" Ela respondeu: - "vou!" E não foi! Só havia o Fiat  147 na garagem. - Nem morta - foi a última palavra dela. Mas num dia de chuva, sendo a última das últimas soluções, fez uso do nobre veículo, embora sentada no banco do passageiro, com os vidros bem fechados. E braba!  Jovem tem dessas coisas:  não distingue relíquia de velharia. O nosso Fiat é uma relíquia. Que não tem lá grande valor, mas tem utilidade. Não adianta querer comprar que ele não vende. Ele diz assim mesmo: "não tem preço!"Coisas que perderam o valor mas não perderam a utilidade: Um aparelho de som estereofônico da Philips. Nossa, como custou caro. E a utilidade? Ouvir os discos de bolacha vinil do Moacir Franco. Acredita que o Ivo me faz ter  essa paraphernália dentro de casa? Bem escondida, diga-se de passagem. Abre-se a  sala de cobertura- um chapéu redondo- no último andar, bem no centro da casa ( que eu acho de muito mal gosto, mas na época,foi escolha minha), abre-se essa sala, depois abre-se a porta de um armário e lá está a salvo dos ladrões e da minha vista, o aparelho de som estereofônico. Essa palavra estereofônico sempre me lembra a doença da estereofonia. É grave! E a enciclopédia Barsa? A coisa era tão chic, mas tão chic, que o vendedor não era assim um vendedorzinho qualquer. Ele passava marcando hora nas casas, para ser recebido posteriormente,  porque não tinha tempo a perder. E depois ele vinha, e nem insistia. Comprasse quem quisesse, quem tivesse cultura para valorizar o investimento na educação dos filhos. A Barsa perdeu o valor mas, pelo menos aqui em casa, não perdeu a utilidade. Qual a utilidade? O salário de diarista da minha faxineira que vem toda terça feira limpar os livros do escritório e coisas tais, sem as quais a função de faxineira já seria parte das coisas que não perderam o valor mas perderiam a utilidade.  Tantas coisas perderam o valor e não a utilidade. Outras tantas perderam o valor e a utilidade. Mas o que não se perdeu, e jamais se perderá são os sentimentos que fizeram a história dessas coisas, o entretecido no oculto,  as lembranças  que ajudaram a compor um quadro de uma normalidade tão abençoada. Que saudades! Que saudades do telefone preto, das ações da Paskim que guardávamos como documento, do aparelho de som que nos trazia o Altemar Dutra, na sala de nossa casa. Que saudades do tempo que passou. Desse tempo que passou sem perder o valor e a utilidade de nos fazer lembrar que, um dia: Fomos! Um dia "fomos" com tudo o que essa palavra possa significar para nós dois e nossos filhos. E agora que já escrevi sobre isso, corro o sério risco de que  você, fazendo bem as contas, se aproxime perigosamente da descoberta da minha idade. Essa que eu guardo tão bem, porque afinal, que utilidade haveria para o mundo descobrir a minha idade? Mas sabe de uma coisa: eu tenho a idade que aparento ter e não a que a certidão registra. Obrigada Dra. Vânia  Diniz! Obrigada Dr. Fábio Rebucci, chiquérrimo dermatologista da Juliana Paes e MEU. Mais meu do que dela, porque ele é meu desde que era criança e morava na esquina da minha casa.   Sabe também de outra coisa?  Eu não perdi o valor e nem a utilidade. E esse sentimento irá comigo para além da vida porque é lá que todos iremos alcançar em plenitude o nosso valor e a nossa utilidade. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7474716860534623333-7034906777903998535?l=abrahana.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://abrahana.blogspot.com/feeds/7034906777903998535/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7474716860534623333&amp;postID=7034906777903998535' title='8 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7474716860534623333/posts/default/7034906777903998535'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7474716860534623333/posts/default/7034906777903998535'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://abrahana.blogspot.com/2009/05/coisas-que-perderam-o-valor-mas-nao.html' title='Coisas que perderam o valor mas não a utilidade'/><author><name>Ana Maria Ribas</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02242985313797724173</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_PW89QoR8kx0/SPDNZE93ppI/AAAAAAAAAKU/1IWdqIaDcYA/S220/ATgAAAB-QugH-y_WkR5dczWxCwmgGIXkkVlFEWKweRruX_HzUzX7keQO0kfHxSkdpgtTwwwdKnOwPi1EdJv0z61Xv_LuAJtU9VByTd2HvBs6Ho32el-HAq738AB2xA.jpg'/></author><thr:total>8</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7474716860534623333.post-5356953282574623328</id><published>2009-05-21T04:15:00.000-07:00</published><updated>2009-05-21T04:16:50.663-07:00</updated><title type='text'>A nossa esperança está em Deus</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Todos os livros de auto-ajuda, apenas defendem a idéia contida  num único versículo que foi registrado na Bíblia, muito antes que a neurolinguística e a filosofia descobrissem o poder do pensamento positivo. Esse versículo está em Lamentações 3: 21: “Quero trazer à memória o que me pode dar esperança.” Todo o capítulo 3 do livro,  cuja autoria é atribuída ao profeta Jeremias,  é uma alternância de sentimentos e pensamentos que oscilam entre o desânimo e a confiança.  Esse capítulo é uma miniatura do que acontece na vida de todos os homens. Há, para cada um de nós, um tempo de amargura e um tempo de bonança, um tempo de guerra e um tempo de paz, não necessariamente nessa ordem.  Tudo quanto  acontece neste mundo é uma alternância entre esses dois tempos. Quando folheamos uma revista antiga de celebridades e nos deparamos com figuras carimbadas do mundo fashion, podemos verificar que o intervalo entre esses dois tempos  são recorrentes e que  nem mesmo, o mais privilegiado dos homens escapa dessa  periodicidade que hesita entre as amenidades e as agruras da vida,  de maneira cíclica e sazonal.  Como sempre, a mídia ajuda a compor os extremos que circundam os mitos: aquele que é celebrado hoje, amanhã estará sendo execrado com a mesma intensidade com que foi festejado.  Essa é a glória do mundo: falsa, inventiva e mitológica.  Um intervalo de tempo e temos o mito da celebridade jogado no limbo.&lt;br /&gt;Mas isso não acontece apenas com o mundo fashion. Isso acontece todos os dias com pessoas anônimas e até com cada um de nós. De repente, a auto-estrada da vida  nos leva  a uma derrapagem, a situação escapa ao nosso controle,  e quando pisamos no freio, descobrimos, com desalento, que é um pouco tarde: caímos na contra mão. A contra mão é um lugar extremamente perigoso e solitário. Nessa hora não há muitas pessoas para nos resgatar.  Nessa hora só podemos contar com aqueles que nos amam e com Deus.&lt;br /&gt;Foi sob esse contexto que Jeremias escreveu o capítulo 3 do Livro de Lamentações. O profeta desfia o seu rosário de lamentos ( e por isso o livro se chama “Lamentações”) num crescendo do versículo  1 ao versículo 20. Mas no versículo 21 algo acontece internamente: Jeremias descobre que é melhor trazer à memória o que lhe pode dar esperança do que ficar contendendo e murmurando contra Deus. Jeremias pára subitamente de reclamar e  recorre,  então, às lembranças que  guardara acerca dos feitos de Deus e  do seu  caráter.  Três são os atributos de Deus que Jeremias quer recordar para conservar a esperança: a Sua bondade, a Sua fidelidade, e a Sua misericórdia.&lt;br /&gt;No dia mau podemos escolher o que queremos trazer à memória. A mente funciona como uma esponja absorvendo as idéias que nos fazem bem,  e que nos trazem esperança, e as idéias que nos fazem mal,  e nos trazem desesperança. Tal qual o profeta Jeremias, podemos nos lamentar por um tempo diante de Deus, mas  a bênção só virá quando trouxermos à memória o que nos pode trazer esperança: a bondade, a fidelidade e a misericórdia de Deus.    Haja o que houver em nossa vida, tenhamos em mente que Deus não muda. Ele  sempre será: bom, fiel e misericordioso. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7474716860534623333-5356953282574623328?l=abrahana.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://abrahana.blogspot.com/feeds/5356953282574623328/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7474716860534623333&amp;postID=5356953282574623328' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7474716860534623333/posts/default/5356953282574623328'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7474716860534623333/posts/default/5356953282574623328'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://abrahana.blogspot.com/2009/05/nossa-esperanca-esta-em-deus.html' title='A nossa esperança está em Deus'/><author><name>Ana Maria Ribas</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02242985313797724173</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_PW89QoR8kx0/SPDNZE93ppI/AAAAAAAAAKU/1IWdqIaDcYA/S220/ATgAAAB-QugH-y_WkR5dczWxCwmgGIXkkVlFEWKweRruX_HzUzX7keQO0kfHxSkdpgtTwwwdKnOwPi1EdJv0z61Xv_LuAJtU9VByTd2HvBs6Ho32el-HAq738AB2xA.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7474716860534623333.post-1556071314950929572</id><published>2009-05-17T16:23:00.000-07:00</published><updated>2009-05-17T16:24:33.598-07:00</updated><title type='text'>Agendando a vida</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Eu não sei se você dá conta de tudo, mas eu não dou. Alguma coisa fica sempre por fazer. Alguma, não. Muitas coisas. Houve um tempo em que, de teimosa, eu carregava uma agenda diária onde na noite anterior marcava religiosamente cada compromisso que deveria cumprir no dia seguinte. Compromissos nada importantes, mas ainda assim essenciais. Do tipo: escrever uma carta para x pessoa. Logo em seguida, vinha: "colocar a carta no correio." Normalmente assim que terminava de escrever a carta,  riscava a frase com gosto. Mas em seguida, vinha o compromisso seguinte: colocar a carta no correio. Essa função exigia que eu me movesse para fora dos meus domínios e demorava um pouco mais. Por isso, eu tinha uma regra: tudo o que eu não cumprira no dia anterior, era repetido no outro dia. Por vezes, durante meses, uma frase era repetida diariamente, até que, um dia, pressionada pela minha própria cobrança, acordava decidida a terminar logo com aquilo. E aí,  era uma delícia voltar  as páginas e riscar todos os avisos repetidos anteriormente.&lt;br /&gt;Não tenho mais agenda. A cobrança agora é interna, mas, às vezes, falha porque esqueço de me cobrar.&lt;br /&gt;O que mais eu desejo além de viver em paz? A resposta é: viver em paz. Mas nem sempre consigo. Minha pequena paz é perturbada por muitas coisas. Uma dessas coisas é o excessivo contingente de papéis que me chegam via correio, ameaçando a paz.  Pelo correio recebo tantas coisas que não preciso, que não pedi, que não quero saber, que não me faz falta. Tenho no banco autorização de débito em conta de algumas faturas. Se quero saber quanto gastei de água, de luz, de telefone, de cartão de crédito, é só conferir o meu extrato. Mas todo mês recebo a cópia das tais faturas que vão se acumulando na gaveta, até eu tomar coragem para me sentar, olhar e rasgar. Todo mês meu salário cai na minha conta, sem um centavo de aumento. Mas todo mês o Governo do Estado me manda o contra-cheque para que eu confira o que já sei: que não houve um centavo de aumento. Todo mês o carteiro entrega correspondências que me convidam para aderir a isso, para participar daquilo, para assinar aquilo outro,  e sou obrigada a abrir o envelope e perder um tempo precioso. Algumas vezes, depois de ler, preciso pensar. E enquanto penso, a minha ajudante esconde numa gaveta o objeto da minha reflexão, os meses se passam e só volto a me lembrar no dia em que, pressionada por tantos papéis que vão se acumulando eu me sento com uma gaveta abarrotada e um cesto de lixo vazio. Uma ou duas horas depois, o processo se inverte: a gaveta fica vazia e o lixo abarrotado. Eu fico em paz. Sou tomada por uma breve paz quando consigo eliminar uma tonelada de papéis que se adicionaram à minha vida,  durante hum ou dois meses. Sem que eu pedisse. Sem que o meu endereço fosse divulgado nas páginas amarelas. Sem nenhuma publicidade sobre a minha vã existência.&lt;br /&gt;Mas a invasão domiciliar não para por aí. Porque agora existe o correio eletrônico. Pelo correio eletrônico recebo um bombardeio ainda maior. A única diferença é que a correspondência não ocupa um espaço tangível. Meus olhos não vêem. E o que os olhos não vêem, já dizia o ditado, o coração não sente. Meu e-mail contém na caixa de entrada,  mais de 2.000 correspondências que me foram enviadas. Muitas delas sem abrir. Jamais as abrirei.  Algumas delas contém a seguinte recomendação: “ não deixe de abrir”. Sinto muito, mas eu deixo. Deixo  pelo mesmo motivo que deixei de assistir filmes tristes, quando percebi que a vida real já é uma tristeza. Deixo pelo mesmo motivo que me retiro da sala quando os telejornais me inflingem a visão das tragédias nacionais e internacionais. Deixo porque as amenidades não compensam as barbaridades que correm pela web: crianças doentes, cachorros abandonados, gatos que viram comida de pitbuls, tragédias às quais  não posso evitar e, já que não as posso evitar,  prefiro não saber e não pensar.&lt;br /&gt;Quem pensa que isso é omissão, engana-se. Cada um de nós tem as suas próprias tristezas e as suas bem camufladas tragédias. Eu tenho as minhas. Você tem as suas. E quem não tem, ainda as terá. Tragédia não é só um drama  que atinge a humanidade no momento do infortúnio, embora essas tragédias sejam amplamente divulgadas. Tragédia é coexistir com uma perda dolorosa, dia após dia, ano após ano. Essa é a tragédia mais difícil de conviver porque é uma dor solitária. O mundo esquece  rapidamente essa espécie de tragédia. Mas quem a experimentou, jamais a esquecerá.&lt;br /&gt;E por último, na lista das tarefas que não consigo cumprir, estão os livros, as revistas e os artigos que separo para ler e que jamais darei conta, sequer de folhear. Tenho uma vasta coleção de livros que vão se acumulando ano após ano. Ainda que eu seja uma leitora contumaz, sou uma compradora ainda mais contumaz. Não consigo passar na porta de uma livraria sem comprar livros. Aos livros, acrescente-se as revistas que assino semanal e mensalmente. E às revistas, o material que pesquiso na web e vou separando para ler mais tarde. Sinto uma espécie de aflição quando examino a minha vida e percebo que não terei tempo hábil para ler e para viver.&lt;br /&gt;Tenho que escolher entre a leitura e a vida. Quase sempre escolho a leitura. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7474716860534623333-1556071314950929572?l=abrahana.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://abrahana.blogspot.com/feeds/1556071314950929572/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7474716860534623333&amp;postID=1556071314950929572' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7474716860534623333/posts/default/1556071314950929572'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7474716860534623333/posts/default/1556071314950929572'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://abrahana.blogspot.com/2009/05/agendando-vida.html' title='Agendando a vida'/><author><name>Ana Maria Ribas</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02242985313797724173</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_PW89QoR8kx0/SPDNZE93ppI/AAAAAAAAAKU/1IWdqIaDcYA/S220/ATgAAAB-QugH-y_WkR5dczWxCwmgGIXkkVlFEWKweRruX_HzUzX7keQO0kfHxSkdpgtTwwwdKnOwPi1EdJv0z61Xv_LuAJtU9VByTd2HvBs6Ho32el-HAq738AB2xA.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7474716860534623333.post-8651180859533385404</id><published>2009-04-07T02:54:00.000-07:00</published><updated>2009-04-07T02:56:51.724-07:00</updated><title type='text'>O Fantástico Mundo Virtual</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;As histórias de crianças, e de contos de fadas, começam sempre com “era uma vez." Fico revirando em minhas mãos a expressão “era uma vez.” Noto que o verbo “ser” está no passado, para não causar falsas expectativas. A expressão “uma vez” também modifica a palavra “era” o que por si só já quer dizer: “era” mas não é mais, foi só aquela vez.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com isso estamos passando a seguinte mensagem: não me pergunte onde está a Branca de Neve. Branca de Neve “já era” e “já era” só “uma vez.” Não haverá duas vezes. Não haverá reprise. Por isso, os personagens das grandes histórias infantis são imortais, só existiram uma vez: pelo fantástico que acompanha o seu caráter de excepcionalidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas nós existimos muitas vezes. O ser humano comum encontra-se em todos os lugares, em todas as eras, no presente, no passado e no futuro. O mundo está repleto de Joãozinho e Maria, não aqueles da fábula infantil, mas aqueles da construção civil, da lanchonete, da panificadora, do cabeleireiro, da fábrica de calçados. Cada Maria e cada João são únicos para uma pequena parcela da humanidade: para os pais, para os avôs, para os irmãos, para os amigos, para aqueles que fazem parte do seu pequeno universo, para aqueles que os conhecem como uma entidade personificada. Para esses não há outro igual àquele, mas para o mundo, são anônimos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E hoje quero falar de anonimato e do bem que ele nos faz. O anonimato nos permite um mínimo de individualidade necessária para que um homem possa usar um palito de dentes sem ser fotografado, para que uma mulher possa sair com a meia desfiada de um restaurante, sem ser notícia nos jornais. O anonimato nos permite um mínimo de individualidade necessária para que um ser seja ele mesmo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas o anonimato que nos preserva a individualidade, traz consigo o distanciamento. As pessoas vivem um paradoxo: querem conservar a individualidade, mas também anseiam por uma construção coletiva que as faça um personagem como aqueles das histórias infantis. De preferência os bons personagens, aqueles que inspirem bons sentimentos. Por um lado, queremos que o mundo contorne a nossa forma, por outro lado, não queremos expor o nosso recheio. Por um lado, queremos ser anônimos, por outro lado, queremos ser conhecidos. Por um lado, queremos ser únicos, por outro lado, queremos pertencer. Por um lado, queremos a realidade interna, por outro lado, precisamos da vida mais ampla que comporta o mundo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E aí, no meio desse conflito existencial permanente entre ser e pertencer, aparece a WEB, a era virtual com todas as suas potencialidades mágicas que permite ao homem conservar a sua individualidade e criar novas extensões dentro de um fantástico mundo de faz de conta.   A internet parece ter sido pensada sob medida para atender ao ser e ao pertencer. Porque o mundo de fantasia que ela proporciona é uma via de mão dupla que não invalida o anonimato. Durante o dia, Joãozinho é aquele trabalhador da construção civil que sobe a massa no andaime e vê o mundo das alturas. Naquele momento, Joãozinho é. Naquele momento, Joãozinho existe em toda a sua individualidade que sonha, sem poder estar em seus sonhos.  Mas à noite, na casa modesta, diante da rede internacional de computadores, Joãozinho está. Por algumas horas, ele deixa de ser para estar. A simples visão do mundo, durante o dia, proporcionou-lhe o “insigth” para o personagem da noite. Joãozinho interage com a entidade do outro lado da tela, como um piloto de Boing e a única diferença entre ele e o comandante é que não há na mão o manche do avião, mas o mouse do computador que lhe permite a viagem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A internet está repleta de pessoas solitárias e mal resolvidas, porque em certa medida, mal resolvidos todos somos. A internet com suas salas de bate-papo e clubes de relacionamento tornou-se o mundo imaginário que atende todos os tipos de fantasias. Homens gordos, carecas e barrigudos, batendo na casa do meio século, transformam-se como num passe de mágica, em jovens galãs de cinema, à procura da sua cara metade. Do outro lado da telinha, a cara metade encalhada e sem glamour torna-se uma disputada donzela.   Se na juventude o cidadão teve simpatia por algum movimento socialista, sem nunca ter tido coragem para enfrentar a ditadura militar, na internet ele “vira” rapidamente um ativista em prol dos direitos humanos. Se na vida real falta dinheiro para o lanche, na internet sobra dinheiro para o banquete. Se no dia a dia ele vai para o trabalho usando o transporte coletivo, na internet ele se vinga sendo o dono do transporte coletivo. Se na vida diária ele conserta carros, na internet ele é o dono de uma frota de carros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O curioso é que não falta fé para esses personagens. Assim como não faltam adeptos para um guru, ou clientela para um charlatão, também não falta gente disposta a acreditar nos personagens imaginários que existem no mundo virtual. Verdade seja dita: aquele que engana é feito sob medida para o enganado. As relações virtuais são um serviço de utilidade pública não institucionalizada, onde cada louco encontra o seu “ terapeuta” sem enfrentar a fila do SUS ou o divã do analista.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há histórias e mais histórias que mesclam o mundo real ao virtual e acabam bem. Algumas nos divertem muitíssimo. Vou contar uma delas: Lia, minha amiga, estava se relacionando há um bom tempo, pela internet com um cidadão de Portugal. Numa dessas noites intermináveis diante do pc, estava presente uma amiga mais esperta, mais centrada, mais lúcida, com aquele olhar de quem enxerga por fora. Essa amiga observando o cidadão pela cam, advertiu: “ Lia esse cara é gay!” Mas imagine se uma mulher apaixonada ia querer escutar que o seu príncipe encantado das "europas"  era gay. A proposta foi imediatamente rechaçada sob forte protesto. Passaram-se os dias. Uma noite, tempos depois, essa mesma amiga estava presente e Lia precisou ir ao banheiro.  Uma vontade imperiosa de ir ao banheiro a fez pedir para a amiga: “tecla aqui no meu lugar.” A amiga foi logo escrevendo: “tu é gay que eu sei.” E do lado de lá, o cidadão português retrucou: “faz tempo que queria contar-te mas não tinha coragem.” Pode rir, a piada é boa e é real. Aconteceu mesmo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Final da história: Lia hoje é camareira em Portugal, e trabalha para um casal de gays portugueses dos quais um deles é o cidadão em questão. Lia perdeu o amor e ganhou um amigo e um patrão. Ganha muito bem e namora um português muito macho. Nunca mais voltou para o Brasil. E se voltar será muito bem acompanhada. Mas aonde Lia encontrou o seu amor? Na vida real.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nem sempre as histórias virtuais têm esse final feliz. Até porque, se pensarmos bem, não há como ter final, se na realidade nunca houve um começo: as histórias virtuais, quase sempre, ficam pelo meio, elas não se resolvem, elas giram em torno do imaginário de cada um. A internet é a versão moderna do “era uma vez.” A internet é a novela que a Globo não ofereceu. A internet é a produção independente onde cada pessoa escolhe o papel que quer desempenhar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No verbalismo puro e simples, sempre existiu e sempre existirá a necessidade de aproximar os seres humanos oferecendo-lhes a nossa versão de vida. No verbalismo sempre existirá a necessidade de colocar forma no caos mesmo que seja através da mentira criativa. No verbalismo sempre haverá a tendência para “enfeitar o pavão”. Nesse sentido a internet é mágica e cumpre à perfeição o seu papel de re-inventariar os sonhos. Apesar de todos os pesadelos.&lt;br /&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7474716860534623333-8651180859533385404?l=abrahana.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://abrahana.blogspot.com/feeds/8651180859533385404/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7474716860534623333&amp;postID=8651180859533385404' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7474716860534623333/posts/default/8651180859533385404'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7474716860534623333/posts/default/8651180859533385404'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://abrahana.blogspot.com/2009/04/o-fantastico-mundo-virtual.html' title='O Fantástico Mundo Virtual'/><author><name>Ana Maria Ribas</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02242985313797724173</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_PW89QoR8kx0/SPDNZE93ppI/AAAAAAAAAKU/1IWdqIaDcYA/S220/ATgAAAB-QugH-y_WkR5dczWxCwmgGIXkkVlFEWKweRruX_HzUzX7keQO0kfHxSkdpgtTwwwdKnOwPi1EdJv0z61Xv_LuAJtU9VByTd2HvBs6Ho32el-HAq738AB2xA.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7474716860534623333.post-8222900236928280969</id><published>2009-02-11T07:56:00.000-08:00</published><updated>2009-02-11T08:01:34.097-08:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_PW89QoR8kx0/SZL2OdrcggI/AAAAAAAAAM4/d5xZW22Z2ds/s1600-h/Um+sonho+de+Consumo+004.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5301570439713948162" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 320px; CURSOR: hand; HEIGHT: 240px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_PW89QoR8kx0/SZL2OdrcggI/AAAAAAAAAM4/d5xZW22Z2ds/s320/Um+sonho+de+Consumo+004.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;EU FIQUEI.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Alguns dirão que o verão ainda está em curso. Mas eu digo que não, que o verão acaba quando recomeçam as aulas de mais um ano escolar. Carnaval não é propriamente verão, é a saidera. É o pregoeiro anunciando que a coisa agora é pra valer. Que a moleza acabou. Tudo bem que depois vem a chamada Semana Santa que, para falar a verdade, de santa só conferimos a ela o nome e a boa intenção. A intenção de malhar o Judas, de atribuir a ele todos os pecados que cometemos durante o ano, e que no calendário das expiações, faz com que o novo ano seja sempre velho, sempre o mesmo ano comprido. Mas, enfim, o que quero dizer mesmo é que o verão já foi, já era, já se despediu. E que ele vá com Deus e leve consigo o seu calorzão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu fico muito feliz quando termina o verão e vem o outono. Da mesma forma como fico feliz quando termina o inverno e vem a primavera. Fico feliz porque me desobrigo de fazer coisas que pertencem ao verão, e que todo mundo faz, mas eu não tenho a mínima vontade de fazer. Ir à praia, por exemplo. Durante anos da minha vida eu tive que ir, mas hoje, não tenho mais. Hoje, no máximo só tenho que ouvir a clássica pergunta: “vocês não vão descer para a praia, não?” Essa pergunta ainda me incomoda. Ainda conservo o registro de que verão é praia, com ou sem vontade. Então, quando a pergunta vem, meu cérebro se coloca em estado de alerta e só descansa quando, meia hora depois, eu o convenço de que não há mais necessidade de cumprir o protocolo oficial que a Prefeitura Municipal de Balneário Camboriu instituiu para este verão. Finalmente estou alforriada de ter que deitar naquela areia grossa e contrair bicho geográfico, estou livre de ter que pegar um bronze, e de quebra, levar para casa uma melanose solar, estou liberta da necessidade mórbida de apresentar um atestado oficial de veraneio “bronzeplus” ao retornar de mais uma temporada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje eu contemplo o sol pela janela de casa. E não lhe dou a mínima chance de encostar-se a mim, mais do que alguns minutos por dia. Sempre de passagem. Eu e o sol nunca nos entendemos bem, graças a Deus. Nunca entendi qual o sabor de lagartear sob um calor de mais de 40 graus. Nunca fiz questão de garantir o meu lugar na areia depois das 10 horas da manhã. Ir à praia, eu até que ia: para bater o ponto. Uma hora depois de ter batido o cartão, eu fazia o caminho de regresso. No rosto, estampada, estava a suprema felicidade de ter cumprido a obrigação do dia. E de poder, enfim, curtir a brisa do mar, da sacada. De preferência, com um livro na mão, para descansar a vista daquele marzão comprido. E vice versa. Até o próximo dia. Até o próximo verão. Até que tudo acabasse como, efetivamente, acabou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Também fico feliz quando termina o inverno e vem a primavera, mas não por idênticos motivos. Eu amo o inverno e amo a sensação de aconchego que ele me proporciona. Inverno é a alforria ao contrário. No inverno pode-se dizer: “prefiro ficar em casa porque está frio.” Todo mundo entende. Inverno é chocolate quente numa mão e livro na outra. Inverno é pipoca, filme, e cobertor. Mas depois do inverno vem a primavera. A primavera, sem sombra de dúvida, é a estação que mais combina com o meu estado de existir. Primavera é renovação. É o período em que a natureza se exibe como um pavão, e eu fico acreditando que tudo nessa vida tem a possibilidade de nascer de novo, de se enfeitar outra vez, de ser melhor do que já foi.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu acredito na primavera como acredito em Deus. Eu vejo na primavera a mão de Deus me oferecendo rosas, lírios, bougainvílleas de todas as cores, cravos e begônias. Primavera é a estação do equilíbrio que eu persigo tanto e nunca alcanço. Primavera é o rio que corre no meio do jardim. Primavera é jardim. E eu sou a borboleta que finalmente tem um encontro com as flores. Até o próximo verão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Feliz outono para todos, para os bronzeados e para os desbotados, para os que foram e para os que não foram, para os que surfaram e para os que ficaram. Eu fiquei. &lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7474716860534623333-8222900236928280969?l=abrahana.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://abrahana.blogspot.com/feeds/8222900236928280969/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7474716860534623333&amp;postID=8222900236928280969' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7474716860534623333/posts/default/8222900236928280969'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7474716860534623333/posts/default/8222900236928280969'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://abrahana.blogspot.com/2009/02/eu-fiquei.html' title=''/><author><name>Ana Maria Ribas</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02242985313797724173</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_PW89QoR8kx0/SPDNZE93ppI/AAAAAAAAAKU/1IWdqIaDcYA/S220/ATgAAAB-QugH-y_WkR5dczWxCwmgGIXkkVlFEWKweRruX_HzUzX7keQO0kfHxSkdpgtTwwwdKnOwPi1EdJv0z61Xv_LuAJtU9VByTd2HvBs6Ho32el-HAq738AB2xA.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_PW89QoR8kx0/SZL2OdrcggI/AAAAAAAAAM4/d5xZW22Z2ds/s72-c/Um+sonho+de+Consumo+004.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7474716860534623333.post-1175165543166482881</id><published>2009-01-24T05:25:00.000-08:00</published><updated>2009-01-24T05:27:51.859-08:00</updated><title type='text'>NEM SEMPRE....</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;“Nem sempre as palavras expressam o desejo do nosso coração. Nem sempre o que dizemos representa o que sentimos. Nem sempre o que pedimos é para ser atendido. Nem sempre o que não pedimos é para ser esquecido. Nem sempre o que vivemos é para ser compreendido. Nem sempre o que não vivemos é para nunca ser vivido. Nem sempre somos tão exatos quanto a matemática. Nem sempre somos tão simples quanto um mais um. Nem sempre somos tão complexos quanto parecemos. Nem sempre somos tão nobres quanto a vida pede. Nem sempre somos tão magnânimos quanto a circunstância exige. Nem sempre somos tão santos quanto Deus nos pede e nem tão devassos quanto o mundo sugere. Nem sempre somos tão invulneraveis quanto requer a demanda. Nem sempre estamos imunes à dor e ao amor. Nem sempre recebemos informações detalhadas do plano “B”. Nem sempre a nossa força nos permite nadar contra a correnteza. Nem sempre sempre aprendemos como naufragar em estilo olímpico. Nem sempre conseguimos sentir dor sem gemer. Nem sempre vestimos Prada quando estamos nús. Nem sempre estamos nús quando vestimos Prada. Nem sempre o riso representa alegria. Nem sempre o choro introduz a tristeza. Nem sempre um discurso encerra uma etapa. Nem sempre a elegância do gesto acompanha o seu efeito. Nem sempre estamos convencidos do que fazemos, quando o fazemos. Nem sempre sempre podemos fazer o que queremos. Nem sempre sabemos como morrer quando a vida acaba. Nem sempre a vida só acaba quando a morte chega. Nem sempre viver é fácil. E quando viver não é fácil fica difícil. Fica difícil renunciar ao que não vivemos. Fica difícil acreditar que hoje é sábado e o sol não brilhará mais."&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7474716860534623333-1175165543166482881?l=abrahana.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://abrahana.blogspot.com/feeds/1175165543166482881/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7474716860534623333&amp;postID=1175165543166482881' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7474716860534623333/posts/default/1175165543166482881'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7474716860534623333/posts/default/1175165543166482881'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://abrahana.blogspot.com/2009/01/nem-sempre.html' title='NEM SEMPRE....'/><author><name>Ana Maria Ribas</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02242985313797724173</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_PW89QoR8kx0/SPDNZE93ppI/AAAAAAAAAKU/1IWdqIaDcYA/S220/ATgAAAB-QugH-y_WkR5dczWxCwmgGIXkkVlFEWKweRruX_HzUzX7keQO0kfHxSkdpgtTwwwdKnOwPi1EdJv0z61Xv_LuAJtU9VByTd2HvBs6Ho32el-HAq738AB2xA.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7474716860534623333.post-7149596059062414673</id><published>2008-11-19T08:41:00.000-08:00</published><updated>2008-11-19T08:43:34.997-08:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_PW89QoR8kx0/SSRCKVm6E8I/AAAAAAAAAMs/0SIES6a3fFk/s1600-h/amico3-+Curiosando.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5270410209296782274" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 320px; CURSOR: hand; HEIGHT: 230px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_PW89QoR8kx0/SSRCKVm6E8I/AAAAAAAAAMs/0SIES6a3fFk/s320/amico3-+Curiosando.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Perdidos e achados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A solidão pode ser tão desamparada quanto um cachorro que brinca no parque com uma bota velha. A solidão do cachorro, da bota e dos seres humanos é sempre desamparada. Até mesmo no supermercado, a solidão é uma condição desamparada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vê-se lá uma mulher com um carrinho cheio de compras, arroz feijão, óleo, macarrão, carne e pão, mas a condição desamparada não revela a fartura, revela a fome.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O alimento não impede a solidão. As pessoas em volta também não impedem a solidão. Nem mesmo o amor mais profundo impede a solidão. Há um estado de ser só, que se manifesta como um horrível dever. O dever de casa, e o dever da escola, e o dever do trabalho, e o dever do culto, e o dever de existir no mundo, todos eles comportando um único maior dever – o dever de existir de maneira solitária.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Então, foi assim: ela passou por mim e eu estava lendo o rótulo de um alimento. Ela fingiu que não me viu e eu fingi que não a vi. Numa conclusão precipitada alguns poderão dizer: “fingimento”. Outros mais benevolentes dirão: “ dissimulação.” Mas não. Nem fingimento, nem dissimulação, apenas respeito por outro ser idêntico. Da forma como um ser deficiente de qualquer eficiência respeita outro ser deficiente da mesma deficiência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há que se respeitar a solidão de outro ser solitário com a reverência dos que conhecem a solidão mais profunda. Poderíamos ter-nos cumprimentado da forma como fazem os seres repletos de vida coletiva. Mas o que faríamos com nossas frases sem miolo, ôcas, vazias de significado? Seríamos apenas sociais. E os seres portadores da síndrome da solidão mais profunda não podem ser resumidos a uma condição meramente social. As palavras para nós precisam ter sangue, e ter gemidos, e ter dores, e ter ais. Porque assim vivemos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por causa disso, eu a deixei ir embora, lentamente, empurrando o carrinho pesado da sua solidão. Fui para a fila do pão. Encontrei Reinildes que não sofre da síndrome e, com ela estabeleci a mínima compreensão. Que me resultou em grande aprendizado: aprendi que se pode comprar pão francês e conservá-lo no freezer. Que bastam 15 minutos fora do freezer para que o pão fique fresco como novo, reassumindo a sua crocância original.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nem sempre a solidão é um bom negócio: conversando a gente aprende e se entende. Mas para quem sofre da síndrome da solidão mais profunda, a comunicação só se faz no laço. Ou na fila da padaria. Que lindo deve ser Olivier Anquier fazendo pão com aqueles olhos verdes que parecem sinalizar um caminho aberto para vida. Mas ainda prefiro Albert Camus com os seus olhos tristes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dali voltando para casa, com um saco de pão que dará para alimentar a casa toda, a semana toda, encontrei o cão. Meu Deus, que foi aquilo! Um cão brincando no parque com uma bota velha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu não aguento um cão que brinca com uma bota velha. É demais para mim porque são duas coisas que me enternecem muitíssimo: os cães e as botas velhas. Ele estava diluido no verde do gramado e a bota estava pendurada na sua boca. O carro já estava parado e juro que nem fui eu quem parei: foi um ato falho. Os iguais procuram os iguais sem perceber que estão parando diante dos iguais. Olhei em volta e não havia ninguém. Por que não? Por que eu não poderia estabelecer com o cão e com a bota um papo altamente filosófico, digno da solidão de uma tarde de sábado, em véspera do dia de finados?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu tinha a solidão, uma sacola cheia de pães e todo o tempo do mundo: uma tarde comprida. O cão tinha a ele mesmo com a sua barriga vazia e uma bota que ele carregava de um lado para o outro como o seu tesouro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Então desci e o contato se estabeleceu. Precariamente a princípio. Ele entendeu que eu poderia querer a bota em troca do pão, e deu um pouco de trabalho para que compreendesse que não, que eu não lhe tomaria a bota, e ainda assim lhe daria o pão. Que ele poderia ficar com os três: comigo, com a bota, e com o pão. É incrivelmente triste, como até no reino dos animais mais animais, existe o entendimento de que se eu lhe dou alguma coisa é porque vou exigir algo em troca daquela coisa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A troca que eu queria era só a partilha de um breve momento. Eu não lhe exigiria muito e nem poderia lhe dar muito. Seria apenas um momento mágico: um parque vazio, eu, um cão, e uma bota velha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nem houve tempo de filosofar com a bota. O cão com sua natureza assustada de coisa viva, de coisa que tem rabo, foi tomado por um amor desmesurado que não lhe cabia no peito: ele latia. Que não lhe cabia nas pernas: ele tropeçava. Que não lhe cabia nele todo: ele pulava em mim. Mas não largava a bota velha. Esperei pacientemente que lhe passasse aquele breve momento de lucidez desamparada. Que doía. E então ele latia. E então eu esperava. E então ele tropeçava. E então eu sorria. E então ele pulou em mim e eu lhe ofereci o pão. No momento em que viu o pão, ele viu a vida. Comeu e matou a fome, mas a felicidade se lhe perdeu pelo vão dos dentes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um cão sem fome, teve reflexo imediato na solidão de uma bota velha. As coisas acontecem de forma reflexiva, as coisas em sua imensa grandeza. As coisas pequenas são circunscritas, mas as coisas em sua imensa grandeza, são como uma pedrinha atirada na superfície do lago: elas mexem com o lago todo. E depois que a pedrinha já atingiu o fundo do lago, ainda é possível ver na superfície as ondas. As ondas em círculos amplificados. Até que tudo fique estranhamente quieto e a vida volte a ser ainda mais silenciosa ali estão as ondas - as ondas em círculos amplificados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lembrei-me da máquina que estava na bolsa e tirei a foto. A foto mal tirada, escura como o dia escuro, que registra o momento, mas não registra a crueza do sentimento. Sentimentos são invisíveis, as fotos não revelam sentimentos. Apenas o olhar pode nos trair, e revelar o que se quer deixar oculto, mas o sorriso está ali para disfarçar e então uma coisa confunde a outra e nesse mundo de confusões ficamos todos devidamente confundidos. Que para isso também nascemos: para não ser exageradamente óbvios.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Olhei os dentes dele, do cão: eram branquíssimos, novos, sem tártaro - um cãozinho menino ainda. Que terá muitos dias de solidão pela frente. Muitos dias sem pão e sem bota. Mas com uma vantagem, em relação a nós os humanos muito humanos: o cão não tem consciência do quanto a vida pode ser comprida. E cruel.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que pensei depois não pode ser contado em palavras. Porque o que pensei depois, não depende de descrição, mas de elucidação. E elucidar é muito mais do que escrever. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7474716860534623333-7149596059062414673?l=abrahana.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://abrahana.blogspot.com/feeds/7149596059062414673/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7474716860534623333&amp;postID=7149596059062414673' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7474716860534623333/posts/default/7149596059062414673'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7474716860534623333/posts/default/7149596059062414673'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://abrahana.blogspot.com/2008/11/perdidos-e-achados.html' title=''/><author><name>Ana Maria Ribas</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02242985313797724173</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_PW89QoR8kx0/SPDNZE93ppI/AAAAAAAAAKU/1IWdqIaDcYA/S220/ATgAAAB-QugH-y_WkR5dczWxCwmgGIXkkVlFEWKweRruX_HzUzX7keQO0kfHxSkdpgtTwwwdKnOwPi1EdJv0z61Xv_LuAJtU9VByTd2HvBs6Ho32el-HAq738AB2xA.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_PW89QoR8kx0/SSRCKVm6E8I/AAAAAAAAAMs/0SIES6a3fFk/s72-c/amico3-+Curiosando.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7474716860534623333.post-5298720663589678669</id><published>2008-09-17T04:30:00.000-07:00</published><updated>2008-09-17T04:32:56.552-07:00</updated><title type='text'>Andam abusando do direito de escrever no painel traseiro de carrinhos e carrões.</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_PW89QoR8kx0/SNDq1Yzfz_I/AAAAAAAAAKM/un9dnDfdIvE/s1600-h/Porquenaoposso.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5246951768799039474" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_PW89QoR8kx0/SNDq1Yzfz_I/AAAAAAAAAKM/un9dnDfdIvE/s320/Porquenaoposso.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Andam abusando do direito de escrever no painel traseiro de carrinhos e carrões. Abusam tanto, que eu me divirto tanto. Ou me aborreço muitíssimo. Quando avisto de longe, um carro, com uma fraseologia ambulante, acelero para chegar mais perto: - “fala carro, que eu lhe escuto como um ser falante.” Que você não é, mas convencionaram que fosse.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E os carros, esses dizem coisas que os seus donos gostariam de dizer, mas não encontraram espaço em outro lugar. Gente que ainda não entrou na era do www. Tão fácil: um clic e tem-se um blog circulando na WEB. E com ele o direito de dizer o que se sabe, o que se pensa, o que se quer. Mas existe ser movente que ainda prefere o vidro traseiro do carro: uma resumição só.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dia após dia, mês após mês, ano após ano, há gente dizendo a mesma coisa, e há gente lendo a mesma coisa. Com uma desvantagem: lemos e não podemos opinar, compartilhar ou discordar. Fiquei mais de ano, com um vizinho confirmando, todos os dias, que “batatinha quando nasce esparrama pelo chão” e a batatinha nunca cresceu e nunca parou de esparramar-se, até o dia em que ele mudou-se daqui e foi esparramar batatas em outro arraial. Singelo, não?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas há situações mais graves. Por exemplo: o que significa um adesivo com os dizeres: “Propriedade exclusiva do Senhor Jesus.” Significa que o Senhor Jesus é o dono do carro, ou é o dono da vida de quem possui o carro?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se fôr da vida, seria melhor escrever no coração. Se fôr do carro, a coerência exigiria que se entregasse a chave, para toda e qualquer pessoa, que do veículo, necessitasse. Um vizinho doente - sem carro para se locomover até o hospital? Poderia usar esse - que é propriedade exclusiva do Senhor Jesus. Um mendigo cansado, carregando seus trapos em direção ao sul? Teria todo o direito de pedir que o levassem até a cidade mais próxima, utilizando-se da propriedade exclusiva do Senhor Jesus. Simples assim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porque é isso que faria Jesus. Onde já se viu Jesus negando a um discípulo precisado, o direito ao uso do seu jumentinho, se jumentinho Ele tivesse possuído? Não possuiu. Para a entrada triunfal em Jerusalém, tomou um emprestado, e o devolveu, depois, ao verdadeiro dono.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Andam abusando do direito de escrever sobre Jesus no painel traseiro de carrinhos e carrões. Uma frase muito em moda: “Deus é fiel”. Essa é a escolha de nove entre dez modelos de carros novos. Como se a fidelidade de Jesus dependesse da conta bancária do cidadão que pôde adquirir a máquina. E com tal, sub-entende-se que aquele que só pôde comprar um Uno velhinho, não pôde contar com a fidelidade de Jesus. Que essa é prerrogativa de quem tem modelos mais modernos e sofisticados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A fraseologia dos religiosos, deixa-me com suor nas axilas, tão agitada me torno. Fico como se tivesse cumprido o percurso da São Silvestre, mil vezes, com a língua de fora, sem olhar para trás. Meu Deus, para onde irei eu, tendo que guardar comigo o que penso, nesse pensar que é meu próprio, e que é tão solitário? Para:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;www.anamariaribasbernardelli.com&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Felizmente, temos também a fraseologia dos apenas humanos. Esses não misturam alhos com bugalhos. Só por isso, já contam com a minha compreensão. Um exemplo: “ Eu amo meu marido.” Ou “Eu amo minha mulher.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Posso compreender, mas não posso deixar de comentar: olha só que patetice! Pois se a sujeita tem um homem como marido, e se esse marido a tem como mulher, seria por algum outro motivo que não o amor? O que mais deveria unir um homem e uma mulher: a conta bancária? os filhos? o comodismo? afinal, por quais motivos um ser humano precisa sair por aí anunciando que ama o parceiro, se isso deveria ser o óbvio ululante? Talvez porque não seja.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outro dia, eu reconheci um homem inocente e puro, pela fraseologia do seu carro. As letras bordadas no painel diziam o seguinte: “ A FORÇA DA TUA INVEJA É A VELOCIDADE DO MEU SUCESSO.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esse foi curioso. Olhem os detalhes: ele viajava a 60 km por hora, e o carro estava usando toda a força dos seu cavalos de força: era um fusquinha hum mil novecentos e bolinha, caindo aos pedaços.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas enquanto os pedaços não caiam, o homem puro passeava com a mulher e os filhos, todos puramente assentadinhos e espremidinhos, como sardinhas em lata. Eu passei por eles, com a minha máquina, e enxerguei, só no banco traseiro, quatro pares de olhinhos que descobriam o mundo em alta velocidade. Contando mais dois, nos bancos da frente, temos seis: seis pessoas que me pareciam haver acabado de adquirir o direito de locomover-se, como se estivessem ao redor da mesa da cozinha: sentados. A paisagem apenas passando, em slow motion, e a emoção mais acelerada do que o motor daquele que, um dia, fora chamado de carro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esse tão puro do qual lhes falo, morador da roça que era, usava chapéu. E o vizinho dele, só tem uma carroça e é invejoso. Então, já se sabe a lógica da frase escolhida: “a força da tua inveja, é a velocidade do meu sucesso.” Fácil de ler, digerir e engolir: “Vai seu Zé, ser sucesso na vida com a força da inveja do seu Mané.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cheguei em casa, e escrevi a frase no mural de avisos, para não esquecer. Porque ali me nasceu essa crônica. Quatro dias depois, finalmente, Ivo, distraído como ele só, ou ocupado como sempre foi, veio perguntar o que significava aquilo que estava escrito em nosso mural de recados. E que me fazia rir, toda vez que passava por ali.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nada não, Ivo. Significa apenas isso: Se eu fosse adepta do fraseologismo ambulante, as frases do meu carro diriam assim:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;1- Propriedade exclusiva minha, porque comprei com o dinheiro do Ivo.&lt;br /&gt;2- Deus é fiel com carrão, com carrinho, com carroça, com bicicleta, ou a pé.&lt;br /&gt;3- Se eu amo, ou não amo meu marido, é problema meu. Cuide do seu.&lt;br /&gt;4- Sua inveja, não me fede, nem me cheira: pode invejar à vontade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas isso é porque sou revolucionária, reacionária, sublevadora, retrógada e porque não acompanho a modernidade dos meus pares.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Faz parte do chamado de mulher das cavernas. Das cavernas de Elias. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;* Foto produzida pelo Alemão. Obrigada, alemão. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7474716860534623333-5298720663589678669?l=abrahana.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://abrahana.blogspot.com/feeds/5298720663589678669/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7474716860534623333&amp;postID=5298720663589678669' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7474716860534623333/posts/default/5298720663589678669'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7474716860534623333/posts/default/5298720663589678669'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://abrahana.blogspot.com/2008/09/andam-abusando-do-direito-de-escrever.html' title='Andam abusando do direito de escrever no painel traseiro de carrinhos e carrões.'/><author><name>Ana Maria Ribas</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02242985313797724173</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_PW89QoR8kx0/SPDNZE93ppI/AAAAAAAAAKU/1IWdqIaDcYA/S220/ATgAAAB-QugH-y_WkR5dczWxCwmgGIXkkVlFEWKweRruX_HzUzX7keQO0kfHxSkdpgtTwwwdKnOwPi1EdJv0z61Xv_LuAJtU9VByTd2HvBs6Ho32el-HAq738AB2xA.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_PW89QoR8kx0/SNDq1Yzfz_I/AAAAAAAAAKM/un9dnDfdIvE/s72-c/Porquenaoposso.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7474716860534623333.post-7472555247764275535</id><published>2008-09-16T08:14:00.000-07:00</published><updated>2008-09-16T08:17:05.788-07:00</updated><title type='text'>SEU PROBLEMA, MEU PROBLEMA.</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_PW89QoR8kx0/SM_N4n51JUI/AAAAAAAAAJ0/ctbuqiH4zBw/s1600-h/551875-28748-1280.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5246638463577826626" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_PW89QoR8kx0/SM_N4n51JUI/AAAAAAAAAJ0/ctbuqiH4zBw/s320/551875-28748-1280.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Como saber jamais o que se passa no coração de uma jovem de 15 anos, que pede-me ajuda para um mal que não conheço. As palavras tão poucas, tão doloridas e tão pungentes, se revelam como cacos em minha mão, à espera de que eu componha, com eles, um mosaico colorido. Mas só há cinza nesses cacos: “um grande problema, uma grande luta, a vida é injusta, estou sofrendo muito.” E para meu desespero, estes outros: “leio todos os dias o seu diário, te admiro muito, preciso de apenas uma palavra de uma pessoa como você, se puder me ajude. Me responda?”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sem nem saber seu nome, foi o que fiz ainda ontem. Mas acho que não fiz bem feito, porque não dormi direito: faltou-me a paz. Acho que você não merece que eu lhe responda com poucas palavras, você merece uma crônica inteira. Hoje, meus queridos, dêem-me licença: dane-se o mundo literário. Farei aqui o que Jesus faria ali: deixarei os 99 leitores no deserto e irei em busca da leitora perdida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que aos 15 anos, é hora de uma mocinha começar a encontrar-se consigo mesma, e não é hora de perder-se de si mesma. Como não sei em que avenida ela se perdeu, irei buscá-la exatamente aonde eu me encontrava, quando tinha a mesma idade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Meus tempos de anos 15 foram tão minguados, e nem assim impediram-me o sonho. A empresa do meu pai acabara de falir, e eu trabalhava para ajudar a colocar em casa o arroz e o feijão. Carne quase nunca havia. A mistura era banana. Uma delícia banana com arroz e feijão, você já experimentou? Até hoje, ainda promovo o reencontro desses dois sabores que me são tão familiares: o doce temperando o salgado, e os dois combinando de me iludir, com uma viagem imaginária ao oriente. Um dia, inventei que aquele era um prato das Índias. E foi assim que descobri as Índias sem sair do Brasil.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dinheiro, pois, não havia para a viagem, mas para o sonho sobrava. Eu tinha longos cabelos negros, extremo bom gosto e nenhum recurso para andar “na moda”. Mas tentava: comprava o tecido nas falecidas Casas Buri e minha mãe costurava. Aos 15 anos, ganhei de presente de aniversário, da minha avó, uma quantia em dinheiro que dava para comprar um pedaço de pano e confeccionar um vestido. Comprei um bem psicodélico, com ondas em várias tonalidades de azuis e rosas. Resultou num tubinho em forma de “A”, com mangas boca de sino e gola Mao, arrematada por um lacinho que fechava o decote.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ainda me vejo nele, porque gostava de me ver em qualquer trapinho. A extrema pobreza não impedia que eu gostasse da vida e que a vida gostasse de mim. O riso era fácil. Mas o corpo me era um problema: eu não sabia andar com a graça e a leveza de uma gazela. Meu andar sempre teve algo de um soldado a caminho da guerra. E aqui, faço uma pausa para me lembrar da amiga Lúcia Miranda: era ondulante como um rio que serpenteia, colina abaixo. Eu queria tanto ser esse rio ondulante, mas era um soldado a caminho da guerra, montanha acima. O quadril não quebrava.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por onde andará Lúcia Miranda? Aquele andar salvou Lúcia Miranda da mesmice a que a maioria de nós, nos submetemos. Aqui ficamos e aqui envelhecemos. Lúcia correu o mundo com o seu rio ondulante. Será que ainda serpenteia?&lt;br /&gt;Deixemos Lúcia para lá.&lt;br /&gt;Trabalhar foi algo de que nunca gostei. A bem da verdade, não encontrei nenhum trabalho, nesta vida, que me merecesse por completo. Mas se tinha que trabalhar, que remédio? Trabalhava! Meu irmão, quando casou, disse para mim: “agora, vou ter a minha própria casa e você se vire por aqui.” Ele me falou assim mesmo, e assim mesmo teve que ser. Passei a acumular duas funções, em dois trabalhos diferentes: detestava os dois!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nas questões sentimentais, era de uma incompatibilidade total com o sexo oposto: fui ter o meu primeiro namorado aos 17 anos. Aos 15, eu apenas sonhava com o meu príncipe encantado, mas ele nunca vinha. Vinha para todas, menos para mim. Meu primeiro amor, foi uma mistura de namorado com amigo: a coisa empacava e não se resolvia. Nunca nos beijamos. Muitos anos depois, relendo uma de suas cartas, vim a entender porquê: a sua opção sexual era outra, mas ele não assumia, funcionário do BB que era e, naquela época, não podia. Meu Deus, eu era tão ingênua, nem sequer pressentia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Minha sensibilidade me levava a certos extremos: chorava como se um rio brotasse repentinamente de mim, e gargalhava com a solidez do relincho de um cavalo, que também vinha de mim. Era mesmo de extremos. Eu acho que era feliz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu tinha 15 anos! Você faz idéia do que é ter 15 anos? Ter 15 anos é para gastar do jeito que se quiser. E, nesta manhã, venho encarecidamente lhe pedir: não escolha gastar os seus 15 anos na pré história da humanidade. Não há mais tantos perigos ameaçando a terra. Jesus já veio ao mundo. Não há dores, não há ameaças, não há lutas, que Ele não possa curar, defender e vencer : Ele é o Senhor!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para que Ele se torne esse Senhor que pode tudo, precisa apenas que você lhe outorgue o poder de poder tudo. Uma procuração com amplos e irrestritos poderes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há duas maneiras de conhecer Jesus: uma é o Jesus histórico, objetivo, que se conhece do lado de fora. Esse não lhe servirá para muita coisa. Mas a outra maneira é interior, subjetiva e mais profunda. É um conhecimento experimental, revolucionário, que sacode estruturas combalidas, e as coloca no devido lugar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E como experimentar esse Jesus? No seu caso, experimentando como remédio: em pequenas doses, até à cura. Em doses maiores, depois da cura. Jesus é um remédio que, em doses pequenas, cura o doente, e em doses maiores promove a saúde para sempre, amém. Busque-o, da maneira simples como buscou a mim: falando com Ele.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não leia apenas o meu diário: leia a Bíblia. É na Bíblia que busco inspiração para escrever, portanto, vá direto à fonte. Ouça Jesus falando pelas palavras Sagradas. Quando oramos, nós falamos com Deus; quando lemos a Bíblia, Deus fala conosco.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A natureza também fala por Deus. Você tem um bichinho de estimação? Tenha! Às vezes tudo que me sobra para tocar em Deus, de maneira palpável, é o abraço e a lambida das minhas cachorras. Que quando me falta o amor em concretude, essas nunca me faltam. Pode faltar-me o Ivo, pode faltar-me o Paulo, pode faltar-me a Sandra, pode faltar-me a Silvia, mas o abraço das minhas cachorras está sempre disponível, para mim, no fundo do quintal. E eu aproveito, e também abraço e lambo. Tudo o que existe no mundo é um resumo de Deus! Sabendo disso, você saberá também, que todos os resumos são horizontes amplificados, que a sua própria mão é capaz de alcançar. Não se escandalize se eu lhe disser o que está escrito na Bíblia, e que poucos souberam ler: "Sua presença enche a terra." Toque-o nesta manhã, da forma como Ele se apresentar diante de você. Jesus é o general de guerra, é o advogado, é o médico, é o procurador, é o remédio, é o consolo, é a cura. Tudo é Ele!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aqui estou apenas enfunando uma vela, e colocando diante de você um barquinho, que pode lhe conduzir a novos rumos, a novas terras. Na proa vai Jesus, mas você é o remador. Siga o rumo que Ele lhe derminar. Apenas não esqueça, que para se chegar a algum lugar, você terá que remar. Reme, então! "Jesus está no barco/e você é o remador/lá na frente está Jesus/ Ele é o condutor."&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7474716860534623333-7472555247764275535?l=abrahana.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://abrahana.blogspot.com/feeds/7472555247764275535/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7474716860534623333&amp;postID=7472555247764275535' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7474716860534623333/posts/default/7472555247764275535'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7474716860534623333/posts/default/7472555247764275535'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://abrahana.blogspot.com/2008/09/seu-problema-meu-problema.html' title='SEU PROBLEMA, MEU PROBLEMA.'/><author><name>Ana Maria Ribas</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02242985313797724173</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_PW89QoR8kx0/SPDNZE93ppI/AAAAAAAAAKU/1IWdqIaDcYA/S220/ATgAAAB-QugH-y_WkR5dczWxCwmgGIXkkVlFEWKweRruX_HzUzX7keQO0kfHxSkdpgtTwwwdKnOwPi1EdJv0z61Xv_LuAJtU9VByTd2HvBs6Ho32el-HAq738AB2xA.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_PW89QoR8kx0/SM_N4n51JUI/AAAAAAAAAJ0/ctbuqiH4zBw/s72-c/551875-28748-1280.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7474716860534623333.post-7474013424632119611</id><published>2008-09-13T13:07:00.001-07:00</published><updated>2008-09-13T13:19:06.109-07:00</updated><title type='text'>NÃO REVIRE A LATA.</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_PW89QoR8kx0/SMwdtE_WsiI/AAAAAAAAAJU/g8ytslKxHNU/s1600-h/curiosando+3.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5245600326250574370" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_PW89QoR8kx0/SMwdtE_WsiI/AAAAAAAAAJU/g8ytslKxHNU/s320/curiosando+3.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não sei se a descoberta é óbvia, se é sutil, se é apenas adivinhada, em um daqueles momentos de pura revolta, que pode acontecer numa tão segunda feira pela manhã. Eu só sei que a descoberta me veio em cintilância de revelação. Um dia, como brilha um cristal partido, ela brilhou. E eu sorri e disse: mas então é isso? Mas “isso” é muito perigoso.&lt;br /&gt;E no entanto, perigoso ou não, a descoberta me foi tão clara como o sol do meio dia. Que continua brilhando, para mais claro ir se fazendo. O peso da responsabilidade de saber, eximiu-me da culpa de não compartilhar porque dentro de mim havia um chamado para proteger o mundo: revelar poderia ser danoso demais à humanidade e eu era a mãe do mundo, a mãe que continha um grande segredo.&lt;br /&gt;Eu pensava que era adulta, mas ainda era criança.&lt;br /&gt;Hoje cresci e decidi compartilhar com vocês que o trabalho é uma maldição. Uma maldição que foi impetrada contra nós lá no Jardim do Éden e que continua nos arrostando pela vida afora como uma escravatura celestial: “ No suor do teu rosto comerás o teu pão, até que tornes à terra; porque dela foste tomado, porquanto és pó e em pó te tornarás.” GN 3: 19.&lt;br /&gt;O trabalho é uma maldição e Deus quer que você corra atrás da bênção. É na bênção que está a libertação de tanto trabalho. Porque na lei da escravatura, estava escrito - apenas - que o homem deveria trabalhar em troca do pão que alimenta, mas esse mesmo homem, ampliando a maldição, determinou que alimentar-se só de pão seria pouco: então passou a trabalhar ainda mais para alimentar-se de carros, de fazendas, de casas, de iates, de viagens, e de tudo o que reluz como ouro. A sedução enganosa do ouro fez do preço da maldição uma carga excessivamente pesada. Mas tem gente que gosta. Tem gente que sucumbe ao peso e morre.&lt;br /&gt;Quando eu era operária, que tédio me davam as que se ufanavam de sê-lo.As que exerciam com glória o seu destino de mouras. Eu era apenas conformada.&lt;br /&gt;E conformada mesmo, tornei-me chefe de tribo. Fui chefe de tribo durante 20 anos e nos meus dias de chefia, ninguém morreu de tanto trabalhar, ninguém fez hora extra, ninguém ouviu de mim uma convocação para que se doassem integralmente à maldição do trabalho. Que integralmente só Deus nos merece. O mesmo Deus que nos amaldiçoou com a bênção do trabalho, na esperança de que em vendo a maldição todos os dias, o buscássemos em todas as horas.&lt;br /&gt;Quando eu era chefe de tribo, houve dias em que alguns escravos vinham trabalhar, com vontade de trabalhar- que esse mal é recorrente e necessário. Pois se Deus nos impetrou a ordem para trabalhar, que se trabalhe então, segundo a ordem de Deus. Mas houve outros, que, nesses mesmos dias em que aqueles trabalhavam, esses outros fingiam trabalhar – que esse mal também é recorrente e necessário. Pois se Deus nos criou com a capacidade de sonhar infinitos azuis, que se sonhe então, segundo a capacidade que Deus nos deu, de sonhar infinitos azuis, enquanto se trabalha.&lt;br /&gt;Os que estão em dias de ordem e progresso, não devem atrapalhar aqueles que estão em dias de sonhos secretos. Não há antagonismo nas duas proposições quando se sabe que ambas estão latentes dentro do homem. O equilíbrio é azul.&lt;br /&gt;O equilíbrio é assim como uma gangorra que sobe e desce, e mantém o vai-e-vém da máquina em pleno funcionamento. Que não se exija do homem que ele seja super-homem e tudo estará bem. Que não se exija do homem um diálogo marxista quando o que ele quer é apenas cumprir a sua trajetória acostumada.&lt;br /&gt;Dessa maneira fui chefe de tribo durante 20 anos: não exigindo nada que a humanidade não pudesse conceder e ainda assim recebendo tudo o que seria possível receber. Nunca coloquei um CGC como prioridade em minha vida de chefe de tribo. Minha prioridade sempre foi cada um dos membros da tribo. Nunca permiti que um aniversariante tomasse o rumo entediante do trabalho no dia mágico do seu aniversário. Onde já se viu um aniversariante ser presenteado com a maldição do trabalho, bem no dia abençoado em que veio ao mundo? Nunca adverti o ser humano por ele ser humano. A bem da verdade, em 20 anos de trabalho, fiz isso uma única vez. E arrependo-me profundamente de tê-lo feito. Sempre segui o que meu coração mandava fazer diante de mulheres que vinham trabalhar com filhos doentes e cólicas menstruais dolorosas. E voltavam para casa, na mesma hora. A diretoria era um lugar de encontros apenas necessários; o coração era o lugar dos encontros definitivos.&lt;br /&gt;E havia oração no início de cada dia, e havia a leitura da Palavra, e aquela oração e aquela Palavra, nos fazia lembrar que temos um único Pai e que somos todos irmãos. Isso coibia qualquer pensamento abusivo. Pois se Deus nos via, como esconderíamos dos homens aquilo que Deus já sabia?&lt;br /&gt;Deixei aquele lugar depois de 20 anos, sem oferecer a ninguém a mediocridade dos que governam para o exercício do autoritarismo. Livrei-me do peso da impostura, porque entre meus pares, nem autoridade - na acepção humana da palavra - precisei ser: cada um tornou-se responsável por aquilo que cativara no outro, e o amor de Deus encarregou-se de elucidar brandamente o nosso destino.&lt;br /&gt;Outros vieram depois de mim. E nesse depois de mim, todos os paradigmas que Deus me orientou a criar ali, foram desprezados, como se despreza um pão bolorento. Criou-se a teoria de que toda ação deve ser investigada à exaustão. Procurando bem, sempre se encontra alguma coisa cujo destino seja a lata do lixo. Quem tem fome de porcaria, que revire a lata. Quem tem vocação para cão, que fareje o mundo. Mas quem tem sede de Deus, que olhe para o Alto. É simples assim.&lt;br /&gt;Ah, administradores do Brasil e da minha terra, e do mundo: uma só coisa tenho a vos dizer - bobos sois! E no futuro, nada sereis. E enquanto todos vós caminhais para o nada, Deus segue sendo tudo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7474716860534623333-7474013424632119611?l=abrahana.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://abrahana.blogspot.com/feeds/7474013424632119611/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7474716860534623333&amp;postID=7474013424632119611' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7474716860534623333/posts/default/7474013424632119611'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7474716860534623333/posts/default/7474013424632119611'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://abrahana.blogspot.com/2008/09/no-revire-lata.html' title='NÃO REVIRE A LATA.'/><author><name>Ana Maria Ribas</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02242985313797724173</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_PW89QoR8kx0/SPDNZE93ppI/AAAAAAAAAKU/1IWdqIaDcYA/S220/ATgAAAB-QugH-y_WkR5dczWxCwmgGIXkkVlFEWKweRruX_HzUzX7keQO0kfHxSkdpgtTwwwdKnOwPi1EdJv0z61Xv_LuAJtU9VByTd2HvBs6Ho32el-HAq738AB2xA.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_PW89QoR8kx0/SMwdtE_WsiI/AAAAAAAAAJU/g8ytslKxHNU/s72-c/curiosando+3.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7474716860534623333.post-7365399392526820777</id><published>2008-09-12T05:51:00.000-07:00</published><updated>2008-09-13T13:13:15.228-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='REFLEXÕES.'/><title type='text'>A HISTÓRIA QUE JÁ VEIO ESCRITA.</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_PW89QoR8kx0/SMwezR1qLpI/AAAAAAAAAJc/Ld_1ZEUGdSk/s1600-h/site+curiosando.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5245601532290412178" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_PW89QoR8kx0/SMwezR1qLpI/AAAAAAAAAJc/Ld_1ZEUGdSk/s320/site+curiosando.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Como conhecer jamais as insuspeitáveis possibilidades que o homem contém nessa pequena vida que lhe bate no peito? O universo é tão vasto. E assim como o macro é o micro. A beleza do sol não está apenas em seu fulgor ardente, mas na escolha pacífica da sua trajetória. Ele apenas se levanta, quando a terra ainda dorme, e segue impávido o seu caminho de luz sobre os feixes de trigo. Quando termina de abençoar aqui, começa lá. Foi-lhe devidamente providenciado que brilhasse, aquecesse e embebesse de vida a mínima semente que contém seu próprio mistério. E assim, um mistério ajuda ao outro, e ambos latejam em vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Também sei da história de uma rosa. Tão breve. Tão linda. Tão heroicamente nada, acostumados que estamos a pensar que tudo que apenas deleita os olhos é fútil. Um dia, toda rosa é uma rosa, mas no outro dia, toda rosa já era rosa. De carmim, suas pétalas passam a lembrar o fúscia, e depois o rosa, e depois o rosinha pálido que se transforma em anemia, e depois de grave doença anêmica, o que era - já não é - e tomba, nada sendo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A rosa morre de morte tombada. Mesmo que o caule ainda lhe sustenha, ela desiste quando compreende – subitamente compreende- que a beleza inspirada por Deus não comove mais o coração dos homens. Que para isso ela veio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma vez, de pena da rosa, guardei suas pétalas no meio de um livro. Ela protestou, pediu para ser devolvida à natureza e, nesse dia mesmo, logo pela tardinha, atendi ao seu protesto e a entreguei aos cuidados do vento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O vento é primo distante da rosa. Cuidaria bem dela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E o Padre Fábio de Melo? Que lindeza de amor profundo. Os olhos são a lâmpada do corpo, e Padre Fábio é de tanta luz e tanta água, que a mim parece um chafariz iluminado, abastecido do mais profundo manancial. Mas ele próprio é um remanso. Um remanso de grandes olhos negros, que me deixa de um sem fôlego comovido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando assisto Pe Fábio, em seu programa semanal pela televisão, não o faço para ouvir o que de tão lindo ele fala, mas para ver o que de tão maravilhoso ele esconde. Padre Fábio é o simbolo que escolhi para ser o mistério de que vos falo hoje.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Houve um dia em que, em se sabendo mistério, Pe. Fábio desistiu de ser a folha que é levada pelo vento. E veio ser, para todo o Brasil, um pai precoce. Quando ele diz “minha filha” para qualquer mulher que tenha idade para ser-lhe mãe, já se sabe: esse já nasceu pai de uma humanidade desesperada. Um pai que representa o Pai. Mas que deixou esperando uma moça que queria ser mãe. Tão lindos seriam os filhos biológicos de Pe. Fábio, com a moça que queria ser mãe. E que não lhe nascerão nunca.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Todo esse rodeio, sabe-se logo é só um preâmbulo. Hoje quero fazer-lhe uma pergunta que há milênios me intriga: por que o grosso da humanidade pode gastar os melhores anos da vida na liberdade do vento e eu- essa que vos escreve- não posso?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eis aí um mistério. Que experimento desde a mais tenra idade. Tenho a exata sensação de que não escolhi nada do que se me atribuem ter escolhido. Apenas recebi o que já se me havia configurado receber.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outros recebem o que querem, o que pedem, o que elegem, o que preferem.Mas mesmo esses, esses que apenas vão, ainda guardam as possibilidades da semente, que todo homem contém, para ser plantado, nascido, crescido, morrido e comido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um certo dia, o vento que sopra aonde quer, faz do homem-folha um homem-semente, trazido por mão poderosa, que o faz receber, finalmente, o reino que lhe é familiar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Familiar é gastar-se a cada dia, em mínimas porções de secreta nostalgia. Eu não consigo conceber um homem sem a nostalgia que acompanha o seu pequeno chamado de dura semente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um dia, o meu nome foi apenas anunciado. Não houve um tapete vermelho quando Deus falou: “vai Ana”. Também não haverá tapetes vermelhos quando Deus disser: “volte Ana!” E eu, eu que recebi a primeira lufada de vento bem no meio da cara, e acreditei que sim – que podia ir- tive bem cedo a experiência de uma correnteza direcionada: “é para cá,” disseram-me. E para cá, obediente, vim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Podia ter ido tão mais longe. Possibilidades intrínsecas não me faltaram: logo cedo descobri que estar desassosegada era o postulado de uma liberdade que, em algum lugar, se me chamava. Eu era jovem - e era linda - e era perspicaz: meus olhos viam tudo e meu coração pedia mais. Então por que não fui?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se eu soubesse a resposta, teria obtido a substância de que é feita a vida. E o modo de obter seria uma nova realidade de se ser.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas que sei eu?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu só sei pensar. E nesta manhã, quero pensar o que prefiro, o que gosto, o que faço bem: o imponderável da vida que se manifesta na alegria brevíssima de saber - apenas sabendo- que o sol, a rosa, o Pe Fábio, eu, você, e todos os homens feitos desse lindíssimo involuntário, um dia, receberemos um bilhete que nos dirá assim: “ vivemos um ao outro profundamente, e hoje Eu lhes ofereço a possibilidade de só viver em Mim."&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Nem vou pensar duas vezes na possibilidade de me diluir inteira. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7474716860534623333-7365399392526820777?l=abrahana.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://abrahana.blogspot.com/feeds/7365399392526820777/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7474716860534623333&amp;postID=7365399392526820777' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7474716860534623333/posts/default/7365399392526820777'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7474716860534623333/posts/default/7365399392526820777'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://abrahana.blogspot.com/2008/09/histria-que-j-veio-escrita.html' title='A HISTÓRIA QUE JÁ VEIO ESCRITA.'/><author><name>Ana Maria Ribas</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02242985313797724173</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_PW89QoR8kx0/SPDNZE93ppI/AAAAAAAAAKU/1IWdqIaDcYA/S220/ATgAAAB-QugH-y_WkR5dczWxCwmgGIXkkVlFEWKweRruX_HzUzX7keQO0kfHxSkdpgtTwwwdKnOwPi1EdJv0z61Xv_LuAJtU9VByTd2HvBs6Ho32el-HAq738AB2xA.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_PW89QoR8kx0/SMwezR1qLpI/AAAAAAAAAJc/Ld_1ZEUGdSk/s72-c/site+curiosando.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7474716860534623333.post-3322520406790164586</id><published>2008-09-10T12:01:00.000-07:00</published><updated>2008-09-13T13:15:54.481-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Cotidiano.'/><title type='text'></title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_PW89QoR8kx0/SMwfb4Po_wI/AAAAAAAAAJk/gVB-n5yEVkI/s1600-h/Carta+1.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5245602229794701058" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_PW89QoR8kx0/SMwfb4Po_wI/AAAAAAAAAJk/gVB-n5yEVkI/s320/Carta+1.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;ESCREVO E NÃO ASSINO.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na juventude, as amigas me pediam para escrever cartas de amor. Eu escrevia as cartas, e elas ficavam com os amores, que, depois da minha carta- dá licença? - as amavam ainda mais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como o negócio dava certo, elas voltavam: Mais cartas. E mais amor. E eu sempre na coxia, observando de longe o amor -que era meu em palavras, - materializar-se em vida, para elas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois, como quem vai à costureira encomendar um vestido, passaram-me a encomendar discursos: orador da turma. Eu dava o sangue para escrever o discurso, e o orador, além de não dar nada, ficava com os aplausos. Bem, justiça seja feita, ele enfrentava o microfone, e eu era toda tímida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os anos foram passando, e eu sempre escrevinhando. Casei-me e o Ivo admitiu-se em um clube de serviço. E eu, distraidamente, fui, com ele. Aí danou-se de vez: Tornei-me escrevente exclusiva de homenageadas, a serviço de homenageantes. Que repartiam entre si os louvores.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Até o dia em que me pediram para homenagear uma pessoa, cujo texto se me tornou quase impossível de nascer: veio em dores de parto, daquelas bem cruciais, como um filho arrancado a fórceps. Não via na cidadã em questão, nada que merecesse ser alvo de uma homenagem. Mas tinha que fazê-lo, porque convencionara-se ser essa a minha função: escriba a serviço do útil e do fútil. Mais do fútil, do que do útil.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Minha velha Remigton estava no auge. E o cesto de lixo muito em moda; era uma moda necessária. Depois de uma tarde inteira de tentativas, o cesto de lixo abarrotado, esparramando pelo chão, com certa indignação, resolvi que, ao levantar-me daquela cadeira, também me levantaria com o pedido de afastamento definitivo, irrevogável e peremptório. Sem volta. Foi o que fiz até a data de hoje.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nunca me livrei das mazelas de ter que escrever o que não quero, o que não gosto, o que não estou a fim, o que não me diz respeito. Muito raramente, digo não; quando abusam demais, ou quando não degluto o tema, seja por desconhecimento, ou por discordância.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tenho em meu computador uma pasta repleta de textos encomendados, desde cartas de amor, de despedida, de assunção de chefia, de remissão de chefia, de protesto, de artigos para jornal, até “defesa de processos” administrativos internos, que nunca me disseram respeito, mas que, acabo assumindo na função de ajudar: -“é só umas poucas linhas,” dizem-me.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para escrever essas poucas linhas, tenho que me inteirar da história, e como uma história puxa outra, depois vem a réplica, e em seguida, a tréplica.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Da última vez, a interessada foi convocada a comparecer a uma reunião, levando o advogado: que era eu! Tenho essa facilidade de encarar a linguagem que o momento pede. Tenho porque é dom de Deus. E por ser dom de Deus, só não tenho sido advogada do diabo. De resto, quase sempre aceito a função. Essa função estritamente solitária, cansativa e sem nenhum reconhecimento público, nem mesmo do interessado. Quando pegam da minha mão o texto pronto, ninguém imagina a chateação e o trabalho que me deu. Ou não! Tudo depende do tempo, do assunto, do momento, e da disponibilidade. Já me vi escrevendo texto às 23 horas, porque no outro dia, às 8 horas da manhã, o interessado teria uma posse. E não seria por falta de discurso que o amigo não tomaria posse. Escrevi.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No Antigo Testamento, haviam os escribas. Graças a eles, a Bíblia chegou até nós. Escrever é uma função altamente relevante e necessária. Os advogados deveriam saber escrever bem, e alguns não sabem. Perdem-se causas praticamente ganhas, por falta de argumentos e de fundamentação jurídica. Muito mais por falta de argumentos, do que de fundamentação jurídica.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas eu não sou advogada. Comecei e desisti. Amassei o tigre de papel que ameaçava a minha gratuidade literária com um só movimento, quando virei as costas para o curso – que pena!- na metade do segundo ano: era muita lei para mim. Fui para o curso de História. Mas não fiquei livre dos papéis e da burocracia. E, por incrível que pareça, já me surpreendi buscando nos meus velhos livros de direito, as palavras que me faltaram na “defesa” das causas alheias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Escrevo, e não assino, mas sob protesto. Se não houver outro jeito, tudo bem: continuarei escrevendo e não assinando, porque se Deus deu-me o dom de escrever, - dando a mim e não a outros- , não seria para que eu escrevesse por aquele outro- que não recebeu o dom que Ele deu, de graça, para mim?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na dúvida, e sabendo que Deus é fino, não quero correr o risco de perder a bênção: Escrevo sim!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O meu ofício é escrever: como o tempo escreve na árvore, e não assina o nome, eu escrevo, e faço de conta que não escrevi. Só reclamo um pouco, mas Deus perdoa. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7474716860534623333-3322520406790164586?l=abrahana.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://abrahana.blogspot.com/feeds/3322520406790164586/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7474716860534623333&amp;postID=3322520406790164586' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7474716860534623333/posts/default/3322520406790164586'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7474716860534623333/posts/default/3322520406790164586'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://abrahana.blogspot.com/2008/09/escrevo-e-no-assino.html' title=''/><author><name>Ana Maria Ribas</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02242985313797724173</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_PW89QoR8kx0/SPDNZE93ppI/AAAAAAAAAKU/1IWdqIaDcYA/S220/ATgAAAB-QugH-y_WkR5dczWxCwmgGIXkkVlFEWKweRruX_HzUzX7keQO0kfHxSkdpgtTwwwdKnOwPi1EdJv0z61Xv_LuAJtU9VByTd2HvBs6Ho32el-HAq738AB2xA.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_PW89QoR8kx0/SMwfb4Po_wI/AAAAAAAAAJk/gVB-n5yEVkI/s72-c/Carta+1.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7474716860534623333.post-4431913643203103817</id><published>2007-10-05T05:23:00.000-07:00</published><updated>2008-09-13T13:17:59.270-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Rfelexões'/><title type='text'>DEUS CAMINHA NA CONTRA MÃO.</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_PW89QoR8kx0/SMwf5yJ2XbI/AAAAAAAAAJs/Tv46HDs9P74/s1600-h/2503954838_e71171302c.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5245602743555874226" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_PW89QoR8kx0/SMwf5yJ2XbI/AAAAAAAAAJs/Tv46HDs9P74/s320/2503954838_e71171302c.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;A Bíblia tem histórias, circunstâncias e declarações que nos dão um grande trabalho para acomodar dentro delas, as nossas vontades e as nossas necessidades como ser humano, providos de intelecto, pretensões, anseios e aspirações. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Há certa hora, em que a Bíblia vai por um caminho tão árduo que nós, seres redondos, completos, acabados, temos que abrir uma brecha em nossas proposições para conseguir encaixar o que eu penso, com o que Deus pensa, para poder amoldar o que eu pretendo com o que Deus pretende, para poder adequar o meu sentido de grandeza com a indigência que ele me oferece em termos de realização pessoal.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Desamoldar conceitos não é tarefa fácil. O sistema nos educa e nos prepara para o sucesso pessoal, profissional, social e faz um pacote com todas essas coisas com o rótulo de “Felicidade.” No conceito humanístico, a ascensão social do indivíduo está intimamente ligada à idéia de felicidade, mas a Bíblia nos oferece outra metodologia para ensinar o caminho que leva à felicidade.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Para compreender a Bíblia, e por inferência, a mente de Deus, não podemos pinçar um único versículo, capítulo ou livro, sem correr o risco de fazer daquele texto um pretexto. Temos que ler a Bíblia toda e depender ainda do Espírito de sabedoria e revelação. Mas, para provar uma pitada dessa conexão ilógica, sem fazer disso um modelo, mas uma “isca” que nos leve a buscar essa compreensão, vamos escolher esse versículo que Paulo escreveu em sua carta aos coríntios:&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;“ Se enlouquecemos, é para Deus; se conservamos o juízo é para vós.” 2 Cor. 5:13.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Este é o ponto. Conservar o juízo ou enlouquecer. Uma escolha deveras inusitada. Você quer ser reconhecido como um exímio cidadão exemplar, ou como um alienado? como um louco ou como um sábio? como um forte ou como um vil? A Bíblia deixa claro que tipo de escolha Deus faz:&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;“ Mas Deus escolheu as coisas loucas deste mundo para confundir as sábias; Deus escolheu as coisas fracas deste mundo para confundir as fortes; Deus escolheu as coisas vis deste mundo e as desprezíveis e as que não são, para aniquilar as que são; para que ninguém se glorie perante Ele.” 1 Cor. 1:28-29.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Deus escolhe os loucos, os fracos, os vis, os desprezíveis, os que não são, e os usa para aniquilar os que são. Alguém aí se habilita para o serviço de Deus? Alguém aí quer se inscrever no “O Aprendiz” para a função de ser auxiliar direto do Maior? Daquele que não chega de helicóptero porque voa nas asas do vento, daquele que não apenas ordena aos homens, mas ao mar, daquele que não tem casa na praia, no campo, na montanha, mas é dono de todos os mares, todos os campos e todas as montanhas? As inscrições estão sempre abertas... mas essa inscrição não é você quem faz, ela simplesmente se faz. Um dia, sem que saiba como, você pode ser inscrito.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Sem dúvida, o Evangelho age de forma revolucionária, positiva e arrasadora sobre a vida de tantos quantos são designados a viver de maneira pluridimensional, com os pés na terra e a cabeça no céu, o divino permeando o humano e prevalecendo sobre todas as possibilidades, sobre todos os arrazoados ideológicos, sobre todos os conceitos religiosos estéreis.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Caminhar com Deus é caminhar a favor da humanidade, mas na contra mão do mundo. Isso significa exatamente o que significa: quando todo mundo caminha por uma mão, Deus caminha pela outra. Imagine uma auto-estrada, cheia de veículos transitando de maneira ordenada. Pois quando você vir um carro blindado sobrevindo diretamente em sua direção, sobre a sua vida, sobre os seus projetos, sobre os seus sonhos pessoais, ali vai Deus ao volante. Não para esmagar, mas para convidar você a abdicar da companhia da maioria dos comuns mortais, e trilhar o caminho inverso em companhia dele. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Deus é um susto só.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Por isso a Bíblia é repleta de personagens que nos comovem. Sentimos pena dos personagens bíblicos quando os vemos como homens, simples mortais que foram. E sentimos fascinação, quando os vemos como seres que transcenderam a lógica natural e viveram de forma sobrenatural.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Elias. Meditando sobre a vida de Elias, os milagres que realizou, as situações que vivenciou, os desdobramentos psicológicos que sofreu, aprendemos que a comissão divina sempre causa um rebuliço na condição humana. Elias bateu de frente com os reis Acabe, Acazias e Jeorão. Gente da pesada. Bateu de frente com a idolatria, com a feitiçaria, com toda uma nação que abandonara ao Deus vivo, para comprometer-se com o pecado. Por último, Elias bateu de frente com a rainha Jezabel. Mas lembram-se do carro blindado? Elias foi o carro blindado e Deus estava nele.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Elias ordenou a seca como juízo, e a seca veio sobre a terra. O que não o isentou de estar sofrendo as penalidades desse mesmo juízo, porque ainda pertencia à terra, ainda era de carne e sangue. Ele também teve sede. Para matar sua sede, Deus lhe deu o obscuro ribeiro de Querite. Bebeu do riacho, em Querite, quando toda a água que abastecia as tribos de Israel vinha do Rio Jordão. Mas o Jordão secou para Israel e o ribeiro de Querite , a leste do Jordão, fluiu para Elias. Um fio de água. Essa água matou a sede de Elias.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;A caçada contra a sua vida começou. Mas quem procuraria Elias, a leste do Jordão, se ali não existia água? Os homens sempre reagem com a lógica natural e por causa dessa lógica natural, Elias viveu de forma sobrenatural, sem ser incomodado: bebeu água do riacho de Querite e foi alimentado pelos corvos. Uma vida extraordinária.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Quando Deus determina a direção para a vida, Ele também concede o suprimento a essa vida. Que não necessariamente será caviar, filé mignon ou uísque escocês. Pode ser comida trazida por corvo e água do riacho. Quando se está exatamente no lugar que Deus determina, executando o serviço que ele necessita, desempenhando a missão que ele defini, com certeza, o socorro não falta . Não falta a comida na hora da fome, a água na hora da sede, o conforto na hora da dor. Deus não nos isenta de dores, mas passa conosco cada uma delas, e dá o seu jeito que nem sempre é o nosso jeito.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;O extraordinário não está na presença de Deus em forma de socorro, mas no socorro de Deus em formato não padronizado, em conceitos não convencionais. O suprimento não vem em bandejas de ouro por mãos de anjos, mas na boca de corvos.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;As “frescuras” humanas jamais conseguirão engolir esse fato. O Deus que criou a fauna toda, a passarada toda, os seres angelicais, todas as criaturas, não envia um homem, mas envia um corvo. Elias comeu do que o corvo lhe deu. Elias comeu na mão do corvo.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Seca o ribeiro, a água acaba, o corvo some. Vai voar em outras paragens menos “elisianas”. Mas Elias continua lá, esperando a ordem. Ele acabou de aprender a submeter-se ao governo revolucionário do céu.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;“ Então veio a ele a Palavra do Senhor: Levanta-te, vai a Sarepta que pertence a Sidom e habita ali. Ordenei a uma mulher viúva que ali te sustente. Então, ele se levantou e foi a Sarepta.” 1 Reis 17:9&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Corvos e viúvas. Deus consolida de novo a lógica divina que passa a milhares de quilômetros da lógica humana. Não faltou pão, não faltou água, não faltou suprimento para Elias, para a viúva e para o seu filho, Três pessoas se beneficiam da mesma graça, do mesmo poder. Porque a graça de Deus é comunicante, porque a bênção de Deus é para todo aquele que não retém, que não se apossa, que não se assenhoreia dela, antes a administra com liberalidade, com generosidade, com prontidão. Foi a viúva quem alimentou Elias, ou foi Elias quem alimentou a viúva? Foi Deus!&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;E enquanto isso, a poderosa nação de Israel amargava um extenso período de seca e de fome. Faltou comida para os que “conservaram o juízo” mas não faltou comida para os “loucos”, para os que “perderam o juízo.” Faltou direção para os que andavam pela auto pista, mas não faltou caminho para aquele que enveredou pela contra mão do mundo. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Elias é só um exemplo, mas a bíblia tem outros vários. Ser um personagem bíblico na medida de Deus, equivale a cair na desgraça dos homens, equivale a ser excluído do sistema humano mundial, “riscado do mapa”.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Quais os riscos de se inventariar por esse caminho novo? Todos! Quem se arrisca, permanece dividido entre o arrazoado humano e o imponderável divino. Vive-se a meio caminho, suspenso entre o céu e a terra. E ainda se continua humano, pequeno, desconectado. Ainda se experimenta dor, frustração, angústia, amargura e medo. É um caminho árduo, íngreme e sem volta. Mas é o único caminho possível para aqueles que foram chamados e obedecem a esse chamado, não maneira passiva, mas de maneira corajosa. Porque a obediência é o que a obediência faz. E obedecer continua sendo “melhor do que sacrificar.”&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7474716860534623333-4431913643203103817?l=abrahana.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://abrahana.blogspot.com/feeds/4431913643203103817/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7474716860534623333&amp;postID=4431913643203103817' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7474716860534623333/posts/default/4431913643203103817'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7474716860534623333/posts/default/4431913643203103817'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://abrahana.blogspot.com/2007/10/deus-caminha-na-contra-mo.html' title='DEUS CAMINHA NA CONTRA MÃO.'/><author><name>Ana Maria Ribas</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02242985313797724173</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_PW89QoR8kx0/SPDNZE93ppI/AAAAAAAAAKU/1IWdqIaDcYA/S220/ATgAAAB-QugH-y_WkR5dczWxCwmgGIXkkVlFEWKweRruX_HzUzX7keQO0kfHxSkdpgtTwwwdKnOwPi1EdJv0z61Xv_LuAJtU9VByTd2HvBs6Ho32el-HAq738AB2xA.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_PW89QoR8kx0/SMwf5yJ2XbI/AAAAAAAAAJs/Tv46HDs9P74/s72-c/2503954838_e71171302c.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7474716860534623333.post-7513139821263974801</id><published>2007-10-02T06:47:00.000-07:00</published><updated>2007-10-02T07:35:02.016-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='ATUALIDADE - ARTIGO'/><title type='text'>CHE GUEVARA - O HOMEM E O MITO</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Descobriram que Che Guevara foi gente. Proclamado tanto tempo como louco, como visionário, como santo, agora descobriram que ele foi gente. E ao descobrir que foi gente, estão esquecendo que o mundo cria e projeta aquilo que lhe convém. Podemos até atribuir a aura mitológica à máquina da propaganda marxista. Mas o buraco é mais embaixo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desde muito antes que o marxismo existisse, os homens já tinham Che. Criamos símbolos e precisamos deles para viver. Precisamos do mito, da fantasia, dos nossos Ulisses com os seus cavalos de pau, adaptados aos tempos em que vivemos. A simples lembrança de que, em algum lugar, existe um livre pensador valente, que afronta os poderosos, que vence os gigantes, que derruba Golias, que aniquila invasores, que contraria o sistema, que defende as idéias de igualitarismo que não conseguimos exteriorizar, mas que estão latentes dentro de nós, faz nascer o mito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O mito é construído pelo sentimento coletivo de que estamos todos subindo um rio caudaloso, nadando contra a correnteza, resistindo à morte, embora estejamos apenas assentados à sua margem, observando-o passar com a bandeira de um mundo ideal. Os sonhos humanísticos são os melhores sonhos, os mais nobres. Mas eles podem ser como esse rio furioso pedindo passagem dentro de nossa geografia interior, buscando espaço para instalar a sua topografia a qualquer preço. Esses sonhos custam caro, e cedo descobrimos que não temos a moeda de compra. A moeda de compra de um mundo ideal não se faz com conhecimento empírico. Não é porque observamos que existe a injustiça que conseguimos implantar a justiça. Somos amadores quando se trata de estabelecer parâmetros para a nossa constituição de justiça social. Somos como a criança cuja mãe pede para compartilhar um brinquedo com o amigo e ela aceita, mas depois, vendo-se privada da posse vai lá e toma. Relativizamos o absoluto, adaptamos às nossas conveniências, legislamos em causa própria. Cedo descobrimos que defender essa justiça pode ser tão perigoso e tão fatal quanto nadar contra a correnteza de um rio furioso dentro de nós. O inimigo dorme ao lado. Então nos sentimos impotentes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Che representou para os jovens de sua geração, a vitória contra a fraqueza existencial, o símbolo da resistência subjetiva, a possibilidade representativa de engajar-se em causas nobres, de esquivar-se à inércia dos que não fazem história. Agora se sabe que Che foi tudo, além disso ou menos do que isso, dependendo da órbita da visão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Che foi homem e como todo homem, teve um lado escuro que só agora está vindo à tona. A quem interessa resgatar em sua biografia o mais sombrio dessa humanidade, é a pergunta que eu me faço agora, como sempre me perguntei a quem podia interessar o glamour e a fantasia com que enfeitaram a sua biografia de guerrilheiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Che não foi um homem comum, nem no claro e nem no escuro. O lado claro se manifestou na renúncia individual, na disposição de abdicar da própria vida. Convenhamos que ninguém estuda medicina durante 6 longos anos para não exercer essa função. Algo aconteceu no meio do caminho da vida desse jovem, que o impulsionou a abandonar os seus próprios ideais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ontem, meu marido recebeu um convite para uma festa em homenagem ao Dia do Médico. E no verso do convite, feito dobradura, apareciam as palavras: “ Vestibular, Passar pela Faculdade, Provas, Plantões, Residência. Você achou que depois de todo esse esforço, iríamos deixar essa data passar em branco?” Pois aqui, creio, cabe a analogia. Che deixou a vida passar em branco. Comprou, mas não aproveitou. Pagou o preço e jogou fora. Cumpriu a prova mas não recebeu o prêmio. Venceu a maratona mas não pegou a medalha. O lado acadêmico, altruísta, nobre, o conhecimento científico adquirido para salvar vidas, passou em branco. Em algum lugar do caminho, Che perdeu o sonho individual para ganhar o coletivo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ocorre que os sonhos coletivos são perigosos porque o coletivo traz consigo uma carga atávica de bestialidade que emerge do individual. O inconsciente coletivo tem uma tendência para a bestialidade, para a baderna. Todo homem, individualmente, tem dentro de si tanto o bem quanto o mal. Somos uma vaso para conter um tesouro, mas de vez em quando emerge a fera. De vez em quando, confinamos o tesouro a um cantinho escuro do nosso coração e deixamos que a fera se instale tranquilamente em grandes espaços.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando se toma para si a missão de mudar o mundo, e de realizar os sonhos da coletividade, também se toma parte da bestialidade que existe no individual. Camadas e mais camadas vão se sobrepondo sobre a alma, enquanto “um abismo chama outro abismo.” O mito não resiste ao comando exterior da voz que clama do abismo. Ele faz qualquer coisa para continuar sendo mito, para continuar sendo símbolo de credibilidade corajosa, para continuar sendo “deus”. Ele mata sem piedade. Ele mata sem necessidade. Ele mata porque “está vivo e sedento de sangue” ( Segundo a revista Veja, foram palavra de Che em carta à esposa). Ele mata porque “nossa luta é uma luta até a morte” ( da mesma fonte). Ele mata porque “o ódio intransigente ao inimigo converte o combatente em uma efetiva, seletiva e fria máquina de matar. Nossos soldados tem de ser assim” ( idem). Ele mata porque é o representante da bestialidade de toda a raça humana acumulada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas Che matou por algo mais. Ele matou e se deixou matar porque em algum lugar do caminho, o tesouro se perdeu e a fera se instalou de maneira amplificada dentro dele. A fera ocupou o trono do seu coração. Essa fera ronda os homens. Ela existe desde o jardim do Éden e o objetivo dessa força, cuja capacidade de persuasão não se pode subestimar, é “roubar, matar e destruir.” Não podemos imaginar os artifícios que ela usa para nos seduzir. Mas um deles, certamente é a glória dos homens. A glória dos homens constrói pacientemente um Chê, fazendo-o crer que é imprescindível para a libertação da humanidade, sugerindo que os fins justificam os meios.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Che deixou um rastro de destruição e depois foi destruído. Mas a humanidade contemporânea não pode eximir-se totalmente dessa culpa. Até porque ela continua matando Che. Continuamos matando Che sempre que o imortalizamos em tatuagens, e estampas de biquínis. Continuamos matando Che quando estampamos o pôster na parede e quando repetimos como num mantra “Há que endurecer-se mas sem jamais perder a ternura.” Continuamos matando Che quando sentimos ternura diante da estampa de bom moço. A mídia fez de Che um lindo garoto propaganda que defendia a soberania de sua Pátria e lutava pelos povos subdesenvolvidos. Agora querem reverter a propaganda contra o garoto. Querem que compremos o “cheiro de rim fervido” pela falta de banho. Essa é a fragrância cheguevariana do momento. Experimente e leve pra casa, é grátis.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quero que você reflita que esse fedor é nada perto da podridão acumulada pelos séculos dos séculos. Quero que você coloque em prática a “vigilância epistêmica” que Stephen Kenitz, cronista da mesma revista, recomenda. “Vigilância epistêmica” é para mim um termo novo, mas segundo Kenitz é “a preocupação que todos nós devíamos ter com tudo o que lemos, ouvimos e aprendemos de outros seres humanos, para não sermos enganados.” Apliquemos a tal “vigilância epistêmica” ao que se diz de Che, até porque fica muito difícil mensurar o subjetivo de um personagem que já morreu, baseando-se na aura e na “des-aura” que se controi em torno da sua história.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ninguém é tão bom quanto se pensa, nem tão ruim quanto se imagina. Entre a imaginação e a realidade existem as pertinências subjetivas à personalidade humana, características tão íntimas, que só Deus conhece. Coração continua sendo terra que ninguém pisa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Che não foi um inocente útil, foi um culpado inútil. Todo ser pensante que exerce a sua capacidade de interpretação filosófica, já viu isso há muito tempo. Sempre soubemos que, como guerrilheiro, ele foi homem endurecido e sem ternura. Antes que os seus atos de bestialidade fossem divulgados, já sabíamos que não há guerrilheiro sem guerra e sem os atos de selvageria que acompanham essa guerra. Mas hoje devemos saber que Che precisa morrer. Deixemos o homem em paz permitindo que morra o mito. E que essa morte nos ensine alguma coisa mais profunda e eterna do que as verdades e mentiras da sua história.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7474716860534623333-7513139821263974801?l=abrahana.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://abrahana.blogspot.com/feeds/7513139821263974801/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7474716860534623333&amp;postID=7513139821263974801' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7474716860534623333/posts/default/7513139821263974801'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7474716860534623333/posts/default/7513139821263974801'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://abrahana.blogspot.com/2007/10/che-guevara-o-homem-eo-mito.html' title='CHE GUEVARA - O HOMEM E O MITO'/><author><name>Ana Maria Ribas</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02242985313797724173</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_PW89QoR8kx0/SPDNZE93ppI/AAAAAAAAAKU/1IWdqIaDcYA/S220/ATgAAAB-QugH-y_WkR5dczWxCwmgGIXkkVlFEWKweRruX_HzUzX7keQO0kfHxSkdpgtTwwwdKnOwPi1EdJv0z61Xv_LuAJtU9VByTd2HvBs6Ho32el-HAq738AB2xA.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7474716860534623333.post-1492068002430264752</id><published>2007-10-01T10:40:00.000-07:00</published><updated>2007-10-01T11:30:25.068-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Carta.'/><title type='text'>CARTA PARA UM AMIGO ESCRITOR.</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Airton:&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Não há nenhum caminho mais curto para tocar o coração de uma pessoa do que chamá-la pelo nome. O nome encerra a idéia. Quando alguém nos chama pelo nome, tem o caminho e a porta. E já que você passou pela porta e entrou, percorra agora, junto comigo, algumas avenidas milenares.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;A figura de linguagem que você citou faz parte da natureza do escritor. O escritor sente tudo em tamanho amplificado. Se tivesse que qualificá-lo, eu diria, sem medo de errar, pelas duas vezes em que estive em contato com os seus textos,  que o Airton é uma pessoa de intensa cerebração ( de cérebro), de amplos e variados conhecimentos, de interesses ecléticos, e um domínio excepcional da palavra. Junte-se a isso a sensibilidade exacerbada e temos aí, no mínimo, um escritor. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;A riqueza que você viu é derivada da dor. A minha e a dos outros. Não concebo um escritor que não tenha experimentado a dor. Todos os demais sentimentos são desejáveis, mas a dor é imprescindível. A dor nos identifica e nos aproxima. A inspiração no passado deriva daí. Não creio que seja com a finalidade de aprender, mas de suportar. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Estive em Corinto e as ruínas me contaram que, um dia, todas as angústias existenciais acabarão. Naquele lugar eu vi. Vi como poucos seres humanos conseguem ver. Sou uma pessoa de paisagens, mas a geografia humana me atrai muito mais do que a topografia. Caminhando por entre aquelas ruínas, senti falta das pessoas que viveram ali. Senti falta da brincadeira das crianças e do labor dos adultos. Senti falta dos velhos sentados nas portas, distribuindo sabedoria, apoiados sobre os bordões. Sobre os bordões se encontra a síntese da existência. Um bordão é uma bengala. Uma bengala é um apoio. O apoio só pode vir do Alto. Há uma fase na vida, em que o apoio só pode vir daí. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Estive em Corinto e as ruínas me contaram.Quantas coisas as ruínas me contaram! Aquelas ruas por onde passavam as riquezas da Grécia antiga, também abrigaram os sonhos dos homens. Para onde foram os homens de Corinto? Os escombros das edificações estão ali. Mas as pessoas passaram. Para onde foram? Para onde foram os sonhos, as perplexidades, os problemas, as angústias e os medos?Eles vieram todos para nós. Atravessaram os séculos e aportaram em nós. Depositaram sobre os nossos ombros uma carga atávica. Alguns, recusam-se a levá-la. Rejeitam o legado, fecham os olhos para o que existe de mais profundo. Outros, voluntariamente, oferecem os ombros para carregá-lo.Faço parte desse último grupo.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Em algumas manhãs, eu acordo e digo para mim mesma: “amanhece o dia em Corinto.” Essa frase, de alguma maneira, me conforta e eu cobro alento para prosseguir. Portanto, sinto decepcioná-lo, mas creio que existe sim, uma postura nostálgica nessa inspiração. Os personagens do passado me ensinam a viver, mas o que mais gosto de aprender com eles está em outra esfera. Na esfera de uma vida mais ampla, além desta dimensão.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Sou apaixonada pelo antigo porque o antigo me remete ao Alpha e o Ômega. Deus é antigo e é novo, é ancestral e é futurista. Como não tenho acesso ao futuro, circulo pelo passado, na esperança de encontrar algum vestígio que me remeta diretamente ao futuro. Não ao futuro imediato, mas ao futuro apocalíptico e eterno. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Assisti a um filme onde o personagem principal ensinava a um jovem. Era um sábio. E ele dizia: felicidade é a jornada e não o destino. Mas o homem é um ser de destino. Ele tem dentro de si a ansiedade dos que almejam chegar. Há muitas necessidades dentro de nós, mas nesse momento, quero identificar duas que considero fundamentais: para viver, precisamos pertencer; e para morrer, precisamos ser destinados. Se pertencemos, nos inserimos, fazemos parte de um grupo social, nos identificamos, e isso nos faz feliz, nesta vida. Mas se não nos destinarmos, perdemos a última finalidade.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Eu quero ser destinada. Para mim, ser destinada é mais importante do que pertencer. O destino é meu lugar de permanência. Pertencer é efêmero.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Um dia, há muitos anos atrás, eu queria uma casa. E aí, como boa marqueteira, criei uma idéia muito feliz para convencer o Ivo a construir a nossa casa. Eu disse a ele: “morar é verbo definitivo.” E de tal maneira arredondei a idéia que nos pareceu a coisa mais excelente a ser feita. Ele comprou a idéia e eu ganhei a casa, do jeito que queria. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Mas aonde morar seria um verbo definitivo?Certamente, não neste mundo. E de que maneira eu descobri isso? Da pior forma possível! Não há nada definitivo neste mundo. Tudo aqui tem o selo do provisório. Desde então, pertencer passou a ser uma necessidade menor. Meu marido, às vezes, diz em tom de brincadeira,( e eu sei que toda brincadeira tem um fundo de verdade), que eu deveria ter sido monja porque gosto de viver isolada. E talvez eu viva mesmo em um monastério particular, ainda que circule pelo mundo dos vivos.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Para descontrair, para que você não pense que sou profundamente nostálgica ( só um pouco) quero manifestar a minha alegria por ter encontrado o Recanto das Letras. Um lugar onde eu olho em volta para não dizer mais: “sou só eu, cadê os outros?” Se o mundo fosse um grande galinheiro, eu diria que o Recanto é uma incubadora de pintos, alguns maiores, outros menores, alguns com pena, outros sem pena, alguns resolutos, outros titubeantes, mas todos profundamente assustados, perplexos e alarmados com o mundo dos homens. Há uma indignação que nos é comum e a palavra nos liberta. Nessa incubadora existem aqueles cujas asas maiores oferecem abrigo. Um lugar quentinho, para nos abrigarmos do medo. E para lá corremos todos. Aqui há um pouco de riso e alegria, mas há também suspiros e ais. Por isso, creio que seria mais apropriado definir o Recanto como a UTI de um grande hospital , repleta de agonizados e agonizantes. Não tem jeito, a palavra corta, fere, machuca e só salva e liberta quando é liberada. Nesse sentido, agonizamos, para nos salvar uns aos outros.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Às vezes, uma frase nos salva. Quando meu filho completou 5 anos fizemos para ele uma festa de aniversário. Nessa festa, ele ganhou muitos presentes. E entre eles, um marcou a minha vida. Não pelo presente, mas pela frase que acompanhou o presente. Um menino o presenteara com um par de meias. E ele, na inocência de uma criança, abraçou o coleguinha e disse para mim: “olha, mãe, ele me trouxe um par de meias.” Foi só isso mas a entonação de voz fez o outro perceber o sentimento de pena. Então, para se defender, o que trouxera a meia disse: “É só um par de meias, mas tem um cabidinho.”&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;As meias estavam em um cabide. Até hoje, procuro nas meias um cabidinho. E sempre encontro. Seja nas situações, ou nas pessoas. Mas isso, só se consegue pertencendo. Pertencer é relacional, destinar é muito solitário.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Obrigada por analisar o meu perfil. Fernando Pessoa também foi analisado. E quando o material para análise estava muito amplo, ele não coube em si e precisou se desmembrar em outros personagens.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Espero que, de alguma forma, a riqueza que existe em mim, se misture à sua riqueza, e a minha miséria, e a sua miséria, saiam mais diluídas desse contato. Sei que assim será porque já está sendo assim.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Em tempo: não sei o que é uma mulher schubertiana. Mas Schubert além de gênio, não era meio louco? Acho que sei o que é uma mulher schubertiana. Sim, devo sê-lo. E que seja para a honra e glória do meu Deus.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Um abraço, é bom estar com vocês.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Ana Maria.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7474716860534623333-1492068002430264752?l=abrahana.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://abrahana.blogspot.com/feeds/1492068002430264752/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7474716860534623333&amp;postID=1492068002430264752' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7474716860534623333/posts/default/1492068002430264752'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7474716860534623333/posts/default/1492068002430264752'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://abrahana.blogspot.com/2007/10/carta-para-um-amigo-escritor.html' title='CARTA PARA UM AMIGO ESCRITOR.'/><author><name>Ana Maria Ribas</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02242985313797724173</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_PW89QoR8kx0/SPDNZE93ppI/AAAAAAAAAKU/1IWdqIaDcYA/S220/ATgAAAB-QugH-y_WkR5dczWxCwmgGIXkkVlFEWKweRruX_HzUzX7keQO0kfHxSkdpgtTwwwdKnOwPi1EdJv0z61Xv_LuAJtU9VByTd2HvBs6Ho32el-HAq738AB2xA.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7474716860534623333.post-1197507516022634722</id><published>2007-09-30T08:20:00.000-07:00</published><updated>2007-09-30T09:16:29.259-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Família'/><title type='text'>NÃO BASTA SER MÃE...</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;A&lt;span style="font-size:130%;"&gt; Sandra telefonou pedindo orientação sobre alimentos funcionais, para quem faz exercício físico ou para quem quer mais saúde. &lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Também me pediu, pela milésima vez, a receita do meu pão integral, que eu escrevo num papel, bem bonitinho, e ela perde em seguida. Ou mando num e-mail e fica esquecido no meio das mensagens que recebe. &lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Não basta ser mãe, tem que ser nutricionista, orientadora física, cozinheira, médica, psicóloga, e tantas outras funções mais. Mãe agüenta. Mãe pesquisa na internet, pesquisa em livros, aprende primeiro e oferece tudo mastigado para o filho se atualizar. E para você que me acompanha por aqui , vai de brinde. Vamos lá:&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;1 – O exercício físico só queima gorduras depois dos primeiros 20 a 25 minutos de caminhada vigorosa. Antes disso, o combustível é a glicose. Quando acabam essas reservas de glicose, para o cérebro não apagar, e você não cair durinha, o organismo vai buscar combustível nas reservas de gordura. Aí vão embora os pneuzinhos.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;2- A caminhada precisa ser vigorosa, do tipo que, andando, você não consiga conversar normalmente. Não adianta andar a passos de tartaruga. Tudo bem é melhor que nada, e devagar também se chega lá. Mas se você quiser aperfeiçoar o seu exercício, e extrair dele o que houver de melhor, esqueça o papo. Esqueça aquela vizinha que caminha falando o tempo todo. A freqüência cardíaca tem que corresponder a 75% de sua freqüência cardíaca máxima. Para achar a freqüência cardíaca máxima, de acordo com a sua faixa etária, você subtrai a sua idade de 220 e aplica os 75%.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;3- Antes do exercício, um pouco de carboidrato complexo para ter energia. Carboidrato complexo é aquele que vem dos grãos integrais. Esse é melhor do que o carboidrato simples, que é fornecido pela farinha branca, por exemplo. Por quê? Porque o carboidrato complexo demora mais para ser absorvido pelo corpo.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;4) Sabe o que é metabolismo? Metabolismo é o processo pelo qual o seu corpo processa tudo quanto você come e direciona para os vários órgãos do corpo. Como o carboidrato simples é mais fácil de ser digerido, ele explode no corpo como uma bomba calórica. Sem saber o que fazer com tanta energia abrupta, o corpo armazena sob a forma de gordura, para ser usado oportunamente.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;5) O carboidrato complexo por ser de digestão mais lenta, vai sendo assimilado aos poucos, para ser usado nas funções vitais: batimentos cardíacos, respiração, transpiração, digestão, excreção, etc. Isso significa maior sensação de saciedade, por muito mais tempo. Aí, o corpo vai usando devagarzinho, conforme a necessidade.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;6) O que comer antes do treino? Antes do treino carboidrato, depois do treino proteínas. Uma barrinha de cereal antes, um copo de leite desnatado com achocolatado depois. Ou uma fatia de pão integral antes e um iogourt depois.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;7) O que comer no almoço para evitar o sono que vem depois? Se não quiser ficar preguiçosa depois do almoço, bocejando, sem pique nenhum, evite os carboidratos simples: arroz branco, batata. Doce depois do almoço, nem pensar. Por quê isso causa sono? Porque aumenta abruptamente a taxa de glicemia no sangue. Isso faz o corpo desabar. Coma verduras ( fibras), arroz integral( carboidrato complexo), feijão e um pedaço de peixe, carne branca ou vermelha( proteínas). Mas vale uma observação: se você é daquelas que não consegue ficar sem doce, então coma imediatamente depois da refeição, porque o alto índice glicêmico do açúcar vai ficar mais diluído, na presença de outros nutrientes. Isso significa que, o doce depois da refeição, engorda menos, do que o doce sozinho, no meio da tarde, por exemplo.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;8) Alimentos com alto índice glicêmico: batatas, cenouras cozidas, beterraba, mandioca, arroz branco, macarrão e seus parentes, pão branco, doces, frituras, tudo o que é gostoso. O alto índice glicêmico faz o efeito bomba calórica que já mencionei. Esse tipo de alimento aumenta a demanda por insulina e faz o Pâncreas trabalhar em dobro.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;9) Nosso pâncreas tem uma reserva de insulina para produzir durante toda a vida. Se gastar demais hoje, vai faltar amanhã. Daí nem torcendo feito pano molhado vai sair alguma coisa. Resultado: Diabetes!&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;10) Alimentos com baixo índice glicêmico: arroz integral, macarrão integral, pão integral, lentilha, palmito, legumes sem cozimento ( por exemplo, a cenoura quando crua diminui muito o seu índice glicêmico), chuchu, brócolis, couve flor, enfim, tudo o que, na minha opinião, não é gostoso. Não dá para se ter tudo nesta vida, não é mesmo?&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;11) Gorduras do bem fazem falta, mas com moderação porque engorda. Gorduras do bem: óleo de canola, de milho, de girassol, nozes, azeitonas, castanhas de caju, e aquelas provenientes da sardinha e do salmão (ômega 3). Um pouquinho só, todos os dias. Acostume-se a não comprar alimentos industrializados, tipo bolacha, por exemplo. E se comprar, evite os que contenham gorduras trans. Essa é muito ruim.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;12) Evite o sal. Ele fornece muito sódio e faz reter líquidos, aumentando a pressão arterial.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;13) Evite embutidos: lingüiça, presunto, salame, salsicha, porque também tem altos índices de sódio.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;14) Faça musculação para aumentar a sua taxa de metabolismo basal. O metabolismo basal é a taxa que corresponde à sua demanda calórica em repouso. Quando se tem músculos no corpo, (massa magra) a taxa é mais alta, porque os músculos continuam gastando energia mesmo em repouso e a demanda é maior. A gordura é massa gorda, e parece ser o que realmente é: uma lesma que não exige nada, fica ali, só ocupando um espaço inútil no corpo.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;15) Fracione as suas refeições em 6 ou 7 porções durante o dia: café da manhã, lanche, almoço, café da tarde, lanche, jantar e ceia. Faça refeições menores, evidentemente. Porção de passarinho, não de baleia. Por quê? Para manter o seu metabolismo acelerado o dia todo. O maior gasto de caloria, para quem não é atleta, está no processo digestivo. O trabalho de mastigar, que começa na boca, passa pelo estômago triturando o alimento e depois é enviado para as várias células do corpo como nutrientes, através do sangue. Esse processo gasta boa parte das calorias que ingerimos. Se você acrescentar a isso exercícios físicos regularmente, vai aumentar a demanda ainda mais. E se, entre esses exercícios físicos, estiver incluída a musculação, fica perfeito.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;16) Pense no metabolismo como um trabalhador braçal meio vagabundo. Se você der função para ele, ele trabalha. Se não der, ele dorme. Por isso, você deve manter o seu metabolismo trabalhando o dia todo, dando várias pequenas refeições para ele ter o que fazer.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;17) Essas pequenas refeições devem ser de alimentos com baixo índice glicêmico para não realizar o efeito bomba que já foi explicado.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;18) A minha aula acaba aqui. Sou leiga no assunto. Quem quiser saber mais deve consultar o médico, o nutricionista, o preparador físico, enfim... A maior vantagem é que você acabou de receber um resumo de tudo quanto venho pesquisando e colocando em prática há alguns anos. E a vantagem adicional é que não cobrei honorários.&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7474716860534623333-1197507516022634722?l=abrahana.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://abrahana.blogspot.com/feeds/1197507516022634722/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7474716860534623333&amp;postID=1197507516022634722' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7474716860534623333/posts/default/1197507516022634722'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7474716860534623333/posts/default/1197507516022634722'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://abrahana.blogspot.com/2007/09/no-basta-ser-me.html' title='NÃO BASTA SER MÃE...'/><author><name>Ana Maria Ribas</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02242985313797724173</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_PW89QoR8kx0/SPDNZE93ppI/AAAAAAAAAKU/1IWdqIaDcYA/S220/ATgAAAB-QugH-y_WkR5dczWxCwmgGIXkkVlFEWKweRruX_HzUzX7keQO0kfHxSkdpgtTwwwdKnOwPi1EdJv0z61Xv_LuAJtU9VByTd2HvBs6Ho32el-HAq738AB2xA.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7474716860534623333.post-6798251803883607765</id><published>2007-09-30T03:35:00.000-07:00</published><updated>2007-09-30T03:47:35.383-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Cotidiano'/><title type='text'>O QUE SOBROU DE MIM</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;strong&gt;Ao telefone, ela me disse que não tinha importância, que entendia que eu era uma pessoa ocupada e por causa disso, não tinha tempo para recebê-la. Sua prontidão de espírito, deixou-me desolada. Eu não esperava essa reação e de repente, vi-me como nenhum ser humano gosta de se ver. Por causa desse sentimento, dei adeus à liberdade daquela tarde de terça feira. Abri a porta da minha casa, mesmo sem abrir o coração.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela viera de outra cidade, sem aviso. O que me incomodava não era a surpresa, era a lembrança. O saldo negativo de outras épocas. Eu a conhecia da sua infância. Crescera nesta rua, ao lado dos meus filhos. Já casada, começara a surtar. Tinha crises de ausência e de repente, embarcava numa viagem imaginária, sem data certa para voltar. Olhar fixo no infinito. Não comia, não tomava banho, não reagia. A família nos chamava para ajudar, mas sempre que chegávamos, como na crônica de Clarice Lispector, o trem já havia partido. A medicina parecia não poder fazer muita coisa. O marido, quando voltava do trabalho, dava banho nas crianças, fazia comida, cuidava da casa e do cachorro. Era um homem de poucas palavras, e olhava para tudo sem esboçar reação. Mas não me enganava. Eu sabia que ele não agüentaria muito tempo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando o marido não agüenta, os pais agüentam. Pai e mãe agüentam tudo. E, um dia, como eu previra, a casa caiu, a paciência esgotou, o amor acabou, e ela foi “devolvida” à guarda dos pais, em outra cidade, e, rapidamente substituída.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um dos filhos foi morar com a avó paterna, o outro a acompanhou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Era dessa época, que não nos víamos mais. O que não me impedia de ver a outra, usufruindo tudo o que fora dela. Por isso, o sentimento dominante era de tristeza e frustração.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enquanto eu refletia rapidamente no passado, sem saber ao certo como recebê-la no presente, ela entrou em meu escritório. Eu estava aqui, escrevendo um texto. Fazendo o que gosto, fazendo a crônica da minha vida. Renunciei ao meu fazer para recebê-la.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A figura era quase surreal: vestido preto transparente, em pleno calor tropical, pele muito queimada pelo sol. Dias e dias sob o sol, cortando cana, fizeram dela uma anciã precoce, a pele do rosto desidratada, a expressão vincada. Só os olhos ainda eram verdes. Verdes! Caminho fechado para o homem, mas aberto para Deus.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Percebi, em poucos minutos, que a psicose estava controlada, mas não debelada.&lt;br /&gt;Que a vida fizera dela uma sobrevivente.&lt;br /&gt;Que o poço era mais fundo.&lt;br /&gt;Que a qualquer hora, ela viajaria de novo, para bem longe de todos nós.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Conversamos sobre coisas concretas: sua condição não podia ser esmiuçada e minha impotência precisava ficar camuflada.&lt;br /&gt;Soube que a sua casa era tão precária que não tinha porta.&lt;br /&gt;Que a porta estava caída, esperando para ser colocada no lugar.&lt;br /&gt;Que o novo marido não tinha interesse em consertar a porta.&lt;br /&gt;Que o filho caçula estava envolvido com drogas.&lt;br /&gt;Que a irmã entregara o filho mais novo para o pai e a internara num sanatório, diversas vezes.&lt;br /&gt;Que o menino sempre voltava, como voltam os cachorros sem dono.&lt;br /&gt;Que a mãe continuava tendo crises epilépticas.&lt;br /&gt;Que a última delas lhe custara uma queimadura no rosto.&lt;br /&gt;Que Deus era o seu refúgio na terra dos homens.&lt;br /&gt;Que eu não deveria mencionar a palavra “azar”, porque dava azar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entre uma lição e outra, - que eu assimilava, juro que assimilava, porque Deus usa os fracos para ensinar os fortes- perguntei-lhe porque estava casada com o atual marido, que me pareceu assim meio ruim de serviço. Ela me respondeu bem humorada: “nem todo mundo tem a sorte que você teve para conseguir um bom marido”. Como se um bom marido fosse uma mercadoria preciosa. Será que não é?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi a única comparação entre a sua e a minha vida. Mais não disse, e nem foi preciso. Escorreguei por entre os labirintos dessa mente, que ora passeava no claro, ora no escuro, evitando confrontações dolorosas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois dessa derrapada, tudo foi lindo: aprumamos a conversa em direção à vertical do céu. Falamos de Deus e esse falar nos fez acreditar que um dia, tudo seria diferente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois, mais tarde, servi o café. Caprichei na mesa, como merecem as visitas. Era muito, muito pouco.&lt;br /&gt;Revirei minha bolsa e lhe dei uns trocados. Por azar não tinha quase nada, nem trocado e nem sem trocar. Continuava sendo pouco.&lt;br /&gt;Em desespero de última hora, fiquei pensando no que poderia lhe entregar: ela me dera tudo por nada.&lt;br /&gt;Então, procurei umas peças de roupa das minhas filhas, coloquei numa sacola plástica, entreguei para ela, e nos despedimos.&lt;br /&gt;A sensação de muito pouco, ainda estava, incômoda, latejando, dentro de mim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O ônibus não podia esperar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na porta, ela me abraçou e disse a frase que eu temia: “muito obrigada por tudo o que você fez por mim.” Não sei se esse "tudo" referia-se ao passado ou ao presente. De qualquer forma, dolorosamente eu soube que esse "tudo" fora nada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Abraçamo-nos de novo, sem pressa, e dessa vez foi como se nos despedíssemos pela última vez na vida. Então, ela bateu o portão e se foi. Eu fiquei. Fiquei sem saber o que fazer, com o que sobrou de mim.&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7474716860534623333-6798251803883607765?l=abrahana.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://abrahana.blogspot.com/feeds/6798251803883607765/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7474716860534623333&amp;postID=6798251803883607765' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7474716860534623333/posts/default/6798251803883607765'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7474716860534623333/posts/default/6798251803883607765'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://abrahana.blogspot.com/2007/09/o-que-sobrou-de-mim_30.html' title='O QUE SOBROU DE MIM'/><author><name>Ana Maria Ribas</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02242985313797724173</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_PW89QoR8kx0/SPDNZE93ppI/AAAAAAAAAKU/1IWdqIaDcYA/S220/ATgAAAB-QugH-y_WkR5dczWxCwmgGIXkkVlFEWKweRruX_HzUzX7keQO0kfHxSkdpgtTwwwdKnOwPi1EdJv0z61Xv_LuAJtU9VByTd2HvBs6Ho32el-HAq738AB2xA.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7474716860534623333.post-5884977741282016968</id><published>2007-09-27T16:27:00.000-07:00</published><updated>2007-09-28T03:42:42.831-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Subjetivo'/><title type='text'>É PRIMAVERA....</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Neste ano, eu não sei o que fazer com a primavera. As flores e os perfumes que acompanham essa estação do ano, sempre me trouxeram uma perspectiva de renovação, de renascimento, de mistério e de milagre combinados. Os ciclos de vida me atraem, me comovem, me extasiam com as suas possibilidades mágicas. Nada se perde, tudo se transforma. Nessa época, as árvores estão floridas e os pássaros se exibem em cada galho, inclusive na árvore frondosa da frente de casa. Eu os via- a árvore e os pássaros - e os ouvia também , nessa sinfonia combinada, feita de cânticos, tons, cheiros e paisagem. Porque nessa paisagem viva, a árvore que aportou junto com a gente, que viu meus filhos crescerem e meus netos chegarem, essa também cantava. Diversas vezes fiquei confusa, prestando atenção às menores vibrações dessa reverberação de &lt;span class="blsp-spelling-corrected" id="SPELLING_ERROR_1"&gt;gorjeios&lt;/span&gt;. Mas, um dia, descobri, que tal qual uma orquestra &lt;span class="blsp-spelling-corrected" id="SPELLING_ERROR_2"&gt;sinfônica&lt;/span&gt;, cada elemento fazia a sua parte. A árvore emitia os graves, e as aves, os agudos. Na natureza, há uma combinação de causa e efeito que se revela do mais simples ao mais complexo. Sem a árvore, não haveria os pássaros, sem os pássaros não haveria a sinfonia de sons: portanto, a árvore cantava. Nesse mistério de faz de conta, que eu criei como verdade só para mim, a minha árvore cantava. E quando se cria uma verdade, ela existe de verdade. Pode não existir para os outros, mas existe para aquele que a criou. Por conta dessa circunstância mágica, sempre que, em horários pré estabelecidos se arranjava a apresentação, mal os primeiros sons começavam, eu me sentava apressadamente na varanda, determinada a não perder nenhum segundo desse &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_3"&gt;espetáculo&lt;/span&gt; digno de anjos. Isso acontecia invariavelmente, no fim da tarde, quando as sombras crepusculares traziam a noite, e no início da manhã, quando as primeiras luzes inauguravam mais um dia. Mais tarde, bem mais tarde, quase madrugada, enquanto a casa dormia, eu me sentava de novo na varanda e respeitosamente, repartia com a natureza, o silêncio. O meu silêncio, feito de suspiros inaudíveis. Eles que agora dormiam, depois de me brindarem com tal sinfonia, não recebiam nada além do meu silêncio.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Sempre digo que repartir o silêncio é privilégio de poucos. Quando se tem um amigo, um amigo de verdade, a coisa mais importante a fazer é experimentar repartir o silêncio. Essa é a prova da verdadeira amizade. Uma amizade que passa pelo teste do silêncio, sobrevive para além dos momentos de alegria. Tive uma amiga, uma única amiga, que repartia comigo o silêncio. E tive a árvore da frente de casa, e os pássaros que em seus galhos dormiam . Eles também partilharam o meu silêncio feito de dor, saudades e lágrimas. Como testemunhas mudas, viram-me elevar os olhos para o alto, contar estrelas, e perscrutar a lua, em busca de um sinal do céu. É incrível como na hora da dor mais aguda, o céu pode falar. Mas hoje não quero falar do céu, hoje quero falar da árvore. E da primavera. E do Deus que chamou à existência árvores, aves, eu e a primavera. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Neste ano, com a primavera chegando, eu não sei o que fazer com ela. Quase no final do verão, o Ivo me disse, com voz grave, que a nossa árvore estava condenada. Embora linda e majestosa por fora, por dentro não tinha mais vida. Chorei muito. Chorei até abafar com soluços a voz da &lt;span class="blsp-spelling-corrected" id="SPELLING_ERROR_4"&gt;moto serra&lt;/span&gt; que, furiosa e implacável, rugia lá fora. Foi-se a minha árvore e com ela os meus pássaros. Foram-se os meus amigos e companheiros da madrugada. Foram-se os músicos celestiais que me traziam um pouquinho de alegria a cada anoitecer e a cada amanhecer. Mas não me foi a esperança, a fé e a certeza de que Deus tem cuidado de mim. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;No outro dia, recebo a visita de três servas de Deus. Elas aparecem como se não fossem mensageiras do céu. Guardaram asas, por um momento. Com um violão na mão, pedem licença para louvar. O primeiro hino escolhido por elas, é uma passagem bíblica, cuja letra diz o seguinte: "porque há esperança para a árvore, pois mesmo cortada ainda se renovará e não cessarão os seus rebentos, se envelhecer na terra a sua raiz, e no chão morrer o seu tronco, ao cheiro das águas, ao cheiro das águas brotará; e dará ramos, como a planta nova, ao cheiro das águas". &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Se Deus cuida das árvores, não cuidará de mim? Ele é fiel: mandou-me o cheiro das águas e me fez brotar de novo. Como a planta nova, os meus ramos estão aí. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7474716860534623333-5884977741282016968?l=abrahana.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://abrahana.blogspot.com/feeds/5884977741282016968/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7474716860534623333&amp;postID=5884977741282016968' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7474716860534623333/posts/default/5884977741282016968'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7474716860534623333/posts/default/5884977741282016968'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://abrahana.blogspot.com/2007/09/primavera.html' title='É PRIMAVERA....'/><author><name>Ana Maria Ribas</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02242985313797724173</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_PW89QoR8kx0/SPDNZE93ppI/AAAAAAAAAKU/1IWdqIaDcYA/S220/ATgAAAB-QugH-y_WkR5dczWxCwmgGIXkkVlFEWKweRruX_HzUzX7keQO0kfHxSkdpgtTwwwdKnOwPi1EdJv0z61Xv_LuAJtU9VByTd2HvBs6Ho32el-HAq738AB2xA.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7474716860534623333.post-1358502716930581426</id><published>2007-09-26T03:21:00.000-07:00</published><updated>2007-09-28T03:45:33.914-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Subjetivo'/><title type='text'>EU ME RECUSO A TER QUE...</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_PW89QoR8kx0/RvpLf6LjGlI/AAAAAAAAAHQ/EOTBblUqfCo/s1600-h/foto+diversas+052.JPG"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5114483338398341714" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_PW89QoR8kx0/RvpLf6LjGlI/AAAAAAAAAHQ/EOTBblUqfCo/s320/foto+diversas+052.JPG" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Vez por outra, eu me deparo com convites que recebo com muito carinho, mas recuso com idêntica determinação. Quase toda semana, isso acontece. E sempre que acontece, ocasiona um burburinho dentro de mim, um certo ritual perturbador. Começa com uma pressão interna, que logo é abafada pelos meus próprios argumentos. Uma luta no mais íntimo. Uma parte de mim, ainda teima em dizer "você tem que ir", enquanto a outra grita e esbraveja "você não tem quê nada". Passei tanto tempo da minha vida "tendo que ir". Tive que ir, quando era recém casada, quando meus filhos eram crianças, quando chegavam as festas de final de ano, quando surgiam os convites para jantares, casamentos, e acontecimentos sociais, tive que ir como cidadã, como mãe, como esposa. Eu sempre fui, e no entanto, paradoxalmente, nunca fui. Sempre estive presente de corpo, ausente de alma e espírito. Uma pessoa sociável, deve sê-lo na expressão deleitosa da palavra. Não me lembro de ter experimentado esse sentimento. Na infância e adolescência, jamais fui aquela que escolhe estar em grupo, que divide gargalhadas, que aprende as últimas piadas, que senta na fila do gargarejo, que engrossa a corrente do momento. Acabei trazendo isso para a idade adulta. Por que seria diferente no limiar da velhice? Mesmo nunca sendo essa, tentei ser. Fiz o meu esforço. Participei de todos os movimentos que a vida me ofereceu sob o rótulo da fraternidade, fui socialmente e politicamente correta, organizei encontros, jantares, seminários, reuniões, enquanto trabalhadora na área da educação, marquei encontros semanais com o liturgicamente sagrado, e de quebra, ainda me engajei na onda dos que vivem curtindo a vida, de bailes a carnavais. Eu tentei. Tentei como o maratonista tenta ganhar a prova, até gastar o último átomo de energia, em cada célula do seu corpo. O resultado sempre foi um tremendo cansaço. Cansa profundamente ter que viver em função de um grupo social, religioso ou cultural, quando a maré interna teima em escolher a direção oposta ao coletivo. Por isso, quando a vida me deu uma grande rasteira e me jogou de quatro no chão, levantei decidida a me brindar com o direito de escolher a minha forma de viver. Era o mínimo que eu podia fazer por mim. Eu e o Ivo, combinamos isso. Ele me disse que, se possível fosse, me daria o céu, para voltar a me ver feliz. E eu lhe disse, que ele não precisaria buscar o céu, desde que me permitisse viver na terra da forma como me convinha. E eu faria o mesmo, em relação a ele. Fizemos o pacto com muito amor. Muito amor. Um amor que dura até hoje. Um amor feito de paixão, carinho e respeito com a individualidade do outro. Não renunciamos ao amor que devotamos um ao outro, renunciamos à posse que alija, que fere, que abre crateras internas e silenciosas. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Viajei sozinha para muito longe, visitei muitas paisagens. Eu sou uma mulher de paisagens. A paisagem me comove mais que tudo. Um por do sol me fala mais alto do que o grito das vozes de uma multidão. Sou um ser anti-social. O que não significa que seja contra a sociedade. Amo as pessoas, tenho pelos seres humanos uma grande soma de afeto. Eu me dou quando requisitada, mas não me requisito para dar. Não vou em busca do outro, porque tenho consciência de que os seres são universais, mas têm preferências ideológicas. Não creio que sou uma boa companhia para os "normais." Mas se o outro me busca, certamente, me acha. Eu não me fecho para o diálogo, desde que o diálogo tenha sintonia com o céu. Meu coração ainda ama o ser humano, mas o céu tem precedência sobre a terra. Dai surge a grande dificuldade. De alguma forma, o ser humano pendeu para um lado e eu para o outro. A minha busca é pelo sagrado. Profano para mim é tudo quanto não me remete a Deus. Eu não aguento viver nem mesmo uma hora sem tocar em Deus, sem mencionar as suas misericórdias, sem render graças ao meu criador. Um discurso que exalta o homem é para mim o bronze que soa. Uma reunião humanística é um címbalo que retine. Experimente ficar ouvindo durante horas, o bronze soando e o címbalo retinindo nos tímpanos e você entenderá como me sinto, nessas ocasiões. Acho tudo de uma inutilidade completa. Graças a Deus, eu ganhei o direito de ir e vir quando me convém. Fui alforriada pelo meu marido, pelos meus familiares, pelas minhas filhas. Até mesmo a sociedade me alforriou. Sinto-me amada pelo povo da minha cidade. De alguma forma, eles me compreendem e me aceitam como sou. De alguma forma, quando quebro o padrão e compareço a um evento,sou recebida com tanto amor que o meu coração se comove. Que mistério! É um mistério que as pessoas "normais" sintam afeto por um pobre ser espiritual. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Nestes últimos tempos, fomos convidados para ser padrinhos de casamento e o Ivo explicou com a maior naturalidade, que agradecia muitíssimo, que se sentia honrado com a escolha, mas que, infelizmente, a Ana não o acompanhava a festas, a não ser em casos excepcionais. Também fui homenageada em eventos a que agradeci, mas não compareci. Eu não recebo glória dos homens. Fui alforriada. A glória dos homens me faria escrava de uma imagem que não quero mais cultivar. As máscaras cairam. O Ivo, é a minha ponte com o mundo dos felizes e dos satisfeitos. Ele continua politicamente e socialmente correto. Ele vai e,quando volta, volta feliz como o cisne no meio dos cisnes. Eu sou o patinho feio. Somos um casal de cisne e patinho feio e nos completamos em nossas diferenças. Vê-lo feliz, me faz feliz. Ver-me feliz o faz feliz. E dessa forma atípica, vivemos e nos deixamos viver. Cada um na sua e Deus na nossa. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7474716860534623333-1358502716930581426?l=abrahana.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://abrahana.blogspot.com/feeds/1358502716930581426/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7474716860534623333&amp;postID=1358502716930581426' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7474716860534623333/posts/default/1358502716930581426'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7474716860534623333/posts/default/1358502716930581426'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://abrahana.blogspot.com/2007/09/eu-me-recuso-ter-que.html' title='EU ME RECUSO A TER QUE...'/><author><name>Ana Maria Ribas</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02242985313797724173</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_PW89QoR8kx0/SPDNZE93ppI/AAAAAAAAAKU/1IWdqIaDcYA/S220/ATgAAAB-QugH-y_WkR5dczWxCwmgGIXkkVlFEWKweRruX_HzUzX7keQO0kfHxSkdpgtTwwwdKnOwPi1EdJv0z61Xv_LuAJtU9VByTd2HvBs6Ho32el-HAq738AB2xA.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_PW89QoR8kx0/RvpLf6LjGlI/AAAAAAAAAHQ/EOTBblUqfCo/s72-c/foto+diversas+052.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7474716860534623333.post-6106645836236415841</id><published>2007-09-23T19:20:00.000-07:00</published><updated>2007-09-24T16:19:59.441-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Subjetivo'/><title type='text'>ELES ESTÃO INDO EMBORA...</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_PW89QoR8kx0/RveefKLjGkI/AAAAAAAAAHI/MU41q0ZfNOQ/s1600-h/foto+diversas+054.JPG"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5113730160048413250" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_PW89QoR8kx0/RveefKLjGkI/AAAAAAAAAHI/MU41q0ZfNOQ/s320/foto+diversas+054.JPG" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;O nosso amigo, Zé Carlos, era dono de um apartamento de verão, em Balneário Camboriu. Nós também éramos, no mesmo prédio, mas em andares diferentes. As duas famílias encontravam -se no desfrute do ócio, todo verão. Eles ficavam 30 dias, nós ficávamos apenas 15. Eles chegavam alguns dias antes de nós. Apesar de não termos convivência, no resto do ano, tínhamos afinidades sociais durante esse período. As férias fazem dos humanos, seres sensíveis, educados, complacentes. Quase todo vizinho de férias é gente fina, encara a vida numa boa. Tudo é festa, leveza, humor e boa vontade. Era inevitável que nos encontrássemos na praia, toda manhã. Ele nos divertia muito, trazendo aperitivos em uma enorme caixa de isopor e contando histórias. O Zé tinha residência fixa em Botucatu( deve ter ainda), e era padeiro. Um empresário padeiro. Dono de uma rede de panificadoras, continuava botando a mão na massa, toda madrugada. Um empreendedor, vivendo a vida como se ainda fosse empregado. Muito trabalho, pouco descanso. Talvez por isso, valorizasse tanto as férias de final de ano. Ele, a mulher e os filhos, sempre desciam de ônibus para o litoral catarinense. Na garagem do prédio habitava, o ano todo, um jeep sem capota. Era o automóvel da família, na praia. Uma delícia. Por conta disso, no último dia de férias, quando precisavam ir até a rodoviária, era o Ivo quem cumpria o triste dever de fazer o transporte, em nosso carro, até o terminal rodoviário. Chegávamos no apartamento, uns 30 minutos antes e ficávamos observando o doloroso ritual da partida. Eu me lembro nitidamente do Zé, amarrando o tênis, de cara fechada, reclamando do aperto do calçado. A mulher dele dizia: "Zé, você usou esse tênis as férias inteiras e só agora está apertando?" E ele respondia, bem humorado : " pois é, cada um sabe aonde lhe aperta o tênis." E ria... mas o riso era triste. Como uma criança aborrecida, sem esconder a frustração, ele emendava com outra filosofia: "Ivo, fim de férias é igual casamento, marcou, chegou."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É 1 hora da manhã de segunda feira. Daqui a pouco, meus queridos acordarão e pegarão a estrada, de volta para casa. E na iminência dessa partida, estou como o Zé Carlos: achando graça nenhuma. Amarrando o tênis com mal humor. Trocando a havaiana por um tênis apertado, com chulé . A falta de graça é silenciosa, só entre eu e Deus. O resto da casa dorme. O Victor me abraçou, chorou um monte e depois me estreitou em seus braços, com toda a força do amor que sentimos um pelo outro. Esse menino nos ama de uma forma visceral. Conviveu diariamente conosco, durante apenas 9 meses, mas de alguma maneira, nos elegeu para essa qualidade de amor que a distância não consegue debelar. Eu não tenho sono. Como o Zé, fechando as malas, amarrando o cadarço do tênis, apagando as luzes do apartamento e reclamando emblematicamente da vida, eu também estou numa inconformidade silenciosa. Cumpri o ritual: fiz pão integral para a Sandra levar, preparei o lanche para a viagem, arrumei a mesa do café da manhã, mas há um tênis apertando o meu pé, fazendo um torquinete no meu coração e estrangulando as minha emoções. Eu não marquei férias e nem casamento. No entanto, o dia chegou. Tem gente que marca um período para as férias e tem gente que marca uma data para casamento. Mas tem gente que não marca, tem gente que é marcada. Alguém lá em cima -que eu amo muito e que me ama também- marcou tudo na minha vida e eu nunca tive o direito de optar por chegadas e partidas. Isso é amor. O amor de Deus. O animal que Deus escolhia para sacrifício no altar, também não tinha escolha. Deus pedia o melhor, mas o coitado do melhor era amarrado, arrancado do pasto, sangrado, esquartejado, esfolado e queimado: então subia como incenso suave. Tudo o que restava dele era o perfume. Eita perfume bom! Ser objeto do amor de Deus machuca, fere, corta, sangra, esquarteja e arruina os sonhos do animal. Um dia, eu fui criança, e depois fui adolescente, e depois fui mulher. Mas, não sei dizer, em que tempo eu me tornei um cordeiro. Ser objeto do amor de Deus vem exigindo que eu seja um cordeiro. Às vezes, esqueço que sou cordeiro e que cordeiro, morre mas não berra. E porque esqueço, berro. Perdi a identidade. De vez em quando, ofereço a minha vida para ser esquartejada. Mas, de vez em quando, quero minha vida de volta. Então, sou uma moça que ainda sonha. Sonho com uma linda casa, com um marido que me proteja, e com os filhos e netos ao redor da minha mesa. Mas Deus prontamente me diz que a minha casa é o céu, que meus filhos e netos são herança do Senhor e que o Senhor é meu único marido e é Ele quem me protege. Quando busco refúgio no Ivo e ele me falta, já sei que é Deus, com ciúmes de mim. Então me alegro, porque tenho um marido que tem ciúmes e cuida de mim. Em mim, há um paradoxo. Sou ovelha esquertejada e sou mulher. &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Ainda sonho que estou brincando de casinha: eu sou a mãe, o Ivo é o pai, meus filhos são a Sandra, o Paulo e a Silvia, meus netos são o Victor e a Paulinha, filhos de Wanderley Carceliano, um presente de Deus. Num círculo mais amplo vejo meu pai, minha mãe, meus irmãos, meus sobrinhos. Acho que é Natal. Nos sonhos, eu não mudo nada, é sempre o mesmo natal. Todo mundo continua vivo e presente, sem rusgas, sem ausências, sem dores, identidades preservadas e congeladas num tempo em que tudo era festa. Mas quando acordo e olho em volta, vejo a saudade. Então, esperneio, berro e choro: sou gente! Sinto falta de reunir a família, em volta da piscina, e da churrasqueira. A piscina vive vazia e a churrasqueira sempre apagada. Tudo bem, não ligo para piscina e nem para churrasco. Mas ainda ligo para os sonhos. O que eu faço com os meus sonhos? Se em todos esses anos de vida, não consegui matar os sonhos, ou Deus faz um milagre, ou eu morro como um cordeiro, amarrado, sangrado, esquertejado, queimado, mudo e calado... com um tênis apertando o pé. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7474716860534623333-6106645836236415841?l=abrahana.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://abrahana.blogspot.com/feeds/6106645836236415841/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7474716860534623333&amp;postID=6106645836236415841' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7474716860534623333/posts/default/6106645836236415841'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7474716860534623333/posts/default/6106645836236415841'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://abrahana.blogspot.com/2007/09/eles-esto-indo-embora.html' title='ELES ESTÃO INDO EMBORA...'/><author><name>Ana Maria Ribas</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02242985313797724173</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_PW89QoR8kx0/SPDNZE93ppI/AAAAAAAAAKU/1IWdqIaDcYA/S220/ATgAAAB-QugH-y_WkR5dczWxCwmgGIXkkVlFEWKweRruX_HzUzX7keQO0kfHxSkdpgtTwwwdKnOwPi1EdJv0z61Xv_LuAJtU9VByTd2HvBs6Ho32el-HAq738AB2xA.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_PW89QoR8kx0/RveefKLjGkI/AAAAAAAAAHI/MU41q0ZfNOQ/s72-c/foto+diversas+054.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7474716860534623333.post-2873827089111043554</id><published>2007-09-21T03:11:00.000-07:00</published><updated>2007-09-22T03:56:45.525-07:00</updated><title type='text'>ELES ESTÃO CHEGANDO.</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_PW89QoR8kx0/RvOoTKLjGjI/AAAAAAAAAHA/dvG2fA5zxFg/s1600-h/P1070011.JPG"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5112615049099418162" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_PW89QoR8kx0/RvOoTKLjGjI/AAAAAAAAAHA/dvG2fA5zxFg/s320/P1070011.JPG" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Eles estão chegando, debaixo da poderosa mão de Deus, que leva e que trás. A essa hora, as crianças ainda dormem no banco traseiro do carro e, daqui a pouco, começam a acordar. Quando acordam, na melhor das hipóteses, quase metade da viagem já foi percorrida. E aí começa a &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_0"&gt;perguntação&lt;/span&gt;: "Falta muito? Eu quero chegar logo na casa do vovô Ivo." A cada 20 minutos, a pergunta se repete, e no começo é prontamente respondida. Lá pelas tantas, enche tanto o saco que ninguém responde mais. Aqui a casa é do vovô Ivo, vocês já perceberam. O primeiro lugar no coração, também é para o vovô Ivo. Eu me alegro muito porque o vovô Ivo ocupa o primeiro lugar. " Ele merece, ele merece, ele merece..." faço coro com a torcida. Quando meus filhos eram crianças, fiz tudo para que a primazia no coraçãozinho deles fosse para o pai. Em primeiro lugar, porque o Ivo é um pai sob excelência. E em segundo lugar, porque eu não fui uma mãe sob excelência. Fui regular. Daquelas que cuidam, mas não lambem. Daquelas que gostam mais de ler do que de contar histórias. Daquelas que não fazem ninho para o coelhinho da Páscoa. E que não sabem fazer uma trança no cabelo... nem colocar &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_1"&gt;lacinho&lt;/span&gt;. Daquelas que permitem que as inquietações existenciais roubem o melhor de cada dia. Coisas de temperamento, que, com o tempo, foi-se atenuando. Ou talvez não se tenha atenuado, mas como as demandas maternas ficaram mais &lt;span class="blsp-spelling-corrected" id="SPELLING_ERROR_2"&gt;diluídas&lt;/span&gt;, hoje daria para conciliar tudo numa boa. Mas agora é tarde. Eles já voaram. Por isso, digo que quando aprendi a ser mãe, já tinha idade biológica para ser avó. Danou-se. O jeito é procurar ser uma boa avó, sempre na sombra do Ivo, que continua excelente em sua distribuição de &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_3"&gt;afetos&lt;/span&gt;, e funções, como marido, como pai e como avô. Às vezes, a perfeição dos outros é irritante, dessa irritação que surge porque somos confrontados, sem palavras, com as nossas imperfeições. Uma pessoa assim vai deixar um buraco muito fundo, um vazio imenso, quando for morar com Deus. O meu vazio será menor. Pelo menos isso.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Estou numa dúvida: Não sei se faço feijão mexicano para o almoço ( comida de gordo), com carne de porco que o &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_4"&gt;Wanderley&lt;/span&gt; ama, ou se faço um frango encapado que forma uma crosta por fora, e depois da primeira mordida, descobre-se um creme &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_6"&gt;delicioso&lt;/span&gt; envolvendo a carne por dentro... ( comida de gordo também). Essa última receita, aprendi com o &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_7"&gt;Edu&lt;/span&gt; Guedes. Ah que lindo o &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_8"&gt;Edu&lt;/span&gt; Guedes, um doce de pessoa. A boba da Eliana perdeu um excelente pai para os filhos dela. E um cozinheiro e tanto. O Ivo só não é cozinheiro, mas é lindo também. Obrigada, meu Deus, pelo Ivo Guedes que o Senhor me deu.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Eu tenho um excelente pai para os meus filhos e um excelente pai para os meus netos. Olha a sensibilidade desse genro. Veja o que ele escreveu no mural de recados do meu orkut: "Estamos chegando. Cheguei agora do Amazonas e amanhã cedinho, antes que rompa a aurora e o orvalho venha a se dissipar tomaremos os rumos do sul." Pode? Não é encantador? &lt;span style="color:#ffff00;"&gt;&lt;/span&gt;Esse meu genro é especial. Quase 11 anos depois, posso dizer, debaixo do sangue do Senhor Jesus, que esse casamento foi uma sinfonia orquestrada pelo próprio Deus. Obrigada meu Deus, pelo filho que o Senhor nos deu. &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;E agora,feitas as devidas ações de graças e atribuidos os devidos créditos, o trabalho me espera. Dar os retoques finais na casa, comprar flores, fazer a galinha do &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_11"&gt;Edu&lt;/span&gt; e o porco do Wanderley. Porque antes que rompa a hora do almoço e a fome venha a se dissipar, o carro vai buzinar!&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7474716860534623333-2873827089111043554?l=abrahana.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://abrahana.blogspot.com/feeds/2873827089111043554/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7474716860534623333&amp;postID=2873827089111043554' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7474716860534623333/posts/default/2873827089111043554'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7474716860534623333/posts/default/2873827089111043554'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://abrahana.blogspot.com/2007/09/eles-esto-chegando.html' title='ELES ESTÃO CHEGANDO.'/><author><name>Ana Maria Ribas</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02242985313797724173</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_PW89QoR8kx0/SPDNZE93ppI/AAAAAAAAAKU/1IWdqIaDcYA/S220/ATgAAAB-QugH-y_WkR5dczWxCwmgGIXkkVlFEWKweRruX_HzUzX7keQO0kfHxSkdpgtTwwwdKnOwPi1EdJv0z61Xv_LuAJtU9VByTd2HvBs6Ho32el-HAq738AB2xA.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_PW89QoR8kx0/RvOoTKLjGjI/AAAAAAAAAHA/dvG2fA5zxFg/s72-c/P1070011.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7474716860534623333.post-819655434876434126</id><published>2007-09-19T13:47:00.001-07:00</published><updated>2007-09-19T16:50:58.620-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='O homem esse ser tão....'/><title type='text'>EVA, O CAPETA E O JARDIM DO ÉDEN</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Uma amiga acabou de me telefonar agora mesmo, indignada. Estava em Umuarama, numa panificadora, tomando um lanche com o genro, numa dessas instalações em que os ocupantes da mesa vizinha sentam-se de costas um para o outro. Tipo "eu não te vejo, mas cuidado que eu te escuto". Minha amiga levantou-se para ir ao balcão. Sem olhar para os lados, não viu quem estava na mesa vizinha. Era uma mulher da nossa cidade. Uma cidadã de Cruzeiro do Oeste, que a viu, mas não foi vista. Essa senhora, sem saber que na mesa atrás, continuava sentado o genro, de costas para ela, disparou uma conversa desse tipo: " olha essa daí, nem cumprimenta. Só podia ser de Cruzeiro. Não vê a Ana Maria, do Dr. Ivo, pensa que é a "ban-ban-ban"(sic) e a mãe era apenas uma costureira." O comentário infeliz foi esse. Tive que rir quando ouvi, um pouco para disfarçar a dor, um pouco para me defender de qualquer palavra impensada, num primeiro momento. Entrar pelo caminho do revide verbal só me igualaria a Eva e ao capeta. Eva repaginada com outro nome, o capeta, velhíssimo, em sua mania de meter a colher no jardim dos outros. Não faltou nem mesmo o Jardim do Éden: o local é de uma tentação gastronômica sem igual. Na verdade, só fiz lamentar. Lamentei como se lamentam os mortos e os pobres de espírito. Há tantas formas de violência é uma delas é essa: falar da vida dos outros quando os outros querem tão somente viver em paz. Um dia, o salmista disse: "Senhor, não me ocupo com coisas grandes demais para mim e como criança faço sossegar a minha alma." ( citação de um salmo). Tenho buscado esse sossego, mas nem sempre o encontro. Também não me ocupo com coisas grandes demais para mim. Apenas vivo. E ultimamente, tenho um desejo secreto que, agora, vou revelar: quando era criança, via minha mãe criando vestidos lindos. Para mim, para minha irmã, para minhas primas, e para as suas amigas também. Coisas lindas. Com os retalhos, ela me ensinava a fazer vestidos para as bonecas. Depois, tornei-me adolescente e passei a achar essa ocupação pequena demais. Foram anos de total desinteresse. O tempo passou e, um dia, voltei a valorizar a costura, a customização, essa moda que reinventa detalhes novos em peças usadas. Infelizmente, não havia mais tempo disponível para aprender: eu era uma educadora, cuidava da minha casa e dos meus filhos. Quando, finalmente, sobrou-me tempo para aprender, faltou mãe para ensinar: ela já havia partido. Esses dias, conversando com a minha amiga Nelsi que é dona de uma confecção e faz jaquetas lindíssimas, disse a ela o quanto lamentava não ter-me especializado em um trabalho manual. O trabalho dignifica o homem. Costurar é uma arte. Fazer coisas lindas é privilégio de quem tem habilidade manual. Dominar a língua é um dom. Amar é pura graça. Nós não sabemos amar, mas Deus ama o mundo através de nós. Falar mal dos outros, tripudiar, fofocar, discriminar, e rotular é um pecado. A vingança também é. Publicar aqui no blog é a minha vingança. Que Deus nos perdoe a todos!&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7474716860534623333-819655434876434126?l=abrahana.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://abrahana.blogspot.com/feeds/819655434876434126/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7474716860534623333&amp;postID=819655434876434126' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7474716860534623333/posts/default/819655434876434126'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7474716860534623333/posts/default/819655434876434126'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://abrahana.blogspot.com/2007/09/eva-o-capeta-e-o-jardim-do-den.html' title='EVA, O CAPETA E O JARDIM DO ÉDEN'/><author><name>Ana Maria Ribas</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02242985313797724173</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_PW89QoR8kx0/SPDNZE93ppI/AAAAAAAAAKU/1IWdqIaDcYA/S220/ATgAAAB-QugH-y_WkR5dczWxCwmgGIXkkVlFEWKweRruX_HzUzX7keQO0kfHxSkdpgtTwwwdKnOwPi1EdJv0z61Xv_LuAJtU9VByTd2HvBs6Ho32el-HAq738AB2xA.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7474716860534623333.post-9204340777204157342</id><published>2007-09-19T09:02:00.000-07:00</published><updated>2007-09-19T13:44:08.682-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Subjetivo'/><title type='text'>SIMPLIFIQUEI...</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Antigamente, num tempo não muito distante, minha vida era complicada demais. Dessas complicações minúsculas que a gente faz acontecer, apenas por não conhecer uma outra forma de viver. De simplificar. De ser livre. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Eu me lembro do corte de cabelo, que precisava ser escovado, a cada vez que fosse lavado. Isso me consumia pelo menos 3 horas semanais no cabeleireiro. Sem contar que, como o cabelo era longo, as frequentes &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_0"&gt;tinturas&lt;/span&gt; exigiam um profissional especializado. Junte-se a isso a sessão semanal de unhas e a sessão mensal de depilação. Simplifiquei: cortei o cabelo bem curto e assim não preciso mais de &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_1"&gt;escovação&lt;/span&gt;, aplico a tintura em casa, numa cor muito próxima ao meu tom original - apenas para cobrir os fios brancos- e a sessão mensal de depilação foi &lt;span class="blsp-spelling-corrected" id="SPELLING_ERROR_2"&gt;substituída&lt;/span&gt; pela velha lâmina de barbear. Eu sempre pensei, como todo mundo pensa, que esse método de depilação engrossa os pelos. Tolice, não engrossa. O que acontece é que, como a lâmina corta os pêlos pelo meio, e não pela raiz, quando nascem ficam espetados por uns dias, e parecem ter vindo mais grossos. Não vieram. Estão tão macios quanto eram, quando nascemos. Experimente deixar crescer e se verá a pelagem macia. O que acontece é que ninguém deixa crescer para conferir. Soube disso quando fui fazer depilação a laser, na virilha. &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_3"&gt;Fiz&lt;/span&gt; amizade com a médica. No meio da sessão tortura, perguntei se ela fazia em si a depilação a laser. Ela disse que não, que não via nenhuma dificuldade em passar a lâmina, todos os dias, debaixo do chuveiro. E para completar, deu-me uma aula, para que eu entendesse porque os pelos não engrossam. Fiquei muito grata pela informação e nunca mais voltei. A sinceridade lhe custou a cliente. Até hoje a secretária me telefona convidando para fazer novas sessões, mas é tarde: jamais vou deixar de ser cliente da &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_4"&gt;Gilette&lt;/span&gt; do Brasil que é barata, não dói, e não encrava. Simplifiquei: de tudo isso, agora só &lt;span class="blsp-spelling-corrected" id="SPELLING_ERROR_5"&gt;manicura&lt;/span&gt; e &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_6"&gt;pedicure&lt;/span&gt;. Por enquanto. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Também simplifiquei o estilo de roupas: calça &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_7"&gt;jeans&lt;/span&gt; vai bem com tudo. Troca-se a blusa por um tecido mais ou menos elaborado, conforme a ocasião e dá para ir do supermercado ao cinema, do trabalho a um jantar. Como não vou nem ao cinema , nem ao jantar, fico só com o trabalho mesmo. As ocasiões especialíssimas são raras, quase não vou a esses eventos. E se preciso mesmo ir, apelo para um curtinho básico. Aboli os conjuntos de linho, as calças sociais, os vestidos de seda e os vestidos longos que mofavam no armário, esperando a próxima ocasião. Doei peça por peça. Meu guarda roupa de 18 portas ficou vazio. Que alegria ter um guarda roupa vazio para guardar nada. A alma, esse compartimento tão carregado de inutilidades, está realizando o processo de desapego que a sabedoria recomenda. Toda vida tem um &lt;span class="blsp-spelling-corrected" id="SPELLING_ERROR_8"&gt;Apocalipse&lt;/span&gt; e o meu já começou. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Simplificado também foi o cardápio da mesa nossa de cada dia: arroz, feijão, carne, salada e &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_9"&gt;verdurinha&lt;/span&gt; quente. Que delícia. Variedades, só &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_10"&gt;circunstancialmente&lt;/span&gt;. Antes todo dia era dia de orgias &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_11"&gt;gastronômicas&lt;/span&gt;. Nunca fomos obesos porque a genética colaborava. Mas que era uma comilança e tanto, isso era... Cheguei a ter uma pessoa só para cozinhar. Hoje, a cozinheira sou eu. Amo ser a cozinheira da casa. Amo o cheiro do café passado na hora, o feijão que eu tempero como ninguém, a &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_12"&gt;saladinha&lt;/span&gt; verde cujas folhas eu escolho. Cansei de comer o que os outros escolhiam. E entre comida de atleta e comida de gordo, fico com a de atleta. &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_13"&gt;Sorry&lt;/span&gt;.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Simplifiquei. Um pouco por contingências &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_14"&gt;econômicas&lt;/span&gt;, um pouco por desencanto, um pouco por sabedoria, um pouco por lucidez, um pouco pelo espírito, e tudo isso, somado resultou em uma opção de vida mais leve, mais arejada, mais despojada. Com a simplicidade, tudo ficou mais simples. Sem &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_15"&gt;frescuras&lt;/span&gt;. É uma ironia: quando se aprende a viver está quase na hora de morrer. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7474716860534623333-9204340777204157342?l=abrahana.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://abrahana.blogspot.com/feeds/9204340777204157342/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7474716860534623333&amp;postID=9204340777204157342' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7474716860534623333/posts/default/9204340777204157342'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7474716860534623333/posts/default/9204340777204157342'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://abrahana.blogspot.com/2007/09/simplifiquei.html' title='SIMPLIFIQUEI...'/><author><name>Ana Maria Ribas</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02242985313797724173</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_PW89QoR8kx0/SPDNZE93ppI/AAAAAAAAAKU/1IWdqIaDcYA/S220/ATgAAAB-QugH-y_WkR5dczWxCwmgGIXkkVlFEWKweRruX_HzUzX7keQO0kfHxSkdpgtTwwwdKnOwPi1EdJv0z61Xv_LuAJtU9VByTd2HvBs6Ho32el-HAq738AB2xA.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7474716860534623333.post-2136959903475297735</id><published>2007-09-18T06:10:00.000-07:00</published><updated>2007-09-18T09:44:43.387-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Família'/><title type='text'>VISITA DA SANDRA!</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_PW89QoR8kx0/RvAARFtTeVI/AAAAAAAAAGY/L2P7-J4pERA/s1600-h/Fam%C3%ADlia.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5111585870655486290" style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; CURSOR: hand" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_PW89QoR8kx0/RvAARFtTeVI/AAAAAAAAAGY/L2P7-J4pERA/s320/Fam%C3%ADlia.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;O coração está em festa. Isso é raro. Meu coração é sempre melancólico muito antes de ter um grande motivo para a melancolia. A Sandra vai chegar! E com ela Victor, Paulinha, e Wanderley. Comecei os preparativos hoje, fazendo uma boa faxina na casa. Paulinha é alérgica ao pó e ao mofo. E eu gosto de janelas fechadas, sou do signo de escorpião. Escorpião gosta de ambientes na penumbra. Não acredito em signos para previsão de acontecimentos do tipo "hoje vai acontecer algo de muito bom" mas acredito que, de alguma forma, somos influenciados em nosso temperamento, emoções e vontades. Mas hoje não vou falar de signos. Até porque, quem tem o Senhor Jesus tem o signo do céu. Hoje vou falar da expectativa de uma visita que só acontece raramente. Receber filhos, genros e netos, é uma celebração e uma responsabilidade. É uma celebração porque essa visita traz luz a cada cômodo da casa... e bagunça também. Não fica pedra sobre pedra, no final da história. Mas isso é vida. A vida traz em si uma tendência atávica para a desordem. Os físicos dizem que tecnicamente seria possível fazer voltar o tempo, mas por causa desssa tendência à desordem, é que o tempo não volta atrás. Mas hoje também não vou falar de física. Que, aliás, é um assunto que não conheço. Vou continuar meu reciocínio original: a visita da Sandra, minha filha primogênita. Já falei da celebração dessa visita e agora vou falar da responsabilidade. Mãe inspira um estilo. Mãe tem um peso muito forte nas pequenas e nas grandes escolhas da vida dos filhos. Se ela chega, e me encontra triste, abatida, desanimada, descabelada, vai se influenciar. De alguma maneira, um dia, ela vai copiar o modelo, quase instintivamente. Então, preciso fazer as unhas, pintar o cabelo, e melhorar o layout. Começa por aí. O espírito precisa estar vibrante, sem nota de tristeza. Tenho que buscar a alegria aonde ela puder ser encontrada. Depois, tenho que administrar a casa e a vida da casa. E depois, ainda o cardápio que vai à mesa. A comida precisa ser boa e gostosa. Sem gordura trans. Sem aditivos químicos. Sem colesterol. Alimentos naturais, kefir, noni, pão integral, arroz integral. Mesmo que tenha arroz branco e pão branco. Sei que ela vai olhar o que estou colocando no prato para comer, inclusive a quantidade. Depois, ela vai observar com grandes olhos de admiração, os cremes que estou usando no rosto, no cabelo, no corpo. E a lingerie que fica bem em mim e que me traz alguma beleza e muito conforto. O estilo de vida inclui um jeito de ser e de existir. E o clima? O clima precisa estar gostoso. Dentro da casa, o frio não pode entrar. Nem o calor. Tem que ser tudo sob medida. Só não o amor... esse pode ser desmedido. Tenho esse lance de responsabilidade existencial para com as minhas filhas. Sei que sou duplamente observada. Principalmente, pela Sandra, que já alcançou a idade em que um filho dá ao pai e à mãe o devido valor. Ela me suga enquanto me abraça. Suga a boa seiva. Um dia, não muito distante, ela irá receber a Paulinha e o Victor, com seus respectivos filhos, marido e esposa. E irá se lembrar. Em em se lembrando, vai xerocar. Espero que a xerox seja boa e que ela supere o modelo. E que o modelo esteja guardado, com muita saudade, em seu coração. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7474716860534623333-2136959903475297735?l=abrahana.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://abrahana.blogspot.com/feeds/2136959903475297735/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7474716860534623333&amp;postID=2136959903475297735' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7474716860534623333/posts/default/2136959903475297735'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7474716860534623333/posts/default/2136959903475297735'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://abrahana.blogspot.com/2007/09/visita-da-sandra.html' title='VISITA DA SANDRA!'/><author><name>Ana Maria Ribas</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02242985313797724173</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_PW89QoR8kx0/SPDNZE93ppI/AAAAAAAAAKU/1IWdqIaDcYA/S220/ATgAAAB-QugH-y_WkR5dczWxCwmgGIXkkVlFEWKweRruX_HzUzX7keQO0kfHxSkdpgtTwwwdKnOwPi1EdJv0z61Xv_LuAJtU9VByTd2HvBs6Ho32el-HAq738AB2xA.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_PW89QoR8kx0/RvAARFtTeVI/AAAAAAAAAGY/L2P7-J4pERA/s72-c/Fam%C3%ADlia.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7474716860534623333.post-4407234170258260334</id><published>2007-09-16T08:20:00.000-07:00</published><updated>2007-09-16T11:32:30.985-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Bichos do coração'/><title type='text'>Petrúquia</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_PW89QoR8kx0/Ru1QfaJNL8I/AAAAAAAAAGQ/0QH0kKvZEQY/s1600-h/Tuka+linda.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5110829652659482562" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_PW89QoR8kx0/Ru1QfaJNL8I/AAAAAAAAAGQ/0QH0kKvZEQY/s320/Tuka+linda.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Essa daí é a Petrúquia, que vivia na rua. Parecia ser uma feliz habitante de rua. Batia ponto todos os dias, no trabalho da minha filha, Silvia, em busca de água, carinho e comida. Comia, abanava o rabo e ia embora. Um dia, o trabalho acabou.... como explicar que, a partir daquele dia, a sua protetora não estaria mais naquele endereço para cuidar dela? O problema só poderia ser resolvido pela adoção. Sem pedigrée, sem boas maneiras, sem pelagem sadia, mas com um olhar profundamente inquisitivo, ela chegou. No princípio, deixamos o portão aberto, para que escolhesse entre a liberdade da rua e o aconchego da casa. Preferiu a casa. Petrúquia é extremamente amável, amorosa e gentil. Mas tem tiques de personalidade. Quando chega um novo habitante de 4 patas, surgem as crises de depressão. Aí não come... e nem adianta insistir, tem que esperar a crise ir embora. Animais amam e têm ciúmes. Animais são seres com capacidade de expressar sentimentos. Quem adota um animal, de alguma forma, acaba sendo mais terno, mais sensível, mais perceptivo com o mundo dos seres que não usam a palavra. O que não significa, que não falem... No mundo, tudo fala. As rosas falam quando desabrocham, e também falam quando envelhecem e morrem. As plantas verdes falam e as plantas secas gritam. Os rios falam, os mares também. Deus quando criou o homem, pediu a ele que guardasse a terra. Guardar não significa escriturar e tomar posse. Na linguagem de Deus, guardar é exercer domínio sobre as coisas criadas e evitar que o mal possa prevalecer. Mas o homem se vendeu para o lado do mal e agora "toda criação geme e chora, aguardando o dia da Redenção." Por causa disso, sobra latifúndio e falta responsabilidade. Por causa disso, não há paz na terra para os homens de boa vontade.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7474716860534623333-4407234170258260334?l=abrahana.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://abrahana.blogspot.com/feeds/4407234170258260334/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7474716860534623333&amp;postID=4407234170258260334' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7474716860534623333/posts/default/4407234170258260334'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7474716860534623333/posts/default/4407234170258260334'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://abrahana.blogspot.com/2007/09/essa-da-petrquia-que-vivia-na-rua.html' title='Petrúquia'/><author><name>Ana Maria Ribas</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02242985313797724173</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_PW89QoR8kx0/SPDNZE93ppI/AAAAAAAAAKU/1IWdqIaDcYA/S220/ATgAAAB-QugH-y_WkR5dczWxCwmgGIXkkVlFEWKweRruX_HzUzX7keQO0kfHxSkdpgtTwwwdKnOwPi1EdJv0z61Xv_LuAJtU9VByTd2HvBs6Ho32el-HAq738AB2xA.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_PW89QoR8kx0/Ru1QfaJNL8I/AAAAAAAAAGQ/0QH0kKvZEQY/s72-c/Tuka+linda.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7474716860534623333.post-907946818848164033</id><published>2007-09-16T07:28:00.000-07:00</published><updated>2007-09-16T11:08:38.204-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Cotidiano'/><title type='text'>O Pastel da Feira</title><content type='html'>&lt;span style="font-size:130%;"&gt;O pastel da feira é uma delícia. Mas o problema é comer enquanto os cachorros olham para cima pedindo comida, qualquer que seja ela. Uma tristeza. São poucas as pessoas que têm sensibilidade para entender o olhar do cachorro. Ele não fala. Ele não grita. Ele não exige os seus direitos. Ele não reclama. Ele apenas olha para cima. E se encontra reciprocidade, abana o rabo. Por conta disso, adotei o costume de levar no carro, um saco com ração. Cansei de ter que dividir o meu pastel com um cachorro. No final, nem ele, e nem eu, ficávamos saciados. Faço a minha parte, mas a indiferença humana da grande massa me machuca muitíssimo. Muitos alegam que existe muita gente passando fome. Concordo, existe mesmo. Mas será que matar a fome de um animal invalida a possibilidade de matar a fome dos humanos? Será que o nosso sentimento não pode ser mais inclusivo e abranger a terra e toda a sua plenitude, incluindo homens, animais, plantas e toda a natureza? A terra está gemendo com a indiferença dos seres racionais. Que por serem racionais, justificam-se da irracionalidade com argumentos tão débeis quanto inconsistentes. O cachorro que pede comida, não se importa nem um pouco que a nossa generosidade seja compartilhada com os humanos. Mas, para isso, é preciso que haja generosidade. Quando ela existe, transborda para todos os lados. Quando não existe, o jeito é apelar para a mediocridade de um raciocínio torto.&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7474716860534623333-907946818848164033?l=abrahana.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://abrahana.blogspot.com/feeds/907946818848164033/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7474716860534623333&amp;postID=907946818848164033' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7474716860534623333/posts/default/907946818848164033'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7474716860534623333/posts/default/907946818848164033'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://abrahana.blogspot.com/2007/09/o-pastel-da-feira.html' title='O Pastel da Feira'/><author><name>Ana Maria Ribas</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02242985313797724173</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_PW89QoR8kx0/SPDNZE93ppI/AAAAAAAAAKU/1IWdqIaDcYA/S220/ATgAAAB-QugH-y_WkR5dczWxCwmgGIXkkVlFEWKweRruX_HzUzX7keQO0kfHxSkdpgtTwwwdKnOwPi1EdJv0z61Xv_LuAJtU9VByTd2HvBs6Ho32el-HAq738AB2xA.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7474716860534623333.post-1246818569138163636</id><published>2007-09-16T04:13:00.000-07:00</published><updated>2007-09-16T11:09:17.196-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Subjetivo'/><title type='text'>Domingo.</title><content type='html'>&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Já é domingo. Um dilema de gravíssima proporção sempre me atinge, aos domingos: almoçar em casa ou almoçar fora. Tenho preguiça de almoçar fora, e não tenho preguiça de fazer almoço. O problema é que nunca sei o que fazer, além do trivial da semana. Fico buscando em meu restrito cardápio, saudavelmente correto, uma opção que não tenha cara de segunda feira e sempre acabo no arroz, carne assada e maionese. Carne e maionese nem tão saudável assim, mas é domingo e domingo tem que ser excessão. Essa mania de achar que o domigo tem que ser excessão é outra coisa que me consome os neurônios. Domingo é um dia como outro qualquer. Eu não tenho obrigação de descansar aos domingos, até porque não me canso mais durante a semana. Mas quando olho para fora, para a natureza no meu jardim, algo me diz que hoje é domingo. Então eu pego carona na idéia do domingo e fico meio sem jeito, sem saber o que fazer com ele. Já fiz pão integral aos domingos. Domingo era dia de pão. Já fiz visita aos domingos. Domingo era dia de visita. Domingo também já foi dia de levar as crianças ao Tênis Club. Domingo já foi dia de reunir a família em volta da mesa do almoço. Comida de mãe, que delícia! Comida da minha mãe... Mais tarde, domingo tornou-se o dia em que eu fazia aquela lasanha que as crianças amavam, e que eu abomino porque me traz o gosto de saudade. Hoje o domingo é só uma idéia que guardo a sete chaves na cabeça para não deixar chegar ao coração. O que não me impede a dúvida: almoço fora ou faço almoço?&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7474716860534623333-1246818569138163636?l=abrahana.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://abrahana.blogspot.com/feeds/1246818569138163636/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7474716860534623333&amp;postID=1246818569138163636' title='9 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7474716860534623333/posts/default/1246818569138163636'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7474716860534623333/posts/default/1246818569138163636'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://abrahana.blogspot.com/2007/09/domingo.html' title='Domingo.'/><author><name>Ana Maria Ribas</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02242985313797724173</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_PW89QoR8kx0/SPDNZE93ppI/AAAAAAAAAKU/1IWdqIaDcYA/S220/ATgAAAB-QugH-y_WkR5dczWxCwmgGIXkkVlFEWKweRruX_HzUzX7keQO0kfHxSkdpgtTwwwdKnOwPi1EdJv0z61Xv_LuAJtU9VByTd2HvBs6Ho32el-HAq738AB2xA.jpg'/></author><thr:total>9</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7474716860534623333.post-5844877327209898624</id><published>2007-09-15T17:52:00.000-07:00</published><updated>2007-09-16T16:37:13.876-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Cotidiano'/><title type='text'>Viagem ao País Vizinho</title><content type='html'>&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Ir ao país vizinho sempre pode ser uma oportunidade para comprar coisas boas e baratas. Nem sempre. Dessa vez, foi frustrante. Eu nem ia, mas acabei indo. Quem resiste à tentação de comprar umas muambinhas para usar na cozinha, no quarto, no banheiro? E dá-lhe cremes, perfumes, e potes para uma infinidade de usos que acabam nunca sendo usados... mesmo sabendo que, no fim, espalho tudo na mesa da copa, e me arrependo infinitamente de ter gastado o meu rico e suado dinheirinho, fui, já programada para comprar aquilo que queria comprar. Dessa vez eu queria mesmo era um desses aparelhos de medir pressão com velcro, que é fixado no pulso, e registra a pressão arterial e os batimentos cardíacos... reflexo da idade... não sei porquê, vivo com pressão baixa... e tenho tal orgulho da minha pressão baixa que, mesmo caindo de cansaço e desanimo, quero registrar todo dia a minha pressão de moça... para exibir como um troféu para mim mesma. Então fui e entrei na loja, já decidida a comprar. Experimentei; pressão: 10x6, batimentos cardíacos 75. Tudo maravilhoso. Foi então que resolvi testar no meu marido: 15x8. Susto total. Ele nunca soube que era hipertenso. E não é. O aparelho estava maluquete, apertando o pulso com toda a fúria patriótica. Experimentei outro que inverteu o processo: regularizou a pressão dele e fez subir a minha. Era motivo para desistir da compra. Mas não desisti. Como ficaria meu sonho de consumo mais atual? Fui experimentando, até encontrar um que favorecesse a minha auto imagem de saúde. Finalmente achei: 10x6 de novo. Comprei. Em casa, descobri que fui enganada pelo aparelhinho caprichoso. A melhor performance que ele me proporciona é 13x8. Joguei o dito cujo falsificado no fundo da gaveta, e voltei ao meu velho aparelho com esfigmomanômetro que me faz torcer o pecoço para medir a minha própria pressão, mas pelo menos, é fiel para comigo. Felicidade é descobrir que o novo nem sempre é bom e que o velho nem sempre é inútil. Pelo menos, isso....&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7474716860534623333-5844877327209898624?l=abrahana.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://abrahana.blogspot.com/feeds/5844877327209898624/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7474716860534623333&amp;postID=5844877327209898624' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7474716860534623333/posts/default/5844877327209898624'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7474716860534623333/posts/default/5844877327209898624'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://abrahana.blogspot.com/2007/09/viagem-ao-pas-vizinho_15.html' title='Viagem ao País Vizinho'/><author><name>Ana Maria Ribas</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02242985313797724173</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_PW89QoR8kx0/SPDNZE93ppI/AAAAAAAAAKU/1IWdqIaDcYA/S220/ATgAAAB-QugH-y_WkR5dczWxCwmgGIXkkVlFEWKweRruX_HzUzX7keQO0kfHxSkdpgtTwwwdKnOwPi1EdJv0z61Xv_LuAJtU9VByTd2HvBs6Ho32el-HAq738AB2xA.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry></feed>
